Quais são os fundamentos do Modelo Transdiagnóstico e sua relação com a Terapia Baseada em Processos

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Quais são os fundamentos do Modelo Transdiagnóstico e sua relação com a Terapia Baseada em Processos ?
 Julia Rhenius
Psicólogo
Florianópolis
O modelo transdiagnóstico se fundamenta em pesquisas que mostram que muitos transtornos mentais compartilham os mesmos processos psicológicos disfuncionais — como evitação, hipervigilância, autocrítica, rigidez cognitiva e dificuldade de regular emoções.
Ele parte da ideia de que, em vez de tratar cada transtorno como uma entidade separada, podemos intervir nos processos centrais que sustentam o sofrimento — oferecendo um cuidado mais eficaz e integrado.
A Terapia Baseada em Processos (PBT) representa uma evolução desse modelo: ela busca identificar quais processos estão ativos em cada paciente específico, e quais intervenções são mais eficazes para modular esses processos, com base em evidências empíricas.
Enquanto o modelo transdiagnóstico organiza o conhecimento sobre o sofrimento humano em dimensões compartilhadas, a PBT operacionaliza isso em um tratamento altamente personalizado, flexível e cientificamente guiado.
Ambos compartilham o compromisso com uma psicologia mais integrada, centrada na pessoa e nos mecanismos reais de mudança — e não apenas nos sintomas.

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Olá, espero que você esteja bem.
O Modelo Transdiagnósticos tem seu foco nos processos que corroboram e mantém o sofrimento humano, esses processos acabam estando presentes em diversos transtornos sem necessariamente ficar se focando em cada um dos diagnósticos. A sua relação com a Terapia Baseada em Processos é mais voltado em proporcionar métodos para intervir nesses processos que o modelo transdiagnósticos já trouxeram que corroboram para o sofrimento do cliente, permitindo assim que o profissional tenha mais flexibilidade para pensar em intervenções adequadas para cada individuo. Alguns exemplos de processos trabalhados nesse modelo são a ruminação, esquiva experiencial, baixa clareza em valores, falta de compromisso com valores, rigidez cognitiva e atenção inflexível, ou seja, mais voltada para o passado e o futuro do que o presente. Espero ter conseguido sanar sua dúvida, fico a disposição caso queira marcar um atendimento psicológico.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem? O Modelo Transdiagnóstico parte de uma ideia bem pragmática: em vez de tratar cada diagnóstico como uma “caixinha” isolada, ele foca nos processos psicológicos que atravessam vários transtornos e mantêm o sofrimento, como evitação experiencial, ruminação, intolerância à incerteza, hiperfoco em ameaça, desregulação emocional, padrões rígidos de pensamento e comportamento, e dificuldades de vínculo. Em clínica, isso costuma fazer sentido porque a vida real raramente aparece “pura” em um diagnóstico só; o que aparece são padrões repetidos que mudam de roupa, mas têm a mesma função.

A Terapia Baseada em Processos se aproxima disso ao trocar a pergunta “qual protocolo para qual transtorno?” por “quais processos estão mantendo este problema nesta pessoa, neste contexto, e qual intervenção muda esses processos?”. Ela integra evidências de diferentes abordagens e usa um raciocínio mais funcional e personalizado: identificar o que está sustentando o ciclo e intervir de forma dirigida, medindo se houve mudança. Na prática, é como sair do mapa por rótulos e entrar no mapa por mecanismos, com uma lógica bem alinhada ao que vemos no consultório quando comorbidades e padrões de personalidade se misturam.

A relação entre os dois é direta: o transdiagnóstico oferece um olhar organizado para processos comuns e a Terapia Baseada em Processos torna esse olhar ainda mais individualizado, escolhendo técnicas e estratégias conforme o alvo clínico do momento. Isso costuma aumentar precisão, evita “overfitting” em diagnóstico e dá mais flexibilidade para trabalhar emoções, cognições, comportamento e padrões relacionais de um jeito coerente. Quando bem feito, o paciente sente que a terapia está falando do que realmente acontece por dentro, e não apenas aplicando uma receita.

Para eu deixar isso mais útil para o seu contexto: você está pensando nisso mais para ansiedade e TOC, para TPB e desregulação emocional, ou para casos com muita comorbidade? Quais processos você percebe se repetindo no seu caso ou no caso que você tem em mente, mais evitação, ruminação, impulsividade, intolerância à incerteza, padrões de apego, ou autocobrança? E na prática clínica, o que você gostaria de medir como “mudança real”, redução de crises, melhora do vínculo, mais flexibilidade, ou mais capacidade de sustentar desconforto sem agir no impulso? Caso precise, estou à disposição.

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