Perguntas do paciente (197)

  • Olá. Namoro um homem tem 6 meses ele tem 53 anos e separado a um ano. Foi casado 10 anos e teve vári

    Olá. Namoro um homem tem 6 meses ele tem 53 anos e separado a um ano. Foi casado 10 anos e teve várias voltas e términos com essa. Tem dois filhos de 8 e 5 anos. Ele sai sempre comigo, escreve todos os dias. Me apresentou para filhos e amigos. Mas faz algumas coisas que acho estranhas. Não pergunta se cheguei bem quando volto p casa. Eu não quero cobrar isso pois isso nao se cobra. Começo a ficar confusa se ele gosta ou está comigo para fazer ciúmes para ex pois ela está namorando. Qdo ele contou que já voltou com ela várias vezes, fiquei insegura. Ele disse que esta certo sobre o término. Devo terminar pois já fiquei com um rapaz assim e terminei.
    Sou solteira e sem filhos. Ja falei dessa duvida c ele e ele disse que não tem essa dúvida. Mas me sinto insegura . Acho que ficar falando disso fica pesado e não passa segurança. Nao quero cobrar coisas naturais. Um dia ele disse que queria afogar as magoas... eu já fico insegura.Devo terminar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    A sua pergunta vem carregada de algo que é mais do que dúvida: há nela um eco de algo que retorna, que já se viveu antes e que parece estar se repetindo, não exatamente igual, mas semelhante o bastante para inquietar. Você se pergunta se deve terminar, mas antes disso já trouxe à tona outras camadas: o estranhamento, a insegurança, a sensação de que talvez esteja ocupando um lugar que não é só seu na vida dele, ou que não está bem nomeado.

    Na psicanálise, não respondemos diretamente com um “sim” ou “não” diante de perguntas como essa — não porque não queiramos ajudar, mas porque percebemos que o desejo de cada sujeito se tece de forma muito singular. O que está em jogo não é apenas este relacionamento, mas tudo aquilo que ele reativa em você. Suas marcas anteriores, suas experiências, o modo como você se vê e se posiciona diante do amor, da espera, da ausência de gestos que, para você, seriam naturais. Isso é legítimo! O que é pequeno para o outro, pode ser fundamental para você.

    Você diz que não quer cobrar. E ao mesmo tempo sente que algo falta. O que há aí é um conflito entre não querer parecer “exigente” e, ainda assim, perceber que a ausência de certos gestos, como perguntar se chegou bem, afeta. Talvez porque, para você, esses pequenos sinais sejam maneiras de ser cuidada, lembrada, incluída. A psicanálise ajuda justamente a escutar essas pequenas dores que se tornam grandes porque tocam em algo mais profundo: a necessidade de pertencimento, o medo de ser preterida, ou de repetir um enredo onde se é substituída, como num triângulo silencioso.

    O que você sente, essa insegurança, esse desconforto, não deve ser desautorizado. Não é fraqueza. É um saber do seu corpo, da sua história, algo que tenta se fazer ouvir. E não precisa ser sufocado em nome de manter uma imagem de força ou independência. O ponto talvez não seja terminar ou insistir, mas parar para escutar de onde vem esse sentimento, o que ele te lembra, o que ele te diz sobre você. O que se repete aí?

    A análise é justamente o lugar onde esse tipo de escuta pode se dar. Um espaço onde o que parece ser apenas um incômodo atual se revela como parte de uma trama maior, que te constitui. Falar disso com alguém que não está implicado diretamente, que não irá julgar ou sugerir saídas prontas, pode ser um modo de se encontrar com algo mais profundo: o seu desejo. Não o do outro, não o que esperam de você, mas o seu.

    Talvez a pergunta não seja apenas se deve ou não terminar, mas: o que, em você, está sendo tocado por essa relação? O que te dói quando ele não pergunta se você chegou bem? O que te inquieta no fato dele ter voltado com a ex tantas vezes? O que, nesse vínculo, parece te deixar suspensa entre a presença e a ausência?

    Há algo aí que merece ser escutado com delicadeza. E se isso te ressoa, a análise pode ser um caminho. Para sair da repetição, é preciso primeiro reconhecer que ela existe e isso, você já começou a fazer.

    Quando desejar, estou aqui, para que possamos conversar mais e construir contigo esse espaço de cuidado e acolhimento para sua história.


  • Gostaria de saber qual especialidade da psicologia devo procurar em caso de trauma de uma suposta traição?

    Gostaria de saber qual especialidade da psicologia devo procurar em caso de trauma de uma suposta traição?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Você trouxe uma questão que toca uma experiência profundamente humana e, ao mesmo tempo, bastante complexa. O trauma relacionado a uma suposta traição não é simplesmente um evento isolado; ele muitas vezes reverbera em camadas mais profundas de nossas subjetividades. O que um dia parecia sólido e seguro (o laço afetivo, a confiança, a segurança emocional) pode ser abalado, não apenas pela ruptura desse laço, mas pelas questões que ele traz à tona: inseguranças, medos, dúvidas sobre a própria percepção e sobre a verdade.

    Quando falamos em trauma, especialmente em um contexto de traição, precisamos considerar que o impacto emocional não é apenas uma questão de dor ou de frustração com o outro. É um encontro com algo que toca na essência da nossa confiança no outro, mas também, e talvez mais profundamente, com a nossa relação conosco mesmos. Muitas vezes, o que nos machuca em uma traição é o modo como ela se inscreve no nosso próprio imaginário, tocando em feridas de abandono, de não ser digno de amor ou, ainda, de algo mais antigo e difícil de identificar.

    A psicanálise, nesse sentido, oferece uma abordagem que não se limita a “curar” o que dói ou restabelecer um equilíbrio emocional. A psicanálise convida a escutar o que o trauma revela sobre nós, o que ele desvela de algo que já estava presente, mas que não sabíamos como nomear. O trauma da traição, portanto, não seria tratado apenas como uma ocorrência isolada, mas como uma ponta de um iceberg, onde a análise permite que se desvelem as camadas mais profundas que esse acontecimento toca as expectativas, os fantasmas do passado, os medos e os desejos não vividos.

    A especialidade que você procura não se refere tanto a uma abordagem técnica específica, mas ao espaço de escuta que permite que você se aproxime da sua própria história de uma maneira mais reflexiva e menos reativa. Um profissional psicanalista estará interessado em escutar sua dor e ajudá-lo a entender as histórias que você conta sobre o outro e sobre si mesmo. O objetivo não é “resolver” o problema de forma simples, mas permitir que você se aproprie da sua dor, o que pode, paradoxalmente, levá-lo a um lugar de maior liberdade emocional e compreensão.

    Se você sente que esse impacto está interferindo em sua vida de maneira significativa, esse é um sinal de que é o momento de buscar a análise. Não se trata de esquecer o que aconteceu, mas de compreender o que a dor da traição faz com você, como ela ressoa nas suas relações, e o que, no fundo, ela revela sobre os seus próprios limites e desejos. O processo analítico é justamente esse: ouvir o inconsciente, acompanhar os efeitos do sofrimento e, a partir desse entendimento, criar novas formas de se relacionar com o que foi perdido.

