Por que a ‘acomodação familiar’ é um problema no tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

3 respostas
Por que a ‘acomodação familiar’ é um problema no tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
Dr. Amiris Costa
Psicólogo
Rio de Janeiro
Boa tarde!

A "acomodação familiar" é um problema significativo no tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) porque ela, na prática, reforça e mantém o ciclo do transtorno, em vez de ajudar a pessoa a enfrentá-lo.

A acomodação familiar acontece quando membros da família participam ativamente das compulsões ou rituais do indivíduo com TOC, ou modificam suas rotinas para ajudar a aliviar a ansiedade dele.

Alguns exemplos de acomodação incluem:
Participar dos rituais: Um pai que precisa conferir se a porta foi trancada várias vezes, a pedido do filho, para que ele possa ir dormir.
Fornecer garantias: Responder repetidamente a perguntas como "Você tem certeza de que a lâmpada está desligada?" ou "Você acha que eu vou ficar doente?".
Evitar gatilhos: A família deixa de usar certas palavras, tocar em objetos ou ir a determinados lugares para não disparar a obsessão da pessoa.
Mudar a rotina familiar: Uma mãe que é a única a limpar a casa, pois o filho com TOC não tolera que outras pessoas toquem nos produtos de limpeza.

Embora essas ações sejam bem-intencionadas — geralmente movidas pelo amor e pelo desejo de aliviar o sofrimento da pessoa amada — elas prejudicam o tratamento por diversos motivos:
Impedem a exposição e a quebra do ciclo: A terapia de exposição e prevenção de rituais (ERP) é o tratamento mais eficaz para o TOC. Ela consiste em expor a pessoa ao seu medo (a obsessão) e, em seguida, impedi-la de realizar o ritual. Quando a família acomoda, ela está fazendo o oposto: aliviando a ansiedade momentânea e, assim, impedindo a pessoa de aprender que consegue suportar a angústia sem precisar da compulsão.
Mantêm a crença de que os rituais são necessários: A acomodação reforça a crença do indivíduo de que as compulsões são necessárias para evitar uma catástrofe. A mensagem que ele recebe é: "Se minha família está me ajudando a fazer isso, é porque é realmente importante e perigoso não fazer."
Aumentam a dependência e a frustração: O indivíduo com TOC se torna cada vez mais dependente da família para gerenciar sua ansiedade. Isso pode levar a um aumento da frustração, tanto para a pessoa com TOC (que se sente impotente) quanto para os familiares (que se sentem exaustos e aprisionados pelo transtorno).

Para que o tratamento seja bem-sucedido, é essencial que os familiares recebam orientação e participem da terapia. O terapeuta pode ensinar estratégias para que eles deixem de acomodar e, em vez disso, apoiem a pessoa a enfrentar suas compulsões, tornando-se aliados no processo de recuperação.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito pertinente, porque a acomodação familiar no TOC costuma surgir como um gesto de cuidado, mas acaba se tornando um dos fatores que mais reforçam o transtorno sem que ninguém perceba. Ela aparece quando a família começa a participar dos rituais, oferecer garantias constantes ou evitar situações que possam gerar ansiedade na pessoa com TOC. Funciona como um alívio rápido, mas cria um círculo que prende todos no mesmo padrão.

O grande problema é que, quando alguém faz uma compulsão ou recebe uma garantia, o cérebro interpreta que realmente havia perigo. Então, cada vez que a família ajuda com um ritual ou responde repetidamente às mesmas dúvidas, o sistema emocional ganha a falsa confirmação de que aquilo era necessário. Aos poucos, o TOC não só se mantém como se fortalece. Talvez valha você se perguntar em que momentos sente que está ajudando por amor e em quais está ajudando para evitar uma explosão emocional. O que passa dentro de você quando tenta não entrar no ritual? E como percebe a diferença entre apoiar e reforçar o medo?

Outro ponto é que a acomodação familiar deixa a pessoa com TOC mais dependente das certezas externas e menos conectada aos próprios recursos para lidar com a ansiedade. Isso não significa falta de força ou de vontade, mas um aprendizado que vai se moldando no ambiente. Em casas onde tudo gira em torno de prevenir crises, o clima emocional fica tenso e a convivência se organiza ao redor do medo, o que torna o tratamento mais lento e desgastante para todos.

Em situações mais graves, especialmente quando as compulsões ocupam grande parte do dia ou existe muito sofrimento emocional, a combinação entre psicoterapia e psiquiatria ajuda a estabilizar o sistema nervoso, enquanto a família aprende movimentos que acolhem sem reforçar o ciclo. Essa mudança costuma ser libertadora tanto para quem tem o TOC quanto para quem convive de perto.

Se quiser explorar como isso aparece na sua rotina e o que pode ser ajustado sem culpa nem cobranças, posso te ajudar a pensar com calma. Caso precise, estou à disposição.
No Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a acomodação familiar é prejudicial porque altera as contingências que mantêm o ciclo obsessivo compulsivo. Quando familiares participam de rituais, oferecem garantias repetidas ou evitam situações para reduzir a ansiedade da pessoa, há um alívio imediato do desconforto. Esse alívio funciona como reforço negativo, fortalecendo tanto a compulsão quanto a tendência da família a continuar ajudando da mesma forma.

Com o tempo, isso impede que a pessoa desenvolva tolerância à incerteza e à ansiedade, habilidades centrais para a melhora. Ao evitar o contato com o desconforto, diminui-se a oportunidade de aprender que a ansiedade é suportável e que os pensamentos não precisam ser neutralizados. Assim, mesmo sendo motivada por cuidado, a acomodação pode manter ou até intensificar o quadro.

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