Quais são os Déficits na memória de trabalho de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderlin

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Quais são os Déficits na memória de trabalho de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) durante situações de estresse ?
Cada pessoa vivencia o transtorno de uma forma particular, por isso, não há como afirmar quais são os déficits. Em casos assim, é comum observar:

Dificuldade de manter o foco: a mente fica tomada por emoções intensas, o que reduz o espaço mental para organizar informações.

Quedas na capacidade de planejamento: a pessoa sabe o que precisa fazer, mas não consegue sustentar a sequência de passos.

Esquecimentos momentâneos: perder o fio da conversa, esquecer o que estava dizendo ou fazendo.

Tomada de decisões mais impulsiva: com a memória de trabalho sobrecarregada, a resposta tende a ser mais imediata e menos refletida.

Sensação de “mente em branco”: especialmente em situações de conflito ou medo de abandono.

Do ponto de vista científico, o estresse ativa circuitos ligados à ameaça (como a amígdala) e reduz a eficiência do córtex pré-frontal, região fundamental para a memória de trabalho. Por isso, em momentos de alta ativação emocional, essas funções ficam temporariamente prejudicadas.

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Em situações de estresse, pessoas com TPB podem apresentar dificuldades na memória de trabalho, como lapsos de atenção, dificuldade de organizar pensamentos, esquecer informações recentes ou se sentir mentalmente “confusas”, especialmente quando as emoções estão muito intensas, o que tende a melhorar quando há maior regulação emocional e apoio terapêutico.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? Essa é uma pergunta muito relevante, porque ajuda a entender por que, em situações de estresse, pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline podem sentir que “perdem o chão” cognitivamente, mesmo sendo plenamente capazes em contextos mais estáveis.

Durante situações de estresse emocional, a memória de trabalho no TPB costuma ficar significativamente comprometida, não por um déficit estrutural permanente, mas por uma sobrecarga do sistema emocional. Emoções intensas, como medo de abandono, raiva ou vergonha, passam a ocupar o espaço mental que normalmente seria usado para manter informações ativas, organizar pensamentos e tomar decisões. O cérebro entra em modo de sobrevivência, e a capacidade de sustentar múltiplas informações ao mesmo tempo diminui.

Outro aspecto importante é a dificuldade em integrar emoção e cognição sob pressão. A memória de trabalho fica mais fragmentada, com pensamentos intrusivos, imagens emocionais e interpretações rápidas tomando o lugar do raciocínio contextual. Isso pode gerar lapsos momentâneos de atenção, dificuldade para lembrar o que acabou de ser dito, confusão sobre sequências de eventos ou decisões impulsivas que depois não parecem fazer sentido para a própria pessoa.

Também é comum haver prejuízo na atualização da memória de trabalho, ou seja, na capacidade de substituir rapidamente uma informação antiga por uma nova. Em estados de estresse, o cérebro tende a se fixar em experiências emocionais passadas semelhantes, como rejeições anteriores, o que faz com que a situação atual seja interpretada à luz dessas memórias, mesmo quando o contexto é diferente. Não é falta de inteligência, mas um sistema emocional que assume o controle da cena.

Enquanto você lê isso, percebe que em momentos de forte emoção sua mente fica mais confusa ou rígida? A sensação é de agir no impulso e só depois conseguir organizar o que sentiu ou pensou? O quanto essas falhas momentâneas de clareza acabam gerando culpa ou arrependimento depois?

Esses padrões costumam ser melhor compreendidos e trabalhados quando explorados com cuidado em um processo terapêutico estruturado, especialmente focado na regulação emocional e no fortalecimento das funções executivas em momentos de estresse. Caso precise, estou à disposição.

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