    Em última instância, não se trata apenas de curar uma dor, mas de entender o que ela traz à tona e como, a partir dessa compreensão, você pode se reconstruir de forma mais íntegra e livre.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.


  • Olá! Gostaria de um conselho, tenho bastante dificuldade em conversar com as pessoas, não consigo fa

    Olá! Gostaria de um conselho, tenho bastante dificuldade em conversar com as pessoas, não consigo fazer amizades, isso tem me atrapalhado muito, principalmente em meus estudos, não consigo me aproximar de ninguém da sala, e nos trabalhos em grupo eu sempre fico de lado, sempre tenho problemas quando tenho que apresentar algum trabalho. Gostaria de saber o que posso fazer pra mudar essa situação,isso me entristece muito.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    A sua pergunta já é, por si só, um gesto de abertura. E talvez você não imagine o quanto isso importa, conseguir colocar em palavras algo que te machuca, que isola, que te entristece. Não é pouco. Nomear o que está doendo é o primeiro passo, ainda que a gente não saiba muito bem o que fazer com isso logo de início.

    Você fala sobre uma dificuldade em conversar, em se aproximar, em criar vínculos. E o efeito disso é uma espécie de apagamento, uma sensação de estar à margem, como se algo em você fosse “de menos” para estar entre os outros, como se houvesse uma distância que você não escolheu, mas que insiste em se manter. E aí está o ponto: quando isso se repete, quando se torna parte da cena, da rotina, é porque algo está aí há mais tempo do que parece.

    Na escuta psicanalítica, a gente não procura consertar você. Não se trata de buscar uma fórmula para “ser mais sociável” ou “se dar melhor em grupo”. O que se propõe é uma escuta que leve a sério essa dificuldade e não como um defeito, mas como um enigma. Algo que faz parte da sua história, do modo como você aprendeu a se relacionar, a se proteger, a existir.

    Muitas vezes, o silêncio que você vive com os outros é um eco de silêncios antigos. Situações onde talvez falar não adiantava, ou se fazia perigoso, ou mesmo inútil. Situações onde estar com o outro significava abrir mão demais de si. E o corpo aprende, aprende a se calar, a se recolher, a se proteger. Mas o corpo que aprende a se esconder, também pode, aos poucos, aprender outra coisa. Pode se experimentar de outro modo. E isso acontece quando há um lugar onde ele possa ser escutado sem pressa, sem julgamento, sem exigência.

    A análise é esse lugar. Não de correção, mas de construção. Um espaço onde o que você vive pode ganhar uma narrativa, onde sua tristeza pode ser escutada sem virar diagnóstico. Onde o que hoje aparece como retraimento pode, pouco a pouco, ser lido como um modo de tentar estar no mundo e, quem sabe, reinventado.

    Talvez você não precise mudar quem é. Mas talvez, sim, precise de um lugar onde possa existir inteiro, com suas pausas, suas dúvidas, seus silêncios e descobrir, a partir daí, que há outros modos de se conectar, mais fiéis ao que você é.

    Isso não se faz de uma vez. Mas pode começar na escuta. E você já começou, quando decidiu perguntar.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado


  • O que fazer quando a culpa vem de mãos dadas com o luto? Minha vó faleceu ontem a tarde depois de lu

    O que fazer quando a culpa vem de mãos dadas com o luto? Minha vó faleceu ontem a tarde depois de lutar quase 3 meses contra um câncer. Não consigo superar, sei que ela agora descansa mas sinto que não passei tempo com ela porque estava muito mais ocupada mofando em meu quarto para tirar 15 minutos do meu dia para ir visitar ela quando ela ainda estava bem, eu tinha tantas coisas para falar para ela, eu prometi que, quando ela melhorasse, iria ir morar junto de mim e os meus pais, que eu a levaria na igreja como ela tanto queria, que faria um café do bom pra ela... Não vou poder mais ver ela, falar com ela, abraçar ela, falar o quanto eu a amava e cumprir as minhas promessas... Sinto como se meu coração estivesse se despedaçando e não tem nada que diminua a minha dor. O pior de tudo é que eu tive que ouvir do meu irmão e da minha mãe que agora eu estava chorando mas, quando ela estava viva, eu não me importava e isso só ajudou a me corroer por dentro.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    É preciso muita delicadeza para se aproximar da dor de alguém que está em luto. Principalmente quando esse luto vem atravessado por uma culpa que ecoa como uma sentença interna. A dor da perda já é, por si só, intensa. Mas quando se mistura à sensação de não ter feito o suficiente, de ter deixado algo por dizer, ela se torna ainda mais difícil de suportar. Você está vivendo agora não apenas a ausência da sua avó, mas também um confronto com promessas que não puderam ser cumpridas, desejos que ficaram suspensos, e com palavras que, talvez, nunca tenham sido ditas.

    Na psicanálise, o luto é um processo singular, nunca igual ao de outra pessoa. Cada um encontra seus próprios caminhos, ou tropeça neles, tentando lidar com a ausência. Mas quando a culpa se instala, ela frequentemente impede esse luto de acontecer plenamente. Como se, em vez de elaborar a perda, a mente ficasse presa numa espécie de circuito repetitivo: “e se eu tivesse...”, “por que eu não fui?”, “eu deveria ter feito diferente”. Esse circuito, por mais doloroso que seja, pode estar também tentando dar algum sentido àquilo que não tem resposta: a morte.

    É comum que, diante de uma perda, sejamos atravessados por sentimentos contraditórios. Há o amor, há a saudade, mas há também o arrependimento, a raiva, a impotência. E é importante poder acolher tudo isso, sem julgamentos. A análise, nesse sentido, não vem para dizer o que está certo ou errado em você. Ela oferece um espaço em que é possível escutar essas dores, todas elas, e tentar compreender de onde vêm, o que elas tocam, que histórias mais antigas talvez estejam sendo despertadas por essa perda.

    O luto, por vezes, é também um reencontro com aquilo que não sabíamos que estava em nós. Ele nos leva a olhar para o tempo que passou, para quem fomos, para o que não fizemos, e para os desejos que ficaram por realizar. Mas não como forma de punição, e sim como possibilidade de reelaborar a nossa história com quem partiu. Porque, mesmo depois da morte, a relação não desaparece, ela muda de forma. É possível, no tempo de cada um, encontrar um modo de continuar falando com esse outro que partiu, de manter viva a sua presença simbólica, de sustentar algo do vínculo, mesmo sem o corpo presente.

    Você está sentindo muito agora, e com razão. Mas talvez, aos poucos, com o tempo e com o cuidado, possa descobrir que a dor não precisa calar o amor que existiu. Que você pode ainda encontrar um modo de homenagear a sua avó, não apenas com as promessas que não foram cumpridas, mas com a maneira como irá lembrar dela, falar dela, fazer um café pensando nela.

    E, se isso tocar algo muito fundo, se parecer difícil demais de atravessar sozinho, a análise pode ser uma travessia possível. Um lugar em que se pode falar do que dói, sem pressa, sem vergonha, sem precisar se defender. Porque, às vezes, é só quando alguém nos escuta com real presença que conseguimos, enfim, nos escutar também.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.


