Quais as diferenças entre Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) com hipervigilância somática

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Quais as diferenças entre Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) com hipervigilância somática e hipocondria?
As diferenças principais entre Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) com hipervigilância somática e hipocondria são:
TPB com hipervigilância somática: além da atenção intensa ao corpo, está associado a instabilidade emocional, dificuldades nos relacionamentos, medo de abandono e comportamentos impulsivos. A hipervigilância faz parte do quadro mais amplo de sintomas emocionais e interpessoais.
Hipocondria (Transtorno de Ansiedade de Doença): o foco principal é a preocupação persistente e excessiva com ter uma doença grave, mesmo com exames médicos normais, sem a instabilidade emocional e os padrões interpessoais típicos do TPB.
Em resumo, no TPB a hipervigilância somática é uma manifestação dentro de um contexto emocional complexo; na hipocondria, é o sintoma central da ansiedade pela saúde.

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O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) com hipervigilância somática é marcado por uma sensibilidade emocional intensa, instabilidade nos relacionamentos e oscilações de humor, junto a uma atenção exagerada a sensações corporais, muitas vezes desencadeada por ansiedade ou medo de abandono. Nesse caso, a preocupação com o corpo geralmente está ligada a experiências emocionais intensas e à busca por validação ou cuidado. Já a hipocondria, atualmente chamada de Transtorno de Ansiedade por Doença, envolve uma preocupação persistente e irracional de ter uma doença grave, mesmo diante de avaliações médicas tranquilizadoras. Enquanto no TPB a hipervigilância somática faz parte de um padrão emocional mais amplo e instável, na hipocondria a ênfase está na crença de estar doente, levando a um círculo de busca constante por exames e tranquilização médica, mesmo sem outros sintomas típicos do TPB.
Dr. Ségismar Bergasse
Psicanalista, Sexólogo, Psicólogo
Brasília
Embora ambos os quadros envolvam uma intensa atenção ao corpo, a raiz de cada um é singular. É como se a hipervigilância somática e a hipocondria fossem dois rios que correm na mesma paisagem, mas têm nascentes muito diferentes.

A principal diferença reside na função que o sintoma corporal ocupa na vida de cada pessoa.

A Hipervigilância Somática no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB): Neste contexto, a vigilância sobre o corpo não é o problema central, mas um eco da instabilidade emocional interna. O corpo se torna um "termômetro" da mente. Quando as emoções são avassaladoras, quando o medo de abandono é iminente, ou quando o vazio existencial se faz presente, o corpo grita. A dor, a taquicardia ou a tontura não são temidas por si mesmas, mas pelo que representam: a iminência de um colapso emocional, a desintegração do self ou a confirmação do próprio abandono. A catástrofe que se teme não é a de uma doença específica, mas a da própria existência, que se sente frágil e prestes a ruir.

A Hipocondria (ou Transtorno de Ansiedade de Doença): Aqui, o foco primário e obsessivo é a doença em si. A pessoa tem um medo persistente e paralisante de ter ou contrair uma enfermidade grave. O corpo é um "traidor" que envia sinais que, na visão da pessoa, são provas irrefutáveis de uma ameaça real. O sofrimento está no medo da morte ou da incapacitação, e a busca por exames, diagnósticos e a palavra de médicos se torna um ritual de alívio temporário, pois nenhuma garantia é suficiente para acalmar a ansiedade. A hipocondria é, portanto, uma tentativa de dar nome e forma a uma angústia que se manifesta no corpo, mas cuja origem está na ansiedade.

Em suma, podemos dizer que a hipervigilância somática no TPB é a externalização de um sofrimento interno, enquanto a hipocondria é a personificação da ansiedade em forma de doença. No primeiro, a preocupação com o corpo é um sintoma da desregulação emocional. No segundo, a preocupação com o corpo é a doença em si, um quadro que se manifesta de forma persistente e que domina a vida da pessoa.

É um lembrete de que o mesmo "sintoma" pode ter raízes e significados completamente diferentes, e que o olhar clínico deve ir além da superfície, buscando o que a dor corporal tenta nos dizer sobre a história e a alma de quem a sente.

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