Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade

11 respostas
Tenho problemas com ansiedade desde a infância. Uma das coisas que mais me incomoda é a dificuldade para comer fora de casa, estar em lugares fora da minha rotina ou até mesmo fazer refeições na presença de outras pessoas. Também tenho um medo muito grande de passar mal ou vomitar, e isso acaba aumentando ainda mais minha ansiedade nessas situações.
Já fiz acompanhamento psicológico em outros momentos da minha vida, mas sinto que não tive a melhora que esperava. Com o passar dos anos, percebo que esse problema continua me limitando e fazendo com que eu evite situações que gostaria de viver normalmente.
Eu tento lidar com isso da melhor forma possível. Já procurei técnicas para me acalmar, tentei me expor aos poucos às situações que me causam desconforto e busquei mudar alguns comportamentos, mas ainda sinto que a ansiedade continua muito presente.
Gostaria de saber se existem abordagens terapêuticas mais indicadas para casos como o meu e como posso saber se vale a pena tentar a terapia novamente, mesmo não tendo tido bons resultados nas experiências anteriores.
 Michelle Novello
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
O sofrimento que você descreve merece atenção, especialmente por estar presente desde a infância e continuar limitando aspectos importantes da sua vida. Sob uma perspectiva psicanalítica, mais do que combater os sintomas, é importante compreender o que essa ansiedade e esse medo intenso de passar mal ou vomitar podem estar expressando na sua história e na forma como você vivencia determinadas situações.

O fato de terapias anteriores não terem trazido os resultados esperados não significa que um novo processo não possa ser benéfico. Cada experiência terapêutica é singular, assim como o vínculo estabelecido com o profissional. Muitas vezes, mudanças mais profundas acontecem à medida que os significados inconscientes envolvidos no sofrimento podem ser elaborados.
Buscar terapia novamente pode ser uma oportunidade de compreender não apenas a ansiedade em si, mas também os conflitos e angústias que podem estar sustentando esses sintomas ao longo do tempo

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 Deborah Cal
Psicólogo
Rio de Janeiro
Olá! O que você descreve é muito compatível com um ciclo de ansiedade mantido pela evitação: o medo de passar mal ou vomitar gera ansiedade, a ansiedade leva a evitar certas situações, e o alívio temporário da evitação acaba reforçando o medo. Com o tempo, a vida vai ficando cada vez mais limitada.

O fato de você não ter tido os resultados esperados em terapias anteriores não significa que a terapia não funcione para você. Às vezes a abordagem não era a mais adequada para a dificuldade específica, ou o tratamento não focou suficientemente nos mecanismos que mantêm o problema ou simplesmente era necessário mais tempo do que você desejava para os resultados aparecerem.

A Terapia Cognitivo Comportamental costuma ser uma das abordagens mais indicadas para esse tipo de ansiedade. Em alguns casos, técnicas de exposição gradual e manejo da ansiedade são fundamentais, mas precisam ser feitas de forma estruturada e no ritmo adequado.

Muitas vezes, o acompanhamento de um psiquiatra também pode ser relevante.

Talvez o que esteja faltando seja um processo mais direcionado para entender exatamente o que mantém esse medo ativo há tantos anos.

Abs
 Alexia Mallab
Psicólogo
Sete Lagoas
A Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) pode te auxiliar no entendimento dos gatilhos relacionados a comida, tratar os sintomas de ansiedade e minimizar os impactos negativos que você vem apresentando no dia a dia. Ao longo do tratamento terapêutico, trabalhamos para compreender e ressignificar os medos e as crenças que possam estar desencadeando estes sintomas e desenvolvemos estratégias para trazer mais qualidade de vida para você.
 Douglas Dos Santos Quintão
Psicólogo
São José dos Campos
Olá,

Na abordagem psicanalítica, a ansiedade pode ser compreendida como uma manifestação da angústia diante de conflitos internos e também de situações da realidade externa que mobilizam tais conflitos.

