Perguntas do paciente (197)
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Se tenho 15 anos e namoro ah 8 meses com um garoto de 15 anos também, durante esse tempo nos passamo
Se tenho 15 anos e namoro ah 8 meses com um garoto de 15 anos também, durante esse tempo nos passamos o dia todo conversando nunca faltava assunto, tínhamos poucas discussões e brigas, nem tínhamos praticamente, sempre conversamos sobre o dia um do outro sempre falando como estávamos e a conversa sempre fluia, temos opiniões o gostos diferentes mas sempre conversamos sobre porém ultimamente notamos que nossa conversa esfriou e estamos nos afastando sem perceber, estamos tendo brigas e discussões por coisas mínimas e bobas muito frequentemente que nos deixa ansiosos e mal, após essas discussões sempre fica um clima chate e demoramos cerca de um dia inteiro pra voltar a se falar normalmente e deixar a conversa fluir porém mal conversamos durante o dia porque não temos assunto e nd que nn sabemos um do outro,já conversamos sobre tudo possível,sonhos,vontades, futuro e tudo que pensávamos. estudamos na mesma escola e na mesma sala e só nos vemos pessoalmente durante esse momento, sei que parte desse afastamento é a distância entre agente porém só vamos mudar isso futuramente por problemas familiares já conversados, nós nos amamos muito e sempre demonstramos isso um ao outro, ultimamente nos nn saímos muito de casa, nn praticamos esportes ou algum hobby, e não trabalhamos então nosso dia é apenas tédio e tédio e não temos oque conversar,já tentamos diversas coisas pelo celular como apps,jogos, perguntas,brincadeiras, filmes, vídeos e muito mais porém nada resolve o nosso problema, ficamos bem por 5 minutos e voltamos a ficar sem se falar novamente, já conversamos sobre isso e sinceramente nenhum dos dois sabe oque fazer pois já tentou de tudo e não queremos terminar, o nosso maior medo é ficar sem um ao outro queria ajuda e sugestões do que podemos fazer para voltar a ser próximos de novo e tendo oque conversar durante os dias sem passar horas só perguntando oque um ao outro está fazendo e os dois responderem a mesma coisa. Os dois estao exatamente cansados de tentar e nunca resolver e não sei mais oque fazer então resolvi buscar ajuda pois já conversamos sobre isso e não conseguimos resolver.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É muito bonito perceber, no que você escreve, o quanto há de dedicação, afeto e desejo de preservar esse amor e, ao mesmo tempo, é sensível o quanto tudo isso também está atravessado por uma angústia difícil de nomear. Quando duas pessoas se amam e se esforçam para ficar bem, e mesmo assim algo parece escapar, é comum que surjam dúvidas, frustrações e até um certo sentimento de impotência.
Na psicanálise, não costumamos responder diretamente com soluções ou conselhos prontos. Porque o que está em jogo aqui vai além de “o que fazer para ter mais assunto”. O que se revela é uma espécie de impasse afetivo: vocês se amam, mas estão se desencontrando. E é justamente nesses desencontros que algo do desejo aparece. Quando dizemos “não temos mais assunto” ou “já falamos de tudo”, pode ser que estejamos tentando sustentar um modo de estar junto que, antes, fazia sentido, mas que agora já não responde mais ao que cada um está sentindo, vivendo, desejando.
Vocês estão crescendo. Estão se deparando com o tédio, a repetição, o silêncio. Tudo isso é parte da vida e, também, do amor. Mas é importante reconhecer que o amor, por si só, não garante que a relação se sustente sem que algo novo possa nascer. E não se trata de buscar novos jogos, vídeos ou atividades apenas, embora isso possa ajudar por um tempo. Trata-se, talvez, de abrir um espaço mais honesto entre vocês para falar não só do que fazem, mas do que sentem. O tédio pode ser um sintoma de que o encontro entre vocês precisa se transformar, amadurecer. Às vezes, o amor permanece, mas a forma de estar junto precisa encontrar outro lugar.
Na análise, o que importa não é resolver o problema como se fosse uma equação, mas escutar o que esse mal-estar revela. Há uma exigência muito grande hoje para que tudo seja intenso, constante, sem pausa, e isso acaba colocando um peso enorme sobre os relacionamentos. Como se amar significasse nunca cansar, nunca ficar em silêncio, nunca se perder um pouco. Mas o amor, se quiser continuar, precisa suportar até mesmo esses momentos de falha, de esvaziamento, de dúvida.
Buscar ajuda, como você está fazendo agora, já é um movimento importante. Talvez seja o momento de olhar menos para “como voltar a ser como antes” e mais para “o que esse amor pode ser agora, diante do que vocês são hoje”. Há crescimento aí, mesmo que venha acompanhado de dor e confusão. E se puder se abrir à experiência da análise, poderá descobrir que há mais a dizer, sobre si mesma, do que imagina. Porque, às vezes, quando o assunto entre dois parece ter acabado, é porque chegou a hora de escutar com mais delicadeza o que está sendo dito dentro de cada um.
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Depois de mais ou menos 8 anos, relacionado com outra pessoa a anos. Ainda sonho com a minha ex, e m
Depois de mais ou menos 8 anos, relacionado com outra pessoa a anos. Ainda sonho com a minha ex, e me perco nas únicas e linda memórias do passado. As vezes sinto que ainda sou apaixonado pela pessoa que ela era. É normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
É tocante quando algo que acreditávamos ter deixado no passado insiste em reaparecer, não só na lembrança, mas nos sonhos, nas sensações, naquilo que nos escapa ao controle da vontade. Você pergunta se é “normal”. E eu te devolveria a pergunta: o que seria normal quando falamos de amor? Quando falamos daquilo que tocou o coração e deixou marcas, que talvez nem o tempo consiga apagar?
Na psicanálise, não buscamos adaptar a vida a um ideal de normalidade. O que nos interessa é o que se repete, o que insiste, o que retorna, mesmo depois de anos. Sonhar com essa ex-companheira, lembrar com afeto do que viveram, sentir que ainda há um lugar em você ocupado por essa história… tudo isso diz algo. E o que importa não é se isso é certo ou errado, saudável ou não, mas o que isso significa para você. O que está vivo nesse amor que não se esquece? Seria ela, de fato, ou o que ela representou naquele tempo da sua vida?
Você diz estar em outro relacionamento há anos, mas ainda assim se vê enredado pelas memórias de antes. Isso nos mostra que o desejo não se organiza de modo linear. A psicanálise nos convida a escutar esse desejo, mesmo quando ele é contraditório, ambíguo, ou parece trair nossas escolhas atuais. Talvez haja algo não resolvido, não dito, não simbolizado naquela história. Talvez não seja ela que você procura, mas algo que viveu com ela, uma versão de si mesmo, uma forma de amar, uma promessa.
É aí que a análise pode se tornar um lugar precioso. Não para te dizer se deve esquecer ou reatar, mas para te ajudar a entender por que esse amor ainda retorna. O inconsciente guarda aquilo que teve sentido, mesmo que hoje pareça sem lugar. E quando algo do passado retorna, é sinal de que ainda há algo a ser escutado ali.