  • Sou homem gay, 33 anos. Na infância tive ausência paterna. Os relacionamentos que tive até agora for

    Sou homem gay, 33 anos. Na infância tive ausência paterna. Os relacionamentos que tive até agora foram falidos, eu sempre queria mais, gostava mais, que acabava sufocando. Hoje, conheci um rapaz que é extremamente atencioso, carinhoso, amoroso, namoramos há quase 2 anos. Mas sinto que o sentimento mudou. Parece que me ausaboto, e não sou digno de receber esse "amor".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    É muito importante você colocar isso em palavras. Não é simples, e talvez nem confortável, nomear essa sensação de que algo está fora do lugar, especialmente quando, em teoria, tudo parece estar indo bem. Você está em um relacionamento que tem carinho, atenção, cuidado que são elementos tão desejados, muitas vezes tão difíceis de encontrar. E mesmo assim, algo se movimenta por dentro, como se fosse impossível simplesmente receber e sustentar esse amor.

    Na escuta psicanalítica, a gente não parte de uma ideia de certo ou errado sobre como alguém ama ou deveria amar. O que interessa é aquilo que se repete, o que escapa da intenção, o que insiste mesmo quando não se quer. Você traz um ponto muito tocante: a sensação de que não é digno. Isso não vem de agora, nem desse relacionamento. Vem de antes, de muito antes.

    A ausência paterna que você viveu na infância não é apenas a falta de um pai físico. É, muitas vezes, a ausência de um olhar estruturante, de uma presença simbólica que, mesmo na diferença, possa confirmar que você pode desejar, pode ser desejado, pode ocupar um lugar no mundo com alguma confiança. Quando esse olhar falta, a criança, e depois o adulto, pode viver a sensação de que é “demais” quando ama, ou de que é “de menos” para ser amado. E esse movimento de “sufocar” no início, e depois se “desabotoar” com o tempo, pode ser uma tentativa inconsciente de resolver essa equação antiga que nunca teve resposta.

    A psicanálise não vai te oferecer fórmulas nem conselhos prontos. Mas pode te oferecer algo raro: um espaço onde a sua fala, a sua história, a sua dor e seu desejo podem ter tempo. Tempo de escuta, de elaboração. Um espaço onde não se trata de fazer o sentimento voltar, mas de entender o que está em jogo quando ele parece se retirar. Onde se pode investigar, com seriedade e afeto, por que o amor, quando vem, às vezes dói mais do que a ausência dele.

    Porque talvez seja preciso escutar de onde vem essa crença de que não se é digno. E ao escutar, começar a desmontar o que foi herdado, introjetado, imposto e encontrar ali, entre os escombros, algo de seu, algo que possa desejar sem medo de perder, sem culpa por receber.

    Esse é o trabalho da análise: abrir um espaço para que a vida, tal como é vivida, possa ser olhada de perto, sem julgamento. Com coragem. Com escuta. Com o desejo, talvez, de fazer diferente, não porque é preciso mudar, mas porque se pode desejar outra coisa. E esse poder desejar já é, em si, uma forma de cuidado com aquilo que a vida tem de mais íntimo: o modo como a gente ama, e se deixa amar.

    Caso deseje trilhar esse percurso comigo, meu consultório está aberto para acolher sua história, com escuta ética e comprometida com sua singularidade.


  • eu tenho uma pergunta.. sentir os sintomas da ansiedade e ter paz psicológica e emocional é normal!

    eu tenho uma pergunta..
    sentir os sintomas da ansiedade e ter paz psicológica e emocional é normal!?
    eu pensei que estava ficando de virose, mas quando eu tomei o sertralina os sintomas sumiram e eu fiquei sem entender nada até hj.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Sua pergunta toca num ponto muito importante e, ao mesmo tempo, bastante comum para quem vive experiências de ansiedade e começa um processo medicamentoso ou terapêutico. A confusão entre corpo e psique, entre o que é físico e o que é emocional, não é à toa. O corpo fala, e às vezes fala mais alto do que conseguimos ouvir com palavras.

    Sentir sintomas físicos como palpitações, cansaço extremo, dores, enjoos e ao mesmo tempo se perguntar: “mas eu estava em paz, estava tudo bem, por que isso está acontecendo?” é mais comum do que se imagina. Mas aqui a psicanálise nos convida a fazer uma pequena torção na pergunta: será que estava mesmo tudo bem? Ou será que parte de nós acreditava nisso, enquanto outra parte estava tentando dizer alguma coisa… pelo corpo?

    Na psicanálise, entendemos que o sintoma — mesmo aquele que aparece no corpo — carrega um saber que escapa da consciência. Ele fala de um conflito que, às vezes, nem sabemos nomear, mas que insiste em aparecer. E quando o corpo entra na cena, ele não está “mentindo”; ele está, muitas vezes, dizendo o que ainda não conseguimos dizer por palavras.

    Você menciona que os sintomas sumiram com a sertralina, e isso é significativo. A medicação pode ser uma grande aliada: ela reorganiza os afetos, estabiliza a química cerebral, dá fôlego. Mas ela não conta a história que o sintoma está tentando narrar. E é aí que a análise pode entrar: não como oposição ao remédio, mas como um espaço onde, com tempo e escuta, possamos perguntar ao sintoma de onde ele vem, o que ele quer dizer, o que ele tenta proteger, o que ele denuncia.

    A paz que você menciona talvez seja uma paz desejada, construída por fora. Mas o corpo, esse sujeito silencioso, pode não estar tão convencido ainda. E a psicanálise caminha por essa via: não para “eliminar” o sintoma como um incômodo a ser calado, mas para escutá-lo como uma pista, um recado, algo que merece ser entendido e não apenas tratado.

    Porque, no fundo, não se trata de estar certo ou errado por sentir. Mas de criar um espaço onde sentir possa fazer sentido.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado


  • Já não sei mais responder algo com convicção. Em algum momento passei a responder "eu não sei" frequ

    Já não sei mais responder algo com convicção. Em algum momento passei a responder "eu não sei" frequentemente:
    O que você gosta? Hobbie favorito? Profissão que quer seguir? Comida favorita? O que te deixa feliz? Porque parou de fazer isso, cê gostava tanto? O que te aflinge? O que sente?... Acho que comecei a viver no automático, só passando tempo e aceitando o que acontece e isso me preocupa, o que pode ser/fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Quando alguém começa a responder “eu não sei” para quase tudo (para o que sente, o que deseja, o que gosta) é sinal de que alguma coisa foi se calando aos poucos dentro de si. Não se trata de desinteresse, preguiça ou fraqueza. Muitas vezes, é como se, em algum momento da vida, algo tivesse deixado de fazer sentido. E sem que percebêssemos, entramos no modo automático: acordamos, cumprimos tarefas, fazemos o que precisa ser feito… mas a vida parece ir passando sem nos atravessar de verdade.

    Essa sensação de estar desligado do que se gosta, do que se sente ou até mesmo do que se deseja pode indicar um esvaziamento subjetivo. E isso não é incomum. Diante das pressões externas, exigências cotidianas, dores antigas não elaboradas ou simplesmente pela tentativa de sobreviver ao ritmo imposto pelo mundo, muitas pessoas acabam se desconectando de si mesmas.