Um aprofundamento na escuta e na compreensão dos sintomas pode favorecer esclarecimentos importantes sobre o sofrimento vivido. Ao longo do processo analítico, a elaboração dessas questões pode contribuir para uma diminuição da angústia e para uma relação mais consciente com aquilo que a produz.

Cada caso possui sua singularidade, mas, de modo geral, a ansiedade frequentemente está associada a dificuldades de se expor a determinadas situações que despertam medo, insegurança ou conflito. À medida que a pessoa amplia sua compreensão sobre o sentido de seus sintomas, pode encontrar maiores condições para enfrentar essas situações, desenvolvendo recursos psíquicos para lidar com elas.

Com o tempo, o sujeito pode reconhecer seus próprios esforços e sua capacidade de enfrentar aquilo que antes parecia insuportável, mesmo que a angústia ou o medo ainda estejam presentes.

Naturalmente, esta é uma compreensão breve e simplificada do tema, que não esgota sua complexidade. Um processo analítico consistente permite aprofundar essas questões de acordo com a singularidade de cada pessoa.

Cuide-se. Estou à disposição.
Pelo que você descreve, me parece que vale a pena tentar a terapia novamente, principalmente porque essa é uma dificuldade que continua presente e tem impactado diferentes áreas da sua vida há muitos anos. O fato de não ter obtido os resultados que esperava em experiências anteriores não significa que um novo processo não possa ser diferente. Pode ser interessante, logo no início do acompanhamento, compartilhar com o profissional quais são os seus objetivos, o que já tentou fazer, o que sentiu que funcionou ou não nas terapias anteriores e quais mudanças gostaria de alcançar. Isso pode ajudar a organizar e direcionar o trabalho terapêutico de forma mais alinhada às suas necessidades. Também é importante lembrar que a psicoterapia é um processo construído em conjunto: o profissional contribui com sua escuta, conhecimento e condução, enquanto o paciente participa com seu envolvimento, suas reflexões e experimentações. Como se trata de um trabalho subjetivo, os resultados costumam depender dessa colaboração entre terapeuta e paciente ao longo do tempo.
Sob uma perspectiva psicanalítica, sua ansiedade pode ser compreendida como uma forma de expressão de conflitos psíquicos mais profundos. O fato de essas dificuldades estarem presentes desde a infância sugere que elas se relacionam a modos antigos de lidar com a angústia e com situações vividas como ameaçadoras. Nessa lógica, o sintoma funciona como uma tentativa de proteção contra algo que produz intenso sofrimento psíquico. Por isso, quando a ansiedade persiste apesar dos esforços para controlá-la, pode ser importante deslocar a pergunta de "como acabar com o sintoma?" para "o que esse sintoma está expressando?". A proposta da psicanálise é justamente escutar o sentido singular dessa ansiedade e compreender a função que ela ocupa na sua história. Nesse contexto, uma nova experiência terapêutica pode ser valiosa não apenas para reduzir os sintomas, mas para elaborar os conflitos que eles parecem representar.
Pelo que você descreve, a ansiedade tem impactado significativamente sua qualidade de vida e levado a comportamentos de evitação, como evitar comer fora de casa ou estar em determinadas situações por medo de passar mal. Esse ciclo é bastante comum: quanto mais evitamos aquilo que nos causa medo, maior tende a ser a sensação de ameaça quando precisamos enfrentá-lo.
O fato de experiências anteriores com a psicoterapia não terem produzido o resultado esperado não significa que o tratamento não possa ser eficaz. Existem diferentes abordagens e formas de conduzir o processo terapêutico, e a qualidade do vínculo com o profissional, os objetivos estabelecidos e a adequação das estratégias ao seu caso também influenciam os resultados.
Em situações como a que você relata, é importante realizar uma avaliação cuidadosa para compreender quais fatores mantêm essa ansiedade e quais intervenções podem ser mais úteis. Dependendo da formulação do caso, recursos como psicoeducação, técnicas de regulação emocional, reestruturação de pensamentos, exposição gradual e outras estratégias podem fazer parte do tratamento, sempre respeitando o ritmo e as necessidades de cada pessoa.
Vale a pena considerar uma nova tentativa de psicoterapia, especialmente se esses sintomas continuam limitando sua rotina e impedindo você de viver experiências importantes. Buscar ajuda não significa recomeçar do zero, mas utilizar tudo o que já aprendeu sobre si mesmo para construir um caminho terapêutico mais direcionado às suas necessidades atuais.
Boa tarde!
Vamos pensar na ansiedade como mecanismo de defesa ou sobrevivência, diante de situações ameaçadoras que possam ter origem na genética, somada a estressores ambientais. Você refere à infância como início de todo sofrimento que o acompanha até hoje. Certamente existe na Psicologia múltiplas abordagens terapêuticas com o propósito de auxiliar na elaboração dos seus conflitos internos. Sugiro insistir em busca psicoterapêutica.
 Pauline Garske
Psicólogo
Cachoeira Do Sul
O que você descreve parece ir além de uma ansiedade pontual. Quando o medo de passar mal, vomitar ou estar em determinados ambientes começa a limitar a alimentação, os deslocamentos e as experiências da vida cotidiana, estamos falando de algo que merece um olhar cuidadoso e aprofundado.