Permitir-se falar sobre isso em análise é dar um destino novo ao que se repete. É dar voz ao que não encontrou, ainda, palavra. Porque quando o amor retorna assim, tão silenciosamente dentro de nós, talvez esteja pedindo não para ser vivido de novo, mas para ser compreendido. E só assim ele poderá, quem sabe, encontrar um lugar mais sereno em sua história.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Oi doutores tudo bem? Queria saber se um ex paciente pode se envolver com sua ex psicóloga, claro se
Oi doutores tudo bem? Queria saber se um ex paciente pode se envolver com sua ex psicóloga, claro se ela também sentir atração. Antes da terapia eu já gostava dela e acho que ela percebeu e coincidentemente comecei a fazer terapia com ela. Nunca falei sobre isso, mais depois da terapia acabar, quando ela me der alta, posso chamar ela pra conversar depois de uns 2 meses da alta para falar sobre isso já que não a mais vínculo terapêutico e caso eu precise futuramente não vou tratar mais com ela,vou chamar outra psicóloga e caso ela tenha algum sentimento por mim ainda, porque antes da terapia já trocamos olhares e eu já gostava dela como falei, podemos ter uma amizade e quem sabe algum relacionamento amoroso depois? Claro se ela concordar e sentir o mesmo
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Sua pergunta toca em um ponto delicado e muito humano: o desejo, os afetos e as fronteiras da relação terapêutica.
Na psicanálise, a relação entre paciente e analista não é apenas uma troca de palavras: ela é um espaço onde emergem fantasias, desejos, projeções, afetos antigos que, muitas vezes, não têm a ver apenas com o outro real, mas com figuras internas, marcas da história de cada um. Não é incomum que o analisando desenvolva sentimentos pelo analista, isso se chama transferência. E é justamente por ela que o processo analítico acontece, pois ali o sujeito reencontra, muitas vezes sem perceber, algo do que já viveu antes, em outras relações, em outros tempos.
Mas a posição do analista é ética. Ela não é neutra, mas é sustentada por um compromisso com a escuta e com o cuidado. Justamente por isso, o analista não responde à transferência com reciprocidade afetiva. Não se trata de ignorar ou desconsiderar o afeto do outro, mas de não ocupá-lo com algo que rompa a possibilidade de elaboração. A escuta é sustentada por essa assimetria que não é superioridade, mas função.
Após o fim do tratamento, ainda que tecnicamente o vínculo tenha se encerrado, permanece uma história, um lugar simbólico que aquela pessoa ocupou na sua vida psíquica. Um analista ético, mesmo fora do consultório, ainda é alguém que respeita a posição que ocupou e que, por isso, não atravessa os limites construídos em análise. Não por frieza ou desinteresse, mas por fidelidade ao ofício.
É compreensível sentir desejo de proximidade com quem nos escutou profundamente, construiu um espaço especial de cuidado e elaboração. Mas o que se pode fazer com esse desejo é algo que só se revela na própria análise. Em vez de buscar transformá-lo em ação concreta, talvez seja mais potente se perguntar: o que me move nesse desejo? O que representou essa pessoa para mim? O que, em mim, se move quando imagino essa possibilidade? Isso, sim, pode ser um precioso caminho de descoberta.
Caso ainda restem sentimentos não elaborados, talvez seja tempo de levar isso a outro analista, não para apagar o passado, mas para continuar a escutar o que, de fato, está em jogo nesse afeto. Desejar não é errado, mas é sempre interessante perguntar: que desejo é esse? E o que ele me diz de mim?
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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É normal mesmo namorando as vezes ter lembranças de outros sexos e sentir prazer nisso? as vezes est
É normal mesmo namorando as vezes ter lembranças de outros sexos e sentir prazer nisso? as vezes estou sozinho me masturbando ou até mesmo com meu parceiro e um pensamento surge na minha mente do nada, ou uma posição, um local me fazem lembrar.... amo muito ele e apesar de serem boas lembranças de bons sexos sinto que me tira do momento de prazer atual que também é muito bom me fazendo sentir um pouco culpado
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Sim, é possível e até bastante humano que lembranças de experiências passadas, inclusive sexuais, reapareçam mesmo quando estamos em outro vínculo amoroso, mesmo quando amamos verdadeiramente nosso parceiro atual. A memória, o corpo e o desejo não se organizam de modo linear ou moral, e isso pode ser desconcertante.
Na psicanálise, compreendemos que o desejo não está sob o controle total da consciência. Ele se estrutura no inconsciente e não se prende, necessariamente, a uma única pessoa ou momento. Uma posição, um gesto, um cheiro, um som… tudo pode ser porta de entrada para cenas guardadas, imagens que retornam, fantasias que se reativam, sem que com isso o sujeito esteja traindo alguém. Há uma diferença importante entre pensar e agir, entre lembrar e desejar de forma efetiva aquilo que se foi.
Quando algo do passado surge no meio do prazer presente, muitas vezes é o próprio corpo lembrando de si: suas marcas, seus caminhos, suas formas de gozo. E, ao contrário do que se imagina, o corpo também tem memória. Ele reconhece o prazer, mesmo fora do tempo em que ele foi vivido. Isso pode desorganizar um pouco a cena atual, sim. Pode até gerar culpa, sobretudo se acreditamos que amar implica exclusividade total do pensamento, do desejo e da história. Mas essa ideia, ainda que comum, é ilusória.
O que você descreve, esse movimento de se sentir um pouco “fora do momento”, pode dizer respeito menos ao sentimento pelo parceiro e mais à forma como você está se relacionando com sua própria história de desejo. O amor não anula o passado, nem deveria. Ele se constrói com ele, apesar dele, e às vezes até por causa dele.
A análise pode ajudar a desatar esses nós, a escutar o que retorna com insistência, a compreender por que algumas cenas ainda provocam tanto efeito, por que algumas lembranças escapam mesmo sem serem convocadas. Porque mais do que buscar um “controle” do desejo, a psicanálise convida a uma posição ética diante dele: não o de reprimir, mas o de escutar. O que essas lembranças dizem de você? O que elas ainda marcam no seu corpo? E por que, ao mesmo tempo, te causam prazer… e culpa?
Talvez aí esteja um ponto importante do trabalho analítico: acolher a contradição que somos. Porque o desejo não é um inimigo a ser vencido, é uma linguagem a ser decifrada.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Oii, tenho 19 anos, esses dias eu conversei com uma garota em uma rede social, ela tinha gostos pare
Oii, tenho 19 anos, esses dias eu conversei com uma garota em uma rede social, ela tinha gostos parecidos com o meu, eu acabei me apaixonando por ela, mas perdi o contanto, meu celular de um bug, e agora não há encontro mais, ela mora na minha cidade, tenho esperança de encontrar ela, mas no momento eu não paro de pensar nela, e nem conseguindo dormir estou mais, nunca pensei que eu pudesse sentir tanta paixão assim, não sei oque fazer, por favor me ajude
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
O que você viveu, tão intensamente, toca algo que é muito próprio do ser humano: o modo como o desejo pode se acender por meio de uma troca, de um encontro de palavras, de uma identificação. Ainda que tenha sido breve, esse contato despertou em você uma força que não é só da paixão romântica, é da fantasia, do ideal, daquilo que se constrói no campo do imaginário. E é legítimo que isso te mobilize.
Na juventude, sobretudo, somos mais permeáveis a essas paixões relâmpago, porque nelas se acende também uma parte nossa que está tentando se reconhecer no outro, alguém que partilha gostos, ideias, visões, talvez até ausências. É como se, por um instante, algo do vazio que nos habita se sentisse preenchido. E isso é encantador, mas também angustiante, porque o desejo, quando não encontra resposta, se agita, se repete, e pode nos tomar o corpo e o pensamento.