    A psicanálise não oferece respostas prontas. Mas ela propõe algo cada vez mais necessário: um espaço onde você pode falar, sem precisar se justificar ou corresponder a expectativas. Um espaço onde o “eu não sei” não é corrigido nem apressado, mas escutado com cuidado. Porque, às vezes, é só no tempo da fala, no tempo singular de cada pessoa, que começamos a nos reconectar com algo do nosso desejo. Com aquilo que, mesmo escondido ou adormecido, ainda pulsa em nós.

    Você não precisa saber agora o que te faz feliz. Mas pode, pouco a pouco, começar a escutar o que ainda te atravessa, mesmo que essa escuta venha acompanhada de silêncio ou inquietação. Talvez o que hoje aparece como apatia, dúvida ou vazio, seja justamente um chamado do inconsciente, sinalizando que algo em você merece ser cuidado com mais verdade.

    A análise não diz o que você deve fazer. Ela sustenta com você o processo de se escutar, de se reencontrar, de se reinventar. E, nesse movimento, o que parecia perdido pode se apresentar de um modo novo. Porque, muitas vezes, o simples ato de poder dizer, de ter onde dizer, já é o começo de um recomeço.

    Se em algum momento você sentir que precisa falar mais sobre isso, me encontro aqui para te acompanhar nessa construção.


  • Eu realmente não sei o que quero pra minha vida . Forma muitas graduações , cursos e mesmo assim me

    Eu realmente não sei o que quero pra minha vida . Forma muitas graduações , cursos e mesmo assim me sinto sempre num vazio . Todos meus dons e habilidades onde tentei investir deram muito errado . E aí da minha mente, talvez lá do inconsciente me surge a pergunta : PRA QUE eu sirvo ? ou sej a, qual minha utilidade aqui..... é muito frustrante . é só um desabafo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Receber um desabafo como esse é entrar em contato com algo muito verdadeiro. Essa sensação de vazio, de ter tentado tanto e ainda assim se sentir perdida, sem saber qual rumo seguir… é mais comum do que parece, mas nem por isso menos dolorosa.

    Quando você diz: “Pra que eu sirvo?”, algo muito íntimo se revela. Essa pergunta, por mais difícil que seja, carrega uma força: ela aponta para um desejo de se entender, de encontrar um lugar no mundo que seja seu, não apenas pelas habilidades que tem, mas por quem você é.

    A psicanálise não traz respostas prontas. Não se trata de dizer o que fazer ou qual caminho seguir. Trata-se de abrir espaço para escutar o que pulsa em você, aquilo que talvez ainda não tenha podido ser dito, mas insiste em aparecer, como esse vazio que fala, que dói, que pede cuidado.

    Esse sentimento pode estar relacionado a partes suas que foram silenciadas, ignoradas ou cobradas demais. Na análise, acolhemos essas partes com escuta e respeito, sem pressa de resolver, mas com o compromisso de sustentar o que emerge.

    Talvez o simples gesto de desabafar, como você fez agora, já marque o início de um recomeço. Porque existe verdade na sua pergunta e ela não se responde com mais um curso, uma meta ou uma fórmula, mas com um processo de aproximação de si.

    A análise é esse espaço: onde você pode dizer do seu jeito, no seu tempo. Não para corrigir o que está errado, mas para descobrir o que pode nascer da sua própria história.

    Se um dia quiser falar mais sobre isso, meu espaço está aberto para te acolher.
    Gratidão por compartilhar.


  • Prezados(as) Profissionais de Psicologia, Busco informações gerais sobre abordagens terapêuticas

    Prezados(as) Profissionais de Psicologia,

    Busco informações gerais sobre abordagens terapêuticas e escolha de profissional para adultos que apresentam histórico de trauma complexo na infância e manifestam dificuldades emocionais como dissociação, manejo da raiva e desafios interpessoais (incluindo padrões manipulativos).

    Quais tipos de abordagens terapêuticas são consideradas eficazes para trabalhar com essa combinação de histórico e dificuldades? E quais fatores gerais devem ser considerados ao recomendar ou buscar um profissional qualificado e experiente nesta área, especialmente ao se pensar na compatibilidade e na acessibilidade do tratamento?

    Agradeço por compartilhar conhecimento que ajude a orientar a busca por ajuda para pessoas com essas características.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Prezada(o),

    Sua pergunta é, antes de tudo, um gesto de cuidado. Quando alguém se propõe a buscar um caminho de escuta e acolhimento para sujeitos marcados por experiências traumáticas precoces, é porque, em alguma medida, reconhece que não se trata apenas de “resolver” um problema, mas de abrir espaço para que uma história, muitas vezes silenciada, possa começar a ser contada.

    Aqueles que viveram traumas complexos na infância, especialmente em contextos em que o cuidado falhou ou se transformou em ameaça, tendem a desenvolver formas particulares de se relacionar com o outro e consigo. A dissociação, o manejo da raiva, os movimentos manipulativos, os impasses nos vínculos: tudo isso pode ser lido não apenas como disfunções, mas como tentativas de organizar uma realidade interna profundamente fragmentada.

    Na psicanálise e, particularmente, na escuta lacaniana, não tratamos esses traços como desvios a serem corrigidos, mas como formações do inconsciente que têm sua lógica. Cada sujeito encontra um jeito de sobreviver àquilo que foi insuportável. E é justamente por esse viés que a análise pode operar: ela oferece um espaço onde o sofrimento não será apressadamente “remediado”, mas escutado. Um lugar onde o sintoma poderá falar antes de ser combatido.

    É verdade que outras abordagens também têm mostrado bons resultados no trabalho com traumas complexos, como algumas vertentes da psicoterapia corporal, terapias baseadas em mentalização, EMDR, ou as práticas integrativas. Mas a escolha do profissional, mais do que da técnica em si, talvez seja o ponto mais decisivo. Alguém que saiba sustentar o não-saber, que possa se implicar verdadeiramente na escuta, e que não tente adaptar o sujeito ao mundo, mas acolher o modo como o sujeito habita o mundo com suas dores e estratégias.

    Quanto à compatibilidade, não se trata apenas de empatia ou afinidade pessoal, embora isso também conte. Trata-se de encontrar alguém com quem seja possível sustentar o encontro, mesmo nas rupturas. Um profissional que não se apresse a dar respostas, que não se afaste diante do silêncio, da agressividade ou da confusão. E, claro, que esteja atento às questões de acessibilidade, oferecendo condições possíveis para que o tratamento não se torne mais uma violência.

    Buscar ajuda é, para muitos, um ato de coragem. E indicar caminhos, como você está fazendo agora, é também uma forma de cuidado. Que essa busca seja acompanhada de delicadeza e escuta.

    Fico à disposição para seguir conversando, caso queira refletir sobre possibilidades de encaminhamento.


  • Há chances de um relacionamento que já passou por agressões física e verbais ser reconstruído com am

    Há chances de um relacionamento que já passou por agressões física e verbais ser reconstruído com amor e sem mágoas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Essa é uma pergunta que carrega muita dor e também uma tentativa de esperança.