Muitas vezes, o problema não está apenas na ansiedade em si, mas na relação que desenvolvemos com determinadas sensações físicas e situações. Com o tempo, o cérebro aprende a associar alguns contextos a perigo e passa a manter um estado constante de vigilância, mesmo quando não existe uma ameaça real.

Sobre suas experiências anteriores com a terapia, é importante lembrar que nem toda abordagem, profissional ou momento de vida produz os mesmos resultados. O fato de você não ter alcançado a melhora que esperava não significa que a terapia não possa ajudá-lo. Em alguns casos, é necessário compreender mais profundamente a origem desses medos, os padrões de evitação que foram se consolidando ao longo dos anos e a forma como a ansiedade tem sido mantida no dia a dia.

Existem abordagens terapêuticas que apresentam bons resultados para quadros de ansiedade, fobias e comportamentos de evitação, mas a escolha do tratamento deve considerar a história e as necessidades de cada pessoa.

O mais importante é perceber que, apesar das limitações que você enfrenta hoje, o fato de continuar buscando compreender o que acontece com você demonstra um movimento importante de cuidado consigo mesmo. Se esse sofrimento ainda impacta sua qualidade de vida, talvez valha a pena dar uma nova oportunidade à terapia, agora com um olhar mais direcionado para essas dificuldades específicas.
Pelo seu relato, essa ansiedade parece estar presente há muitos anos e impacta áreas importantes da sua vida. O fato de experiências anteriores com terapia não terem trazido o resultado esperado não significa que novas tentativas não possam ajudar. Abordagens focadas em ansiedade e exposição gradual costumam ser bastante eficazes nesses casos. Talvez valha a pena buscar um profissional com experiência específica nessa área e encarar a terapia não como recomeçar do zero, mas como dar continuidade a uma busca por mais liberdade e qualidade de vida.
O fato de experiências terapêuticas anteriores não terem produzido a melhora esperada não significa que a psicoterapia não possa ajudá-lo.
Pelo seu relato, percebe-se que a ansiedade está presente há muitos anos e acaba organizando sua rotina, levando você a evitar situações importantes da vida.
Muitas vezes, aquilo que aparece como um medo específico é a forma pela qual conflitos e angústias encontram expressão. Por isso, o trabalho não se limita ao desenvolvimento de técnicas para controlar a ansiedade, mas à construção de um espaço em que seja possível falar sobre sua experiência e compreender sua singularidade.
Oriento a buscar um profissional de sua confiança, com quem se sinta acolhido e seguro para construir esse processo.

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