O que talvez seja mais difícil nesse momento não é a perda do contato em si, mas a perda do que essa figura passou a representar. Porque é possível que ela, mais do que ela mesma, tenha encarnado um ideal, um lugar de sentido, uma promessa de encontro. Quando isso se rompe abruptamente, o sujeito pode ficar à deriva, procurando incessantemente reviver, refazer, reencontrar. É doloroso, sim, mas também revelador.
Você pergunta o que fazer. E talvez o primeiro passo não seja tentar "resolver", mas escutar o que esse afeto diz de você. Por que essa experiência te tocou tanto? O que essa figura encarnou? O que você buscava nela? E, sobretudo, por que te custa tanto dormir, esquecer, deixar partir?
Na psicanálise, não trabalhamos para apagar a dor, mas para dar lugar à escuta dela. Porque nela há algo do seu desejo, algo que fala de você e que merece ser ouvido com cuidado, não com pressa. O amor, mesmo breve, pode ser revelador. Mas ele não se sustenta apenas no outro. Ele aponta, também, para uma falta que é sua. E talvez o mais importante agora não seja reencontrá-la, mas reencontrar-se a partir do que ela fez emergir. Esse é um bom motivo para iniciar uma análise. Porque às vezes o que nos falta não é o outro… é poder se ouvir no que sentimos.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Ola bom día eu costumo dormir e sonhar e despertó na madrugada me levanto tomo agua como as vezes e
Ola bom día eu costumo dormir e sonhar e despertó na madrugada me levanto tomo agua como as vezes e volto a dormir e retorno ao sonho no mesmo lugar que parei antes de despertar e consigo saber que e um Sonho e consigo mudar o sonho sabiendo que e um sonho como por exemplo un día sonhei que fazia uma escala de uma montanha no meio da escalada eu disse e um sonho vou logo para o topo ai no sonho fechei os olhos e disse que estar no topo abrí os olhos e estava no topo da montanha tudo isso no sonho otra vez foi que no sonho uma mulher quería fazer sexo no meio da rúa mais no sonho me sentí com vergonha nao quiz mais logo no sonho pensé e so un sonho e chamei a mulher otra vez e fiz sexo com ela e isso de sonhar e controlar minhas assoes no sonho passa frecuentemente conmigo duas ou tres vezes na semana e normal isso
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
É muito interessante o que você traz. Quando alguém compartilha experiências assim, de sonhar com clareza, de acordar e voltar ao mesmo ponto do sonho, de conseguir “escolher” o rumo do enredo enquanto dorme, escutamos algo que ultrapassa o simples relato de um sonho curioso. Você está falando, na verdade, de algo que diz respeito ao seu modo de estar no mundo, de lidar com o desejo, com o controle, com a imagem que tem de si e com o que tenta manejar até enquanto dorme.
Na psicanálise, os sonhos não são tomados apenas como histórias ou fantasias, mas como forma de expressão do inconsciente, aquilo que nos habita, nos move, mas que muitas vezes não conhecemos. E mesmo nos sonhos “lúcidos”, em que parece haver controle, há muito mais revelações do que domínio. Por exemplo: por que, em certas cenas, a vergonha aparece? Por que, ao tomar consciência de que é um sonho, você precisa intervir, apressar, modificar a cena? O que esse movimento diz de você?
A análise não vem para explicar o sonho com fórmulas prontas. Ela oferece um espaço para que você possa falar sobre ele, escutando o que ali se repete, o que ali insiste. A partir dessa escuta, é possível perceber algo sobre o desejo, sobre os medos, sobre a maneira com que se posiciona nas relações, mesmo quando acredita estar “no controle”.
E isso é o mais fascinante: o sonho, mesmo “manipulado”, carrega restos do que não se controla. Algo sempre escapa. E é esse resto, essa fresta, que interessa à psicanálise. Porque ali, nesse ponto em que algo se repete, algo insiste, é que pode surgir uma pergunta importante sobre si.
Então, mais do que perguntar se isso é “normal”, talvez o mais potente seja perguntar: o que isso tem a ver comigo? Essa pergunta, sustentada com o tempo e num espaço de escuta comprometida com a verdade do sujeito, pode abrir caminhos que nem mesmo o sonho mais lúcido poderia antecipar.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Tive um evento com meu namorado(1 ano de namoro), fizemos um menage no começo estava tudo bem, mas,
Tive um evento com meu namorado(1 ano de namoro), fizemos um menage no começo estava tudo bem, mas, chegou um momento em que passei mal(bebi mt) o namorado e o outro me ajudaram, cuidaram de mim, mas ao retornar a cama em um momento apaguei e meu namorado não percebeu(acredito nele) e ele e o outro deram um beijo, que foi interrompido pelo "nós vamos contar pra ele né?" só q meu namorado sem entender ficou "ue como assim? ele nao ta aqui?" e que logo ao continuar ele percebeu q eu não estava mais presente(nem em corpo e nem em alma kkkkk) e parou imediatamente, ambos me confessaram logo ao acordarmos. Desde então fico revisitando esse evento que me causa sentimentos mistos... traição? inveja? acredito que meu namorado não fez por mal só que ainda sinto q estou um pouco magoado revivendo obsessivamente esse evento achando q encontrarei uma resposta, ao ponto de me afetar e afetar o meu relacionamento. Conversamos sobre ele se sente extremamente culpado ao ponto de não se sentir mais confortável de fazer outro ménage, e acho que nem eu(talvez eu tenha descoberto que não sou tão liberal dentro de um relacionamento). Não sei mais oq fazer para virar essa pagina e seguir em frente com meu namorado que amo muito, temos uma relação bem saudável, com carinho, comunicação e parceria. Não sei se estou aumentando muito esse acontecimento na minha cabeça, não quero ficar afetado por algo q no fundo eu julgue como bobo, muito menos que esse relacionamento chegue ao fim.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Você descreve com sensibilidade um acontecimento que, embora aparentemente isolado, escancarou algo que se desdobrou dentro de você e que não cessou de trabalhar, mesmo após a conversa, a escuta, o cuidado mútuo. Um acontecimento que insiste em retornar, não tanto pelo que foi vivido em si, mas pelo que tocou em você: um ponto difícil de nomear, que mistura afeto, corpo, desejo, presença e ausência, confiança, limite... e também aquilo que não se esperava sentir.
Na psicanálise, não trabalhamos com a lógica do “foi grave ou não foi grave”. Não é uma régua de juízo externo que mede o sofrimento. O que importa é o que o episódio fez acontecer em você. E o fato de ele retornar insistentemente ao pensamento, de modo obsessivo, mostra que ali se encostou algo do seu desejo, do seu limite, da sua falta, ou até mesmo de um saber sobre si que começa a se anunciar, mesmo que ainda de forma confusa, dolorida ou envergonhada.
Talvez o que machuque não seja apenas o beijo, nem apenas a ausência do seu corpo naquele instante. Talvez seja a sensação de que algo escapou do controle, que algo passou do limite que você mesmo ainda não conhecia. Há momentos na vida, especialmente em experiências que envolvem o desejo, a intimidade, o prazer e a alteridade, em que nos deparamos com partes de nós que não estavam ainda bem situadas. E quando isso acontece, é como se uma pergunta começasse a ecoar dentro da gente, sem trégua.
Na análise, esse eco pode ser escutado com outra qualidade. Não como algo a ser calado ou “resolvido” rapidamente, mas como algo que merece tempo, espaço e palavras para se elaborar. A culpa do outro, o afeto que vocês nutrem, o desejo de continuar… tudo isso também importa, mas não basta se a sua própria dor for deixada de lado, se você continuar tentando “superar” sem antes poder compreender o que ali se passou dentro de si.
O amor que você sente pode sustentar esse processo. Mas talvez ele precise de um outro endereço, além da conversa a dois: um lugar onde você possa falar sem precisar proteger o outro, onde você possa investigar o que essa cena despertou sem precisar já saber o que pensa a respeito dela.
Você não está aumentando nada. Está sentindo. E isso é legítimo. Quando algo nos afeta, é porque toca numa verdade, mesmo que ela ainda não esteja completamente dita. E é exatamente esse o trabalho da análise: acompanhar alguém na travessia de suas próprias verdades, para que não seja o trauma quem dite os rumos, mas o sujeito que se responsabiliza por escutá-los.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Meu filho tem 3 anos 8 meses é muito carinhoso e inteligente , gosta de montar quebra cabeças e pint
Meu filho tem 3 anos 8 meses é muito carinhoso e inteligente , gosta de montar quebra cabeças e pintar.
desde 1 ano e 6 meses ia para uma escolinha pequena que tinha 5 alunos na sala.
Tirei ele dessa escolinha e colocamos ele em uma outra bem maior, ele ficou uns 3 meses em casa sem frequentar a escola ate eu conseguir a vaga.
As duas primeiras semana ele estranhou um pouco, chorou uns dois dias quando eu deixava ele de manha, mas era bem tranquilo, mas fazem uns 5 dias que ele não quer ir para escola, chora muito quando eu deixo, e fica em casa falando que não quer ir para escola.
Converso com ele para buscar entender o motivo e dar apoio para ele, mas ele apenas diz que não gosta da escola grande , que tem muitos alunos, que quer que eu coloque ele em uma escola menor, sinto ele ansioso a noite pois ele fica pensando no outro dia em ter que ir para escola.
Como devo agir, devo esperar quanto tempo ate intervir com algum tipo de suporte profissional ?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Quando uma criança nos diz que algo não vai bem, mesmo que ainda não consiga colocar tudo em palavras, ela está falando. Fala com o corpo, com os gestos, com os silêncios e recusas. Aos três anos e oito meses, o mundo ainda é grande, desconhecido, e tudo que é novo pode ser sentido de forma avassaladora. Uma escola com muitos alunos, barulhos, novos adultos… talvez o seu filho esteja nos mostrando que esse “mundo grande” ainda está difícil de habitar.
A recusa repentina, o choro, o pedido por uma escola menor, a ansiedade à noite, tudo isso pode ser compreendido não como birra, mas como um sinal. Um sinal de que há algo dentro dele tentando se reorganizar, de que a experiência dessa mudança trouxe mais do que ele consegue nomear sozinho. E às vezes, quando isso acontece, o sofrimento aparece sem forma definida. A psicanálise, nesse sentido, não busca ajustar um comportamento, mas escutar o sujeito que se expressa ali, mesmo que esse sujeito ainda esteja aprendendo a falar.
Um psicanalista (principalmente lacaniano/freudiano) infantil pode ajudá-lo não por dar respostas prontas, mas por oferecer um espaço onde ele possa brincar, simbolizar, contar o que viveu (e o que não conseguiu viver) por outras vias que não apenas o discurso direto. Às vezes, quando esse espaço é oferecido, a criança encontra uma nova forma de se reorganizar internamente, e as angústias começam a encontrar seus próprios caminhos de elaboração.
Mas é também importante lembrar que quando uma criança sofre, muitas vezes quem cuida também sofre. Escutar o choro do filho, ver sua recusa e sentir-se sem saber o que fazer… tudo isso também atravessa profundamente a mãe. E por isso, é fundamental que você também se escute, se acolha. O cuidado com a criança passa também pelo cuidado com quem cuida.
Procurar suporte, conversar com alguém que possa escutar suas dúvidas sem julgamento, pode ajudar você a sustentar esse processo com mais leveza e clareza. Maternar não é seguir um manual, é habitar um laço. E esse laço é feito de presença, mas também de limites, de escuta, e de um espaço para si mesma.
Se a angústia dele continuar persistente, ou se você perceber que está difícil sustentar sozinha esse lugar de suporte, buscar um profissional que possa acompanhar vocês nesse percurso não é um sinal de fracasso é, antes de tudo, um gesto de amor e cuidado.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Podemos Mudar Nossa Personalidade? .
Podemos Mudar Nossa Personalidade? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Essa pergunta, se podemos mudar nossa personalidade, carrega em si um desejo antigo do sujeito: transformar aquilo que, de alguma forma, o faz sofrer. É comum pensar a personalidade como algo fixo, como um traço imutável, quase um destino. Mas na psicanálise, olhamos para o sujeito de outra maneira , não como alguém preso a estruturas rígidas, mas como alguém marcado por sua história, pelas palavras que escutou, pelas experiências que viveu, pelos significantes que o atravessaram desde cedo, muitas vezes antes mesmo de saber falar.
A personalidade, tal como a entendemos fora do discurso psicanalítico, pode ser vista como um conjunto de modos de se relacionar com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Mas o que está por trás disso? De onde vêm certas repetições? Por que, mesmo querendo tanto agir de outra forma, nos vemos retornando sempre ao mesmo lugar? É aí que entra a escuta da psicanálise: não para mudar o sujeito no sentido de adaptá-lo ao que se espera dele, mas para que ele possa se apropriar daquilo que o constitui, fazendo algo novo com isso.
Então, ao invés de perguntar se podemos mudar nossa personalidade, talvez possamos perguntar: o que, em mim, ainda não escutei? O que repito sem saber? O que desejo de verdade? A análise é esse espaço onde o sujeito pode se surpreender consigo mesmo, reencontrar pedaços esquecidos da sua história e, nesse processo, se deslocar. A transformação não vem da força de vontade, nem de fórmulas prontas, mas do ato de se implicar no que se vive.
Sim, é possível mudar, não no sentido de apagar quem se é, mas no de se apropriar disso de um modo mais livre. A mudança real, em psicanálise, não é sobre se tornar alguém diferente, mas sobre deixar de ser prisioneiro de uma imagem fixa de si. Você se escutaria nessa direção?
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Como uma pessoa imersa na preguiça de tristeza consegue ter forças pra fazer coisas básicas na vida?
Como uma pessoa imersa na preguiça de tristeza consegue ter forças pra fazer coisas básicas na vida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Essa pergunta toca uma dor profunda, a experiência de sentir o corpo pesado, a alma abafada, e o mundo como algo distante demais para se alcançar. Fala de um tipo de cansaço que não se resolve com descanso. É como se a pessoa estivesse mergulhada em uma névoa espessa, onde até o gesto mais simples parece exigir uma força que não se tem. Nesses momentos, escovar os dentes, levantar da cama, responder a alguém… tudo pode parecer demais.
Na psicanálise, escutamos essa preguiça que é mais do que preguiça. Ela pode ser o nome de uma desistência sutil, ou mesmo de um sofrimento que já não encontra palavras. A tristeza que paralisa pode estar ligada a uma perda que ainda não se pôde dizer, a uma falta que insiste, a um desejo que se calou e que, calado, faz ruído por dentro. Não é falta de caráter, nem de empenho, muito menos falta de gratidão pela vida. É sofrimento. E o sofrimento precisa ser escutado.
Na análise, abrimos espaço para que esse silêncio fale. E, quando algo do sujeito começa a se escutar, mesmo no meio da apatia, algo pode se mover. Às vezes, o que movimenta não é um motivo claro, mas uma brecha, um encontro, um gesto que nos devolve ao desejo de viver um pouco mais. Não se trata de um milagre ou de uma solução rápida, mas de um processo: o de permitir que, aos poucos, aquele que se sente mergulhado na tristeza possa recuperar o direito de desejar e, com isso, encontrar forças para existir de outro modo.
Então, a pergunta não é apenas como ter forças, mas: o que, em mim, pede por escuta antes mesmo de poder agir? E é por aí que a análise começa.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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O que são os temperamentos humanos? .
O que são os temperamentos humanos? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
A ideia de “temperamentos humanos” nos acompanha há séculos. Desde a Grécia Antiga, pensadores buscavam nomear modos de ser que pareciam se repetir entre as pessoas: uns mais expansivos, outros mais retraídos; uns movidos pela raiva, outros tomados pela melancolia. Surgiram então os quatro temperamentos clássicos: colérico, sanguíneo, melancólico e fleumático. Cada um com suas características, suas potências e entraves. Ainda hoje, essa linguagem circula, como uma tentativa de captar algo daquilo que nos escapa, aquilo que chamamos de “jeito de ser”.
Na psicanálise, porém, olhamos para isso de outro modo. O sujeito não nasce pronto. Não há um temperamento que determine quem alguém será. Somos marcados por nossa história, por nossos encontros, por aquilo que nos foi dito e também pelo que nos faltou. A maneira como nos relacionamos com o mundo, com o outro e com nós mesmos não está escrita em pedra. Ela se escreve, se risca, se reescreve ao longo da vida.
Aquilo que chamamos de temperamento pode, sim, nos dar uma pista, um traço, uma tendência. Mas a psicanálise se interessa, sobretudo, pelo que escapa à classificação. Pelo que não se encaixa tão bem nas categorias. Pelo que se repete em nós e nos faz sofrer e também pelo que, inesperadamente, pode se transformar.
Por isso, mais do que nomear “que tipo de pessoa sou”, a análise nos convida a perguntar: como me tornei quem sou? O que dessa história ainda está em aberto? Onde posso, enfim, me surpreender? Porque o que nos constitui não é só o que herdamos, mas também o que escolhemos fazer com isso. E esse gesto de escolha, de criação de si, só é possível quando começamos a nos escutar com mais profundidade.
Se, ao ler essa mensagem, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Olá , eu ultimamente sempre que estou vendo algo na tv tipo uma reportagem triste com uma pessoa ou
Olá , eu ultimamente sempre que estou vendo algo na tv tipo uma reportagem triste com uma pessoa ou emocionante eu fico com muita vontade de chorar mas seguro o choro e fica entalado na garganta mudo de canal ou se for vídeo em rede social eu tiro , isso e toda vez que vejo se passa alguém na rua com algum tipo de deficiência ou em situação triste eu tbm fico com vontade de chorar é normal ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
O que você descreve, esse choro que quer sair e você segura, essa emoção que se aninha na garganta e fica ali represada, é um gesto que diz muito, ainda que pareça silencioso. A gente costuma achar que chorar diante de uma cena triste é uma resposta comum, que faz parte da sensibilidade. E de fato é. Mas quando isso se repete com certa intensidade, com frequência, e vem acompanhado de uma urgência que você se vê obrigada a interromper, trocando de canal, desviando os olhos, algo do seu sofrimento parece estar se apresentando ali. Não como exagero, mas como um convite. Um pedido do inconsciente para ser escutado.
Na psicanálise, o que nos toca não é só o que é “triste” em si, mas aquilo que nos encontra. Algo no outro, naquela dor, naquela imagem, naquela ausência, nos religa a uma falta que é nossa. E muitas vezes, o corpo responde primeiro, antes que possamos nomear. A garganta aperta, os olhos se enchem, e o gesto de “engolir o choro” pode ser também uma forma de manter à distância o que nos atravessa de forma mais íntima do que gostaríamos de admitir.
É normal sentir? Sim. Mas a repetição dessa cena, o sentir que insiste, que retorna, que exige ser evitado, aponta para um excesso que talvez não esteja ligado só ao que se vê, mas ao que já se viveu, ao que não se pôde dizer, ao que se calou por tanto tempo. E aí está a potência da análise: oferecer um espaço onde essa emoção que você segura, esse nó que sobe à garganta, possa finalmente encontrar palavra.
A psicanálise não vem para “curar” o choro, nem para dizer o que é certo sentir ou não. Ela se propõe a escutar o que se passa por trás daquilo que parece banal, cotidiano ou até mesmo confuso. Porque ali, justamente ali, no que escapa, no que se repete, no que inquieta sem motivo aparente, há uma verdade que pulsa e que merece ser ouvida, com tempo, com delicadeza, com escuta.
Você já começou esse movimento ao se perguntar. E talvez essa seja a primeira lágrima que escapa, a que faz nascer o desejo de compreender. Que bom que você falou. Que bom que algo em você pediu por sentido. É por aí que se começa.
Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Estou casada a 3 anos e a um não venho descobrindo mentiras dele. Ele teve um relacionamento que nun
Estou casada a 3 anos e a um não venho descobrindo mentiras dele. Ele teve um relacionamento que nunca mencionou, ele mentiu sobre ter sido policial e nunca foi, ele mentiu sobre prometer não mentir mais e pego ele conversando com a moça do serviço e apagando as mensagens deixando apenas o que se trata do serviço, as brincadeiras e piadas ele apaga. Não consigo mais confiar, já pedi pra parar de mentir, já conversei, já briguei e nada resolve.
Devo insistir e talvez ele procurar ajuda ou devo ir embora?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Essa é uma pergunta que, apesar de parecer ter duas respostas possíveis, ficar ou ir embora, carrega, na verdade, uma complexidade que não pode ser reduzida a um “sim” ou “não”. Quando você diz que está casada há três anos, mas há um ano descobre mentiras, está revelando algo que se insinua lentamente: a experiência de viver ao lado de alguém que te apresenta uma realidade que, aos poucos, vai se desfazendo, se contradizendo, te deixando diante de uma sensação de confusão, de perda de chão.
A confiança, quando quebrada repetidamente, não se reconstrói apenas com palavras ou promessas. Ela se sustenta na experiência concreta de poder contar com o outro. E o que você traz é justamente a vivência de não poder contar: ele apaga mensagens, esconde, omite, distorce. Isso tem um efeito muito profundo, que vai além da indignação moral. Isso mexe com a sua relação com o saber: o que é verdadeiro? O que foi real? Até onde você pode confiar no que sente ou percebe?
A psicanálise não se propõe a dizer o que você deve fazer, se deve ir embora ou continuar. O que se propõe, na experiência analítica, é que você possa colocar em palavras o que está te ferindo, o que se repete, o que da sua história se toca nesse momento. Porque a pergunta sobre ele buscar ajuda, ou sobre você insistir, só pode ser respondida com clareza quando você conseguir se escutar. Porque a relação com o outro, principalmente numa relação amorosa, está sempre atravessada por aquilo que de nós mesmos ainda não compreendemos.
Às vezes insistimos em relações não só pelo amor, mas por uma aposta inconsciente de que, se conseguirmos fazer com que o outro mude, talvez possamos reparar algo antigo, uma dor, uma ferida, uma ausência. Isso não é um erro, é humano. Mas é justamente por isso que a análise pode ser tão importante: porque ela ajuda a distinguir o que é do outro e o que é nosso. O que nos prende por amor... e o que nos prende por repetição.
Quando você se pergunta se ele deve procurar ajuda, isso já diz muito sobre você, sobre o quanto talvez você esteja cuidando demais da transformação do outro, esperando que ele seja alguém que ainda não foi. Mas e você? Quem tem te escutado? Quem tem te ajudado a sustentar essa dor? Quem tem se interessado em saber como você está?
A análise pode ser esse lugar onde, em vez de ter que convencer alguém a mudar, você possa se escutar a ponto de encontrar uma nova forma de se posicionar uma forma que talvez ainda não esteja clara, mas que começa a se desenhar quando você é acolhida sem pressa, sem julgamento, sem precisar ter a resposta certa.
O sofrimento que você traz é legítimo. E talvez não exista ainda uma decisão tomada, mas a possibilidade de falar disso já é um passo importante. Nem sempre precisamos saber o que fazer de imediato. Às vezes, precisamos apenas de um espaço onde seja possível dizer: “isso está doendo e eu não sei mais o que fazer com isso”. E é a partir daí que, aos poucos, algo novo pode surgir.
Se desejar, posso caminhar com você nesse processo.
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Meu pai faleceu a 2 anos e eu cuidei dele no período que ele estava doente. Eu levei ele pra tomar u
Meu pai faleceu a 2 anos e eu cuidei dele no período que ele estava doente. Eu levei ele pra tomar uma medicação no hospital e o médico enternou ele, tentei tira- logo de lá pra levá-lo para um hospital melhor, mas por não ter um diagnóstico fechado os médicos não deixaram. Depois de algum tempo transferiram ele, mas o estado dele já era crítico e veio a falecer. Ao receber a notícia fiquei sem reação e não chorei, ajeitei tudo na funerária, escolhi o caixão e parecia que eu tava dopada, mas não tomei nenhuma medicação. Hoje quase 2 anos estou sentindo ansiedade e vende chorar, passo o.dia deitada e sem ânimo pra nada, sinto como se eu estivesse no dia do velório dopada e vontade de chorar. Não consigo ir trabalhar angustiada e meu corpo trêmula, não gosto de conversar com ninguém, pois tenho medo de chorar e as pessoas me perguntarem e não saber responder. Preciso de ajuda, pois não sei mais o que fazer.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
O modo como você compartilha sua experiência já é, por si só, um gesto de muita coragem. Dizer o que dói, ainda que entre palavras hesitantes, que quase pedem desculpas por existir, é o início de um caminho que não precisa mais ser percorrido sozinha.
Na psicanálise, não buscamos “corrigir” sentimentos ou devolver alguém a uma suposta normalidade. O que nos move é escutar o sujeito que sofre, não o sintoma isolado, mas a história que se enlaça nele, o trajeto singular que cada dor percorre até se alojar no corpo, na angústia, no cansaço, no silêncio. Quando você diz que no dia da morte do seu pai sentiu-se como se estivesse dopada, sem ter tomado nada, isso nos fala de um choque psíquico. Algo ali foi tão intenso, tão insuportável, que sua forma de lidar foi se desligar, como um modo de suportar o insuportável.
Mas o que o corpo adormece, o inconsciente recorda. O tempo passa, o mundo segue, mas há algo que ficou parado naquele dia, como se parte de você ainda estivesse lá, no velório, tentando compreender o que houve, tentando nomear o que não pôde ser dito. E agora, quase dois anos depois, essa dor retorna, não como uma lembrança clara, mas como um peso no corpo, como lágrimas que ameaçam cair sem que você saiba exatamente por quê, como uma angústia que parece não caber em lugar algum.
Na análise, não se trata de dar respostas prontas, mas de permitir que cada sujeito possa escutar a si mesmo de um jeito novo, com menos julgamento e mais verdade. O que você sente, esse choro represado, esse medo de ser vista, essa vontade de sumir, não é fraqueza, nem desequilíbrio. É um modo de o seu inconsciente dizer: "ainda há algo aqui que precisa ser cuidado". Porque o luto não tem um tempo definido, não se cura com distrações, e muito menos com pressa. Cada um inventa um modo de lidar com a perda, e às vezes esse modo, que num primeiro momento foi necessário, se transforma depois em um obstáculo para seguir vivendo.
Você diz que precisa de ajuda e isso é profundamente importante. Não para apagar o que aconteceu, mas para permitir que, pouco a pouco, o que hoje sufoca possa se transformar em palavra. A análise é esse espaço em que você poderá, sem medo e sem pressa, contar da sua dor, do seu pai, da culpa que talvez sussurre, do amor que talvez tenha ficado sem endereço, da ausência que não se desfaz, mas pode, sim, encontrar um lugar menos doloroso dentro de você.
Você não precisa saber explicar. Não precisa ter forças agora. Basta que algo em você deseje ser escutado. A partir disso, podemos começar. Quando estiver pronta, estarei aqui.
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É normal eu me sentir triste na maioria do tempo? , em momentos legais fico feliz, mas logo no outro
É normal eu me sentir triste na maioria do tempo? , em momentos legais fico feliz, mas logo no outro dia a tristeza volta.
Passo a maior parte do tempo neutra e não consigo achar um modo de me sentir mais alegre no dia a dia, já vi muitas brigas dentro da minha própria casa e isso me persegue até hoje.
(Isso vem me atormentando, porque imagino meu futuro sendo algo ruim)RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
É compreensível que você se questione sobre o que sente, especialmente quando percebe à sua volta tantas pessoas “fazendo algo”, como se o movimento do mundo cobrasse de você uma resposta ativa, uma disposição, uma alegria constante. Essa tristeza que retorna, mesmo após momentos bons, essa sensação de neutralidade e a dificuldade de sentir alegria com frequência... tudo isso parece apontar para algo que está tentando se expressar em você — não como um defeito, mas como um pedido silencioso do seu inconsciente para ser escutado.
Na psicanálise, especialmente sob a ótica lacaniana, não nos interessamos em enquadrar o sujeito em diagnósticos apressados ou em forçá-lo a "funcionar melhor". O que nos importa é escutar, profundamente e sem julgamento, aquilo que se repete, aquilo que insiste, aquilo que dói. A tristeza que volta, a neutralidade que domina o dia, as brigas do passado que ainda vivem em você... tudo isso tem algo a dizer. Não são apenas sintomas a serem calados, mas formas de expressão de algo que não encontrou ainda palavras para se dizer.
Talvez o que mais nos adoeça, muitas vezes, não seja o sofrimento em si, mas o sentimento de estar sozinhos diante dele. A análise oferece justamente esse lugar: o de um encontro onde o que se repete em você pode finalmente ser ouvido, sem pressa de desaparecer, mas com o desejo de encontrar sentido. Não um sentido universal, pronto, mas o seu, aquele que pode começar a surgir na medida em que você vai falando, nomeando, se implicando na própria história, inclusive nos traumas e marcas que ficaram das experiências vividas.
Você menciona as brigas em casa e como isso te persegue até hoje. Isso já é muito. Significa que algo em você percebe que ali houve algo demais, algo que não pôde ser digerido, algo que te ultrapassou. E quando isso não é elaborado, tende a retornar, seja como tristeza, como sensação de paralisia ou como uma visão pessimista do futuro. O futuro, na verdade, muitas vezes é apenas o passado repetido de forma silenciosa, sem que possamos perceber. A análise permite, pouco a pouco, que esse ciclo seja quebrado, não pela promessa de uma felicidade constante, mas pela possibilidade de viver com mais verdade, mais leveza e mais autoria.
Se você sente que algo te acompanha e te limita, talvez seja hora de não tentar se livrar disso sozinha. Não é sinal de fraqueza buscar ajuda, pelo contrário: é um gesto de coragem. Porque implica olhar para si, escutar o que dói e, principalmente, sustentar o desejo de se colocar no mundo de outra forma mais conectada com o que verdadeiramente importa para você.
Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado. Estou aqui para construir, junto contigo, essa caminhada!
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Boa tarde! Tenho 52 anos e tenho observado meu comportamento.Quando estou em casa, só deito se tiver
Boa tarde! Tenho 52 anos e tenho observado meu comportamento.Quando estou em casa, só deito se tiver um pano me cobrindo(uma parte do corpo), me sinto mais segura e confortável.Tenho dificuldade com textura, so consigo vestir roupa de algodão,malha de algodao tbm, tecido sintetico me incomoda.Isso é normal?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Primeiramente, quero te agradecer pela confiança em trazer essas observações tão singulares sobre seu corpo e seu modo de estar no mundo. É muito importante e potente que você esteja se escutando e se observando assim.
O que você descreve como a necessidade de sentir um pano sobre parte do corpo para conseguir deitar com mais segurança, o incômodo com determinados tecidos e a preferência por algodão, são manifestações que tocam uma dimensão muito sensível da nossa existência: a relação entre o corpo, o afeto e o que chamamos, em psicanálise, de experiência do "envelope corporal".
O corpo, para nós, não é apenas biológico. O corpo é também afetado pela história, pelos encontros, pela linguagem. Desde os primeiros tempos da vida, nossa pele é um dos primeiros lugares onde se inscreve a marca do outro, do cuidado, do toque, da presença. O modo como fomos amparados, como fomos tocados (ou não), como sentimos o ambiente em que crescemos, tudo isso pode permanecer, de maneiras muito sutis ou muito intensas, nas sensações que carregamos até a vida adulta.
Quando você percebe que um tecido sintético incomoda, que o algodão conforta, que precisa de algo tocando seu corpo para se sentir segura, não se trata de algo "normal" ou "anormal". Em psicanálise, não lidamos com essas categorias. O que importa para nós é a singularidade: o que, na sua história, se expressa hoje por meio dessas escolhas do sensível. Cada pessoa inventa, de maneira muito própria, formas de se sentir viva, segura, em contato consigo mesma e com o mundo.
Essa é justamente uma das grandes importâncias do processo de análise: construir um espaço onde essas manifestações possam ganhar voz, serem ouvidas sem julgamento, e se desdobrar em sentido. Às vezes, algo que hoje aparece como uma necessidade corporal, carrega ecos muito antigos, de momentos de desamparo, de busca por proteção, de tentativas muito criativas do nosso psiquismo de se sustentar.
O corpo fala. E fala não apenas com palavras, mas com gestos, com preferências, com recusas, com texturas. A análise é o espaço onde vamos aos poucos traduzindo essas linguagens tão íntimas. Não para "corrigir" o que sentimos, mas para dar lugar ao que precisa ser reconhecido, para que nossa existência possa se tornar um pouco mais leve, um pouco mais nossa.
Se em algum momento você desejar seguir explorando essas descobertas, saiba que a psicanálise pode te oferecer esse espaço de acolhimento e escuta, onde cada detalhe do que você sente é precioso, é respeitado, e é parte da construção da sua própria história de ser. E estou aqui, se desejar conversar mais sobre...
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É normal ficar hiperfocado numa área de interesse, por cerca de 6 meses, a ponto de ficar eufórico e
É normal ficar hiperfocado numa área de interesse, por cerca de 6 meses, a ponto de ficar eufórico e ansioso?
Consigo trabalhar, mas meu sono fica desregulado, o coração fica acelerado, fico sem energia p mais nada, além do foco. Na maioria das vezes o foco é numa pessoa, num artista, numa preocupação ou num hobbie. Tenho 40 anos e notei q tive diversos períodos meio obsessivos. Mas só tenho laudo de TAG.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
É curioso como certas experiências insistem em retornar, quase como se pedissem para serem ouvidas de outro modo. Você descreve esses períodos em que algo, uma pessoa, um artista, uma ideia, um hobby, toma uma dimensão imensa dentro de você. Vem o foco extremo, quase uma euforia, mas também a ansiedade, o sono que escapa, o coração que dispara, a energia que se canaliza toda para aquilo… enquanto o resto da vida parece se apagar um pouco, esvaziar-se.
Não é incomum que algo assim aconteça. O que a psicanálise se propõe a escutar, porém, não é se isso é ou não “normal”, mas o que isso diz de você. O que, em você, se repete? O que se revela por meio dessa intensidade? Há algo nesses momentos que parece capturar você inteira, como se uma parte sua se agarrasse àquilo com uma força imensa. Talvez para não afundar. Talvez para não sentir um outro vazio.
O diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada pode nomear parte da experiência, mas a análise caminha por outra via: a de abrir espaço para que você escute o que está por trás desse modo de se envolver com as coisas. Porque esses movimentos, que parecem tão intensos e até produtivos num primeiro momento, muitas vezes escondem um sofrimento mais sutil uma tentativa de preencher algo que falta, de dar conta de uma angústia que não encontra palavras.
A psicanálise não vem para te dizer o que fazer com isso. Ela oferece algo mais raro: um lugar onde você pode falar, sem pressa, sem a obrigação de se explicar ou se ajustar. E nesse movimento de falar, de escutar-se, de se surpreender com o que emerge, algo pode começar a mudar. Não por esforço ou autocontrole, mas porque algo do enigma se desfaz.
Você já percebeu como esses períodos vêm e vão ao longo da vida… Mas o que eles querem te contar? O que em você está pedindo para ser reconhecido, escutado, cuidado e não apenas controlado? Esse é o tipo de pergunta que só se sustenta quando há um espaço de escuta comprometido com a sua singularidade. Talvez seja hora de criar esse espaço.
Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado. Se quiser, me escreva. Vamos conversar.
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realmente não sei ate onde consigo ser forte sempre, já vinha de conturbações no ambiente do trabalh
realmente não sei ate onde consigo ser forte sempre, já vinha de conturbações no ambiente do trabalho, logo fiquei gravida e isso piorou muito, mas a gestação tinha me obrigado passar com psicólogo e psiquiatra e com isso perceber que meu ambiente de trabalho me adoecia a cada dia, logo após tive uma cesárea de emergência e tive meu filho na uti, ate que nesta véspera de natal descobri que meu filho era um caso paliativo e que possuía uma síndrome incompatível com a vida, pouco tempo meu filho faleceu e no mesmo mês me descobri gravida foi difícil e intenso passar por aquilo tão rápido, mas logo veio a bomba estava gravida, porem não possuía feto
Por fim agora estou tendo problema de saúde física após curetagem.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Não é simples encontrar palavras diante de uma travessia como a sua e, talvez, seja justamente aí que a psicanálise começa: onde as palavras faltam, onde a vida ultrapassa o que se consegue simbolizar de imediato, onde o corpo fala por aquilo que não pôde ser dito. O que você traz é de uma intensidade e de uma dor que não se organizam em linha reta; elas vêm em camadas, sobrepostas, confundidas entre o que o corpo sente, o que o coração tenta suportar e o que o pensamento tenta acompanhar, muitas vezes em silêncio.
Viver um ambiente de trabalho adoecedor, ser atravessada por uma gestação já marcada pelo sofrimento, pela angústia da emergência, pelo medo real de perder... e, de fato, perder. Perder um filho. Receber, na véspera de um tempo que costuma ser símbolo de nascimento e esperança, a notícia de uma finitude precoce. E, logo em seguida, encarar uma nova gravidez que, por sua vez, não chega a ser gestação de vida, mas se torna mais uma ferida, agora também no corpo, deixando rastros físicos que falam daquilo que a psique ainda mal consegue elaborar.
É demais. E você sabe disso, não porque alguém precise te dizer, mas porque seu corpo já grita. A força que você menciona, essa necessidade de “ser forte sempre”, pode ter se tornado, ao longo do tempo, um modo de sobreviver. Mas a que custo? Há momentos em que sustentar essa ideia de força, sem escuta, pode nos afastar ainda mais de nós mesmas.
Na psicanálise, a escuta se volta exatamente para esse ponto onde a dor não cabe mais dentro da gente, não para interpretá-la com pressa, nem para dar respostas apressadas, mas para sustentar, junto com você, o indizível. Para dar um lugar ao luto que o mundo não sabe nomear. Para reconhecer que o que adoece não está só em você, mas nos atravessamentos da vida, nas expectativas sociais, nas violências sutis que se somam, nos silêncios que se impõem.
A análise pode ser esse espaço onde a fala encontra respiro. Onde o trauma, pouco a pouco, ganha contorno. Onde aquilo que parece insuportável pode, com o tempo e o cuidado, se transformar em algo que se conta, ainda que doído, mas já não tão solitário.
Você passou por muito. E está passando ainda. Talvez não precise mais carregar tudo sozinha. Já pensou em oferecer a si mesma um lugar onde possa simplesmente falar, sem precisar ser forte, sem precisar dar conta de tudo?
Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado. Se desejar, sinta-se a vontade de me escrever. Estou aqui, para construir contigo esse espaço de acolhimento e cuidado para a tua história.
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Perdi meu esposo a 3 meses voltei para meu estado de onde éramos já fazia 14 anos que tínhamos saído
Perdi meu esposo a 3 meses voltei para meu estado de onde éramos já fazia 14 anos que tínhamos saído do nosso estado mais quando ele faleceu fiquei sozinha com nossos dois filhos quando fez um mês da morte do meu esposo vim embora mais hoje parece que tomei a decisão errada e ao mesmo tempo parece que seria o melhor para nós ficarmos perto da família mais tá muito difícil eu lida com tudo isso a perda do meu esposo nova casa no estado novo mesmo que seja o estado onde eu e meu esposo somos onde está toda nossa família mãe sogra tá muito difícil não tô sabendo lidar a vontade de volta para onde morávamos meu filhos tbm estão sofrendo com a mudança a adaptação tá tudo tão confuso
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
O luto, quando chega, não avisa como vai ser. Ele não segue uma lógica, não respeita calendário, não se submete a prazos. A morte de alguém tão próximo, tão estruturante na nossa vida como um companheiro, um parceiro de tantos anos, nos desorganiza por dentro. Tudo se embaralha, os sentimentos, os pensamentos, as decisões. E é compreensível que, nesse turbilhão, mover-se pareça, ao mesmo tempo, uma tentativa de seguir e uma nova forma de perda.
Você voltou para o estado de origem, para perto da família, buscando talvez um abrigo, algum chão que pudesse dar sustentação num momento em que tudo parecia ruir. E isso é legítimo. Mas mesmo escolhas que parecem sensatas e acolhedoras podem nos trazer sentimentos ambíguos. Porque não é só o lugar que muda: muda o tempo, muda o modo como nos sentimos nele, muda a ausência que agora ocupa tudo.
Estar num lugar que tem a memória de um antes, o estado onde vocês nasceram, onde têm raízes, pode, por vezes, fazer doer ainda mais. Pode acionar lembranças, contrastes, silêncios. E ao mesmo tempo, talvez, você se questione: e se tivesse ficado onde estavam, no cotidiano construído a dois? Essas dúvidas não são sinal de erro. São tentativas da sua psique de encontrar algum contorno para o vazio que ficou.
Seus filhos também estão vivendo esse luto, cada um à sua maneira. E a adaptação a um novo lugar, ainda que familiar em origem, é uma travessia. Não é só geográfica, é emocional, simbólica, relacional. O que antes fazia sentido agora se fragmenta. E você, como mãe, mulher, viúva, está tentando dar conta de tudo isso.
Na psicanálise, não buscamos resolver isso com fórmulas prontas, porque a dor não se trata com pressa nem com resposta certa. O que oferecemos é um espaço para que essa dor possa ser dita, aos poucos, com suas próprias palavras. Para que esse emaranhado de sentimentos, culpas, dúvidas e lembranças comece a ganhar voz. Para que você possa falar, e ser escutada, sem ter que ser forte o tempo todo, sem ter que saber o que fazer o tempo todo.
A análise pode ser esse lugar onde o luto encontra linguagem. Onde o sofrimento não precisa ser silenciado ou racionalizado, mas pode ser olhado, sustentado, respeitado. E, aos poucos, você pode encontrar um caminho que não será o de “voltar a ser quem era”, porque isso já não é possível, mas o de seguir sendo quem você está se tornando, a partir de tudo o que viveu e perdeu.
Se você sente que há algo dentro de você que precisa ser dito e ainda não encontrou lugar, talvez seja tempo de se escutar com mais cuidado. A análise pode te acompanhar nessa travessia. Quando desejar, estarei por aqui.
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Se o local onde eu moro já me desgastou e me cansou muito emocionalmente e mentalmente, mudar de end
Se o local onde eu moro já me desgastou e me cansou muito emocionalmente e mentalmente, mudar de endereço seria a melhor saída?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá,
Essa é uma pergunta delicada e, ao mesmo tempo, muito importante. Quando um lugar nos esgota emocional e mentalmente, é natural que a ideia da mudança surja como uma possibilidade de alívio, uma espécie de respiro, uma tentativa de recomeçar em outro cenário, com outros ares. E, de fato, há situações em que a mudança de ambiente pode favorecer certa reorganização psíquica, há algo de real no impacto que os espaços exercem sobre nós. Mas, na psicanálise, aprendemos que é preciso escutar mais profundamente o que está em jogo nesse cansaço.
A análise convida a deslocar a pergunta de “devo sair daqui?” para algo como “o que é que me esgota aqui?”. É um movimento sutil, mas radical. Porque muitas vezes o que se repete em um lugar, o mal-estar, os impasses, os conflitos, pode continuar a se repetir, mesmo em um novo endereço, se não for escutado, nomeado, elaborado. Isso não quer dizer que mudar seja proibido ou inútil, mas que talvez a mudança, por si só, não baste se ela não for acompanhada por um processo de escuta de si.
Na psicanálise, não há respostas prontas nem receitas. Há um trabalho, artesanal, de construção de sentido. O que aquele lugar encarna para você? Que lembranças, afetos, repetições ele convoca? Que partes suas se ativam ali e por quê? Essas são perguntas que uma análise pode ajudar a formular e a sustentar. Porque às vezes o que dói não é só o lugar, mas o que nele se repete de nós mesmos.
Então, mudar pode sim ser uma saída. Mas, antes disso, talvez seja importante permitir-se entrar, entrar em análise, entrar em contato com essas camadas que o cotidiano tende a silenciar. O sintoma, esse desgaste que se sente, é uma espécie de mensagem cifrada. E escutá-lo é o primeiro passo para que algo realmente novo, e não apenas geograficamente novo, possa surgir.
Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.
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Perguntas frequentes
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Quem é vegetariano pode consumir alimentos que contém lactobacilos?
O tipo Ovolactovegetariano não come carne, mas consome leite, ovos e derivados.…