    Quando um relacionamento atravessa episódios de agressão física ou verbal, algo fundamental é atingido: o limite do que é possível suportar, o respeito ao corpo, à palavra e ao desejo. E isso deixa marcas. Marcas que não se apagam facilmente, mesmo quando há arrependimento, pedidos de perdão ou promessas de mudança.

    Na psicanálise, não oferecemos garantias sobre o que pode ou não acontecer num laço amoroso.
    O que buscamos é escutar: o que se repete nesse laço? O que sustenta a permanência? O que se cala em nome do amor? Há amor ou um pacto silencioso com o sofrimento?
    Reconstruir um relacionamento depois da violência não é impossível, mas é importante perguntar: a que preço?

    A psicanálise não julga, não aponta caminhos prontos. Ela convida você a se escutar com profundidade. Porque, às vezes, o desejo de reconstruir pode estar atravessado por culpa, por medo da solidão, por uma idealização de que o amor tudo cura. Mas o amor, sozinho, não dá conta de sustentar o que já foi quebrado tantas vezes.

    Não se trata de dizer se "vale a pena" ou não. Mas de permitir que, em análise, você possa falar sobre esse amor com liberdade. Sobre as mágoas, os silêncios, o medo, os afetos ambíguos... E, principalmente, sobre o que você deseja para si. Deseja mesmo reconstruir? Ou deseja se proteger?

    A análise é esse lugar onde não é preciso justificar o que sente, mas é possível escutar o que sente de um outro modo. E, a partir disso, fazer escolhas menos solitárias.

    Se esse tema te atravessa, talvez seja tempo de se escutar com mais cuidado.
    Estou aqui, caso queira conversar mais sobre.


  • Boa noite, espero que estejam bem! Eu gostaria muito da ajuda de vocês, frequentemente minha famí

    Boa noite, espero que estejam bem!

    Eu gostaria muito da ajuda de vocês, frequentemente minha família reclama sobre eu tratá-los mal ou minha expressão ser de uma pessoa brava, mas muitas das vezes eu nem percebo que estou falando diferente ou que a minha expressão mudou.
    Não é proposital, mas tem situações que realmente eu percebo que "perco a mão".
    Há algo que explique? Que eu consiga fazer para mudar?

    Não sei se há algo na medicina que explique, mas eu realmente não quero ser ignorante, simplesmente estou falando normal, mas as pessoas interpretam de outra forma.

    De antemão, agradeço.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Agradeço pela confiança ao partilhar algo tão sensível, que toca em uma dor que muitos carregam em silêncio: a de não se reconhecer na forma como os outros nos veem. Há algo de profundamente desconcertante quando nos acusam de uma dureza que sentimos não ter emitido. Como se houvesse um descompasso entre o que sentimos por dentro e o que o outro enxerga do lado de fora.

    A psicanálise parte justamente desse ponto: nem sempre somos plenamente conscientes daquilo que comunicamos. Muitas vezes, falamos não só com as palavras, mas com os gestos, os silêncios, o tom de voz, a forma como desviamos o olhar ou contraímos os músculos do rosto. E tudo isso pode carregar marcas da nossa história, feridas antigas, modos de defesa que foram necessários em algum momento e que talvez ainda estejam em cena, mesmo que já não façam mais tanto sentido.

    É possível que, ao longo da vida, você tenha desenvolvido maneiras de se proteger. Talvez de ambientes em que a afetividade era incerta, onde era preciso estar em alerta. Ou talvez sua expressão mais séria seja o vestígio de um esforço contínuo para se manter em controle, num mundo que nem sempre parece seguro. Isso não é culpa, é resposta. Uma tentativa, às vezes silenciosa, de sobreviver.

    O desconforto que você sente agora, esse incômodo ao perceber que algo escapa do seu controle quando se comunica, pode ser justamente o ponto de partida para um trabalho analítico. A análise não vem trazer fórmulas prontas para "corrigir" comportamentos, mas sim abrir espaço para que você se escute de outro modo e para que essas reações, antes automáticas, possam ganhar sentido dentro de uma história maior. Uma história que é sua, mas que talvez ainda esteja esperando para ser contada por você mesmo.

    Na psicanálise, buscamos o que está para além da superfície, o que move, o que repete, o que escapa. E nesse processo, algo pode começar a se transformar. Não porque alguém lhe diga como deve ser, mas porque ao falar de si, com escuta e presença, pode emergir um modo novo de habitar suas relações, sua fala, seu corpo.

    Não se trata de medicina no sentido estrito, mas sim de escuta. De poder falar de tudo isso num espaço onde não haverá julgamento, onde sua dor, sua dúvida, sua forma de se colocar no mundo poderão ser acolhidas. Às vezes, só de poder nomear esse incômodo, algo já começa a se deslocar.

    E assim, passo a passo, talvez você possa deixar de ser apenas visto como alguém que “parece bravo” e começar a ser reconhecido, também por si mesmo, como alguém que sente, que busca, que deseja encontrar uma forma mais viva e verdadeira de se relacionar.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro.


  • O que vocês acham da mulher ser submissa ao homem ?

    O que vocês acham da mulher ser submissa ao homem ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Essa é uma questão profunda, que toca tanto na dinâmica de poder das relações humanas quanto nas expectativas e fantasias que construímos sobre o que significa ser homem ou ser mulher. Ao longo da história, muitas culturas estabeleceram modelos rígidos sobre o papel de cada um no contexto da relação, muitas vezes atribuindo à mulher um lugar de subordinação ou submisso. No entanto, o que está em jogo aqui não é apenas o papel social ou cultural, mas o que cada um, na sua subjetividade, entende como desejo, como amor, como respeito e como liberdade.

    Na psicanálise, quando abordamos as dinâmicas de submissão, não nos limitamos a olhar para o comportamento externo, mas buscamos compreender as raízes inconscientes que o sustentam. O que leva alguém a se submeter, de fato? Será que é uma escolha consciente ou uma estrutura de desejo que está ali, profundamente enraizada nas formas como fomos educados, nas representações do amor e do poder que nos foram transmitidas? Muitas vezes, o desejo de submeter-se ao outro vem de um lugar muito anterior, de uma relação com a autoridade que não foi devidamente questionada ou ressignificada. Trata-se de um movimento que pode estar enraizado no medo de perder a conexão, na busca por aprovação ou, ainda, em uma dinâmica de controle que se disfarça de carinho.

    A submissão, por si só, não é necessariamente uma característica de uma relação saudável ou desejável. Em muitos casos, pode ser um mecanismo inconsciente de defesa ou uma forma de evitar conflitos, algo que vai além do que seria uma troca autêntica entre iguais. O desejo de submeter-se ao outro muitas vezes esconde o que não é dito, o que não é enfrentado ou, por vezes, a impossibilidade de se posicionar diante de um outro que é visto como detentor do poder. Nesse sentido, a análise permite que se compreenda não apenas a escolha de se submeter, mas também o que essa escolha representa: o que está sendo negado, o que é desejado e o que é temido.

    Porém, é importante destacar que, em um espaço de análise, ninguém deve ser julgado ou condenado por suas escolhas ou desejos. A questão aqui não é dizer o que é certo ou errado, mas sim permitir que a pessoa compreenda o que está por trás da sua escolha, para que ela tenha liberdade de decidir sobre o que deseja para si. A análise não busca impor uma visão sobre como a mulher ou o homem devem se comportar nas relações, mas oferece um espaço onde se pode investigar as estruturas mais profundas do desejo, do poder e da identidade, para que a pessoa se aproprie de suas decisões, sem ser determinada por um padrão imposto ou por uma lógica de submissão que, muitas vezes, nem ela mesma compreende totalmente.

    A psicanálise, portanto, propõe a escuta do inconsciente, o reconhecimento de que o que nos move muitas vezes não é apenas o que sabemos conscientemente, mas o que se inscreve na nossa história, nas nossas experiências e, muitas vezes, nas nossas feridas. Ao compreender isso, é possível ir além de padrões pré-estabelecidos e começar a questionar o que é realmente desejado e o que é imposto por uma cultura, por uma sociedade, ou até mesmo por um sistema familiar. Só a partir desse processo de compreensão e autoconhecimento é que se pode reconstituir relações mais autênticas e equilibradas, onde o respeito à individualidade e ao desejo do outro sejam as bases do vínculo.

    Cada pessoa tem o direito de decidir o que é melhor para si, mas, para isso, é preciso que se liberte das amarras de um inconsciente coletivo que muitas vezes faz as escolhas por ela. A análise oferece o espaço para essa liberdade.

    Se, ao ler esse texto, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro.


  • Meu marido não me beija mais e principalmente na hora da relação não tem beijos. Pra mim é um balde

    Meu marido não me beija mais e principalmente na hora da relação não tem beijos.
    Pra mim é um balde de água fria.
    O tesão não é o mesmo …..
    O que faço?
    As vezes cobro coisas básicas e me sinto mal

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Obrigada por compartilhar algo tão íntimo e delicado. Essa dor que aparece quando o beijo, gesto tão simples e tão cheio de significados, deixa de acontecer, não é apenas sobre o beijo em si, mas sobre o que ele representa para você. O beijo pode ser o lugar onde o amor se reconhece, onde o desejo se anuncia, onde a presença do outro se torna mais viva, mais próxima, mais verdadeira.

    E quando ele falta, muitas vezes sentimos não só a ausência de um gesto, mas também de um vínculo, de uma forma de ser olhada, desejada, considerada. É como se algo se quebrasse no encontro. E nessa quebra, vem a dúvida: será que ainda sou desejada? Será que ainda existe amor? Por que parece que estou pedindo demais quando só quero o básico?

    Na psicanálise, não há uma resposta pronta para o que está acontecendo, mas há um caminho possível: o de escutar o que esse incômodo diz de você, da sua história, das suas formas de amar e de se sentir amada. Às vezes, a cobrança aparece como uma tentativa de remediar um vazio que não é de agora e que talvez tenha se repetido em outros momentos da vida, em outros relacionamentos, até mesmo na infância.

    A análise não vai dizer o que você “deve fazer”, mas vai te ajudar a nomear, pouco a pouco, o que está em jogo aí. Porque muitas vezes, antes de sabermos como agir, precisamos entender de onde vem aquilo que sentimos. O que é que o beijo, ou a falta dele, acorda em você? O que é que se rompe ali, que te faz sentir tão mal a ponto de duvidar se pode ou não desejar o que deseja?

    Talvez, nesse percurso de escuta, você descubra que há mais camadas nesse sofrimento do que parece à primeira vista. E que, ao colocar isso em palavras, algo se desloque dentro de você e, quem sabe, também no outro.

    Esse tipo de dor não precisa ser carregado sozinha. A análise pode ser esse espaço onde você se autoriza a dizer, sem medo, o que dói, o que falta, o que arde. E onde, talvez, possa reencontrar um modo mais verdadeiro de estar com o outro e consigo mesma.

    Se, ao ler essas palavras, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.


  • Vou direto ao ponto. Sou viciado em masturbação desde de meus 11 anos de idade. Hoje tenho 29 anos,

    Vou direto ao ponto. Sou viciado em masturbação desde de meus 11 anos de idade. Hoje tenho 29 anos, e durante toda a minha trajetória fui consumindo diferentes tipos de pornografia. Toda vez que enjoava de um gênero, ia para outro. Já consumi praticamente tudo que a legalidade permite. O problema é que agora estou consumindo pornografia amadora, algo que não existe controle. Posso estar vendo um casal liberal que quis postar o vídeo ou posso estar vendo algo postado sem o consentimento da pessoa. Queria saber como parar ou pelo menos me policiar ao tipo de conteúdo que consumo. Já fui a um psicólogo, mas parei por questões financeiras (desempregado). Já participei do NoFap e consegui ficar 4 meses sem me masturbar, mas depois voltei com muito mais intensidade. Sei que a masturbação não é o problema, e sim a dessensibilizarão que meu cérebro cria ao se acostumar com algo novo. E aí, tem solução?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Antes de qualquer coisa, quero te agradecer por confiar a alguém esse relato tão íntimo. Não é fácil falar sobre isso. Quando você diz que vai “direto ao ponto”, eu escuto uma urgência, algo que vem pesando há muito tempo e que já não cabe mais só em você.

    Você fala de um hábito que começou muito cedo, lá pelos 11 anos, e que foi se transformando com o passar dos anos. Aos poucos, aquilo que talvez no início trouxesse alívio ou prazer passou a virar uma busca constante por algo novo, mais intenso, mais diferente. E agora, você se vê preso numa repetição da qual já não consegue sair, mesmo sabendo que ela te faz mal. Esse é o ponto onde muita gente se pergunta: “Por que eu continuo fazendo algo que não quero mais fazer?”

    Acontece que nem tudo na vida se resolve com força de vontade. Às vezes, o que nos prende não está tão visível. Tem algo ali por trás da repetição, que a gente ainda não entendeu, mas que insiste em voltar. E é aí que entra a terapia.

    A psicanálise é um tipo de escuta profunda. É um espaço onde você pode falar sem medo, sem ser julgado. E, principalmente, um espaço onde você vai começar a entender o que está por trás de certas escolhas, de certos comportamentos. Às vezes, a gente repete algo não porque quer, mas porque não encontrou outro jeito de lidar com uma dor, com uma falta, com algo que nos escapa.

    Você mesmo diz que a masturbação em si não é o problema e tem razão. A questão está na maneira como ela passou a dominar sua vida, como se fosse a única saída para aliviar algo que você nem sempre consegue nomear. Esse é um sinal de que algo dentro de você precisa ser escutado.

    Você também fala sobre não ter conseguido continuar a terapia por falta de recursos. Isso é real e acontece com muitas pessoas. Mas saiba que existem clínicas-escola, serviços públicos, espaços com atendimentos sociais que podem te acolher nesse momento.

    Sim, há um caminho. Ele começa quando você escolhe não carregar tudo isso sozinho. Quando você decide escutar com mais profundidade o que está tentando dizer por trás dessa angústia.

    Se quiser, podemos conversar sobre como começar. Você não precisa se resolver antes de procurar ajuda. É justamente na escuta com o outro que a transformação começa a se construir.


  • Ola! Ha nove meses tive parto cesária do meu segundo filho e me sinto estranha tive dores de cabeça

    Ola! Ha nove meses tive parto cesária do meu segundo filho e me sinto estranha tive dores de cabeça tontura e náuseas achei que fosse sinusite fiz tratamento e não ajudou então achei que era enxaqueca fiz tratamento alívio ainda me sinto estranha não sei explicar é como se eu não tivesse emoção em nada tenho insônia e quando consigo durmi acordo no outro dia como se não tivesse dormido nada um peso na cabeça não tenho vontade pra nada quero a entender o que está acontecendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Obrigada por confiar essa vivência tão sensível. O que você descreve, como esse sentir-se “estranha”, esse corpo que parece não responder da mesma forma, a cabeça pesada, a insônia, a falta de vontade, a ausência de emoção, tudo isso merece ser escutado com delicadeza. Não apenas como uma lista de sintomas, mas como expressões de algo que está buscando uma forma de se dizer.

    O parto, mesmo quando desejado, mesmo quando aparentemente transcorre bem, é uma travessia profunda. Não é apenas o nascimento de um filho, mas também o nascimento, ou a reconfiguração, de uma mulher. A psicanálise escuta esse depois, esse tempo em que o corpo ainda está tentando se reencontrar, em que o desejo se embaralha, em que a subjetividade se desorganiza para, talvez, construir algo novo. E esse processo, muitas vezes, é silencioso, solitário, e angustiante.

    Você se pergunta o que está acontecendo. E essa é, talvez, a pergunta inaugural de um percurso analítico. Porque a resposta não virá pronta, ela será construída, pouco a pouco, na medida em que você puder dar lugar à sua palavra. Aquilo que parece “não ter nome” pode começar a ser dito. A psicanálise não trata de classificar ou ajustar; ela se interessa pelo singular, por aquilo que escapa às explicações generalizadas.

    Talvez haja aí um luto silencioso de quem você era antes, do corpo que você tinha, do tempo que agora é outro, dos espaços que se transformaram. Talvez seja um cansaço profundo, mas também um desencontro consigo mesma. E talvez, ao falar sobre isso, você comece a construir uma escuta mais generosa com esse sentir tão confuso.

    O mais importante é saber: você não está sozinha. Há um sentido que pulsa nesse estranhamento, mesmo que ainda esteja encoberto. A análise pode ser esse lugar onde, aos poucos, esse enigma que é você mesma comece a fazer sentido.

    Se, ao ler essas palavras, algo em você se movimentou, uma lembrança, uma pergunta, uma vontade de entender mais sobre si, saiba que meu consultório está disponível para esse encontro. Talvez seja o tempo de escutar o que até agora tem sido silenciado.


  • Prezados(as) Psicólogos(as), Busco orientação profissional sobre um caso. O indivíduo vivenciou h

    Prezados(as) Psicólogos(as),

    Busco orientação profissional sobre um caso. O indivíduo vivenciou histórico de trauma na infância e apresenta dificuldades emocionais (dissociação, manipulação, episódios de raiva). Avaliação exploratória inicial identificou traços que demandam investigação aprofundada.

    Gostaria de informações sobre abordagens terapêuticas e fatores relevantes na escolha de profissional para acompanhamento psicológico neste tipo de situação, considerando a acessibilidade financeira do tratamento.

    Há um relatório exploratório disponível para consulta, se profissional considerar relevante.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Prezada(o),

    Agradeço por compartilhar com tanta delicadeza uma preocupação que é, ao que tudo indica, profundamente ética: oferecer um cuidado que não apenas responda a sintomas, mas que se comprometa com a escuta da singularidade de um sujeito. Quando você descreve esse indivíduo como alguém que carrega um histórico de trauma, acompanhado de manifestações como dissociação, manipulação e episódios de raiva, estamos diante de uma estrutura que merece mais do que um protocolo, ela demanda um espaço de fala, de escuta e de tempo.

    Na psicanálise, sobretudo na vertente lacaniana, não buscamos rotular o sujeito a partir de uma lista de sintomas. O que se propõe é um encontro, onde o sofrimento é levado a sério em sua dimensão mais íntima. A dissociação, por exemplo, pode ser lida não apenas como uma defesa, mas como uma tentativa de sobrevivência psíquica frente a algo que, na infância, não pôde ser simbolizado. Já a manipulação e a raiva podem ser formas precárias de laço, maneiras de convocar o outro quando a linguagem ainda não foi suficiente para dizer o que dói.

    Nesse contexto, a escolha de um profissional não deve se pautar apenas pela técnica ou currículo, mas pela disposição real em escutar. Escutar não só o que o paciente diz, mas também aquilo que escapa, como os lapsos, os silêncios, os atos. A psicanálise não impõe um caminho, mas caminha junto, acompanhando o sujeito na travessia daquilo que, muitas vezes, ele mesmo ainda não compreende em si.

    Sobre a acessibilidade, é possível sim encontrar profissionais que atendam em valores sociais ou com negociações de honorários. Muitos psicanalistas mantêm vagas destinadas a isso, justamente por reconhecerem que o inconsciente não escolhe classe social para se manifestar. Alguns institutos de formação também oferecem atendimentos a valores reduzidos, conduzidos por analistas em formação supervisionada.

    Por fim, o relatório exploratório pode, claro, oferecer elementos importantes, mas o mais essencial será sempre aquilo que o sujeito puder dizer de si, mesmo que inicialmente diga pouco, ou diga por meio de atos e sintomas. A análise se dá no tempo do sujeito, e é nesse tempo que o processo acontece.

    Estou à disposição, caso deseje conversar mais sobre possibilidades de encaminhamento.


  • Preciso de uma ajuda, tenho uma grande dificuldade em absorver conteudos que estudei por exemplo há

    Preciso de uma ajuda, tenho uma grande dificuldade em absorver conteudos que estudei por exemplo há 1 hora atrás, não consigo explicar o que eu aprendi, não tenho criatividade, estou sempre cansada e com o sono, também sinto um pavor enorme quando o assunto é dirigir, já fiz auto escola e rodei por 03x na prova prática, sinto o corpo todo tremer só em falar em dirigir, não consigo finalizar a prova, na aula sempre faço tudo certo e não fico nervosa. Como eu posso descobrir o que fazer com o meu corpo e minha mente, saber o que realmente está acontecendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    É importante que você tenha encontrado palavras para nomear tudo isso que vem atravessando sua experiência cotidiana. Cansaço, esquecimento, bloqueios, tremores, cada uma dessas manifestações tem um valor e fala de algo que merece ser escutado. Não são apenas sintomas isolados, mas formas do seu corpo e da sua mente expressarem que algo ali, no fundo, precisa ser dito, ainda que você mesma não saiba exatamente o quê.

    Quando você diz que estuda, mas não consegue lembrar, ou que até vai bem nas aulas de direção, mas trava diante da prova, está descrevendo um fenômeno que vai além da simples questão de “preparo” ou “técnica”. O que aparece aí é um excesso. Um peso que escapa ao controle da razão. O corpo treme, a mente foge, o sono toma conta, como se algo dentro de você dissesse “não” antes mesmo que você pudesse entender o porquê.

    Na psicanálise, não tentamos apagar os sintomas. Pelo contrário: escutamos o que eles têm a dizer. Porque o que não é dito de um modo, insiste em aparecer de outro. Esquecimentos, bloqueios, cansaço constante, medo paralisante... são formas que o inconsciente encontra para falar, para protestar, para pedir cuidado.

    Você pergunta com muita lucidez: “como posso descobrir o que fazer com o meu corpo e minha mente?” e essa é, talvez, a pergunta mais sincera e importante de todas. A psicanálise se propõe exatamente a isso: abrir um espaço de escuta em que você possa, pouco a pouco, se ouvir. Não há receitas prontas, nem respostas que caibam em manuais. Mas há o caminho da palavra, da escuta, da construção de sentido. Um caminho de tempo e de cuidado, no qual você não precisa andar sozinha.

    Se esse movimento já começou em você, se algo já quer ser compreendido de um modo mais profundo, então talvez seja a hora de começar uma análise. Deixar-se falar, aos poucos, com acolhimento, com escuta, com espaço para que aquilo que hoje se apresenta como peso possa se transformar em algo mais leve, algo seu, mas que já não te aprisione. Estou por aqui, se desejar dar esse passo.


  • Eu gosto de ser a parte frágil e dominado pela parceira, mas vejo que muitas pessoas acham que eu nã

    Eu gosto de ser a parte frágil e dominado pela parceira, mas vejo que muitas pessoas acham que eu não faço o meu "papel de homem" isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Agradeço muito pela sua confiança em compartilhar algo tão íntimo e importante. A forma como você se sente e se expressa em uma relação tem um valor singular e é justamente essa singularidade que a psicanálise se propõe a acolher, escutar e respeitar.

    Na psicanálise, entendemos que cada sujeito se estrutura de maneira única em sua forma de desejar, amar, se relacionar e se colocar no mundo. O que você está sentindo, esse desejo de ser acolhido na sua fragilidade, de não precisar estar sempre no lugar do “forte” ou do “dominante”, não é algo “anormal”. Pelo contrário: é uma expressão legítima do seu desejo e da forma como você se constrói subjetivamente nas relações afetivas.

    A ideia de “papel de homem” que muitas vezes ouvimos no nosso dia a dia é uma construção social, carregada de expectativas e normas com base em uma estrutura patriarcalista que não necessariamente dizem respeito ao que realmente sentimos ou desejamos. Essas cobranças podem ser muito cruéis, pois nos colocam em conflito entre o que somos e o que esperam que sejamos. E esse conflito pode gerar sofrimento, culpa, vergonha, sentimentos que precisam ser escutados com cuidado.

    A psicanálise não parte de modelos prontos de como alguém "deve" ser. Pelo contrário, ela oferece um espaço para que você possa falar de si com liberdade, sem julgamentos, e ir descobrindo, pouco a pouco, o que faz sentido para você, e não para os outros.

    Por isso, se isso que você sente tem provocado incômodo ou te feito questionar seu lugar no mundo ou nos relacionamentos, talvez esse seja um bom momento para iniciar um processo terapêutico. Um espaço em que você possa falar com tranquilidade sobre suas dúvidas, seus desejos e o que te atravessa e, principalmente, ser escutado de verdade.

    Se você sentir que essa conversa pode se ampliar num percurso mais profundo, estou aqui para caminhar com você nessa escuta. Será um prazer acompanhar você nessa jornada de autoconhecimento e cuidado com sua história.


  • Ja faz 10 anos q eu terminei um relacionamento, de forma abrupta sem pensar, hoje já tenho marido e

    Ja faz 10 anos q eu terminei um relacionamento, de forma abrupta sem pensar, hoje já tenho marido e tenho uma filha, porem ainda continuo sonhando com o meu ex namorado e quando acordo sinto uma saudade tão grande e uma tristeza sem igual, não o vejo também a mas de 10 anos, gostaria de saber o porquê isso acontece, pois as vezes parece q lá no fundo ainda amo ele. Sinto saudades,.mas sei q já passou, q nada daquilo existe mas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Gratidão por compartilhar algo tão íntimo e sensível. É preciso muita coragem para colocar em palavras um sentimento que insiste em retornar, mesmo depois de tanto tempo. E é justamente essa insistência que chama atenção.

    Na psicanálise, escutamos com cuidado aquilo que retorna de forma repetida, especialmente nos sonhos e nas sensações que surgem com eles. Quando você diz que acorda com uma tristeza profunda e uma saudade que parece não caber no presente, isso pode nos contar algo que ainda não encontrou lugar para ser simbolizado, algo que talvez não tenha sido vivido por completo lá atrás.

    Encerrar um relacionamento de forma abrupta pode deixar marcas silenciosas. Nem sempre o que passou está realmente “passado” dentro de nós. O tempo do relógio e o tempo psíquico não caminham do mesmo jeito. Às vezes, uma parte da gente fica ali, presa numa cena que não se concluiu, num afeto que não pôde ser elaborado. E isso retorna, não para nos punir ou nos confundir, mas como um convite a escutar com mais profundidade o que não foi dito.

    Isso não significa necessariamente que você ainda ama essa pessoa no presente. Mas talvez o que ela representou para você, ou o modo como a história se encerrou, tenha deixado algo em aberto. A psicanálise é justamente o espaço para investigar isso com delicadeza, sem pressa, sem julgamento.

    Você não precisa passar por isso sozinha. Se sentir que é o momento de olhar para isso com mais atenção e cuidado, podemos conversar em um processo terapêutico. Juntas, podemos escutar esse afeto que insiste, entender o que ele quer comunicar, e dar lugar à elaboração que talvez ainda esteja por vir.

    Fico à disposição para caminhar com você nesse percurso.


  • Oi... escrevo aqui pra pedir ajuda numa situação que tá acabando comigo por dentro. Eu me envolvo

    Oi... escrevo aqui pra pedir ajuda numa situação que tá acabando comigo por dentro.

    Eu me envolvo com uma garota que tem namorado. A gente estudava junto ano passado, quando tudo começou, e ela já namorava com ele. Nos víamos todo dia, então a gente ficava diariamente. Porém, no fim do ano, o curso acabou. Mesmo assim, a gente continua se falando, com até mais intimidade no sentido de companheirismo do que naquela época, e ela me trata com carinho, preocupação, e diz que me ama. Ela diz que sente amor, mas depois volta atrás e diz que me vê só como amigo. Me parece muito mais por falta de coragem de bancar o que sente por mim. E isso me confunde muito. A gente às vezes se encontra e sempre acontece alguma coisa.

    Recentemente, ela me chamou pra sair no dia da festa de aniversário do namorado dela. Fomos juntos comprar presente pra ele, e a gente ficou, se beijou várias vezes. Depois, ela foi pra casa dele. E isso me destruiu. Nesse dia, deixei de sair com outra pessoa (que tava sendo legal comigo) pra estar com ela. Tudo isso me faz me sentir descartável ou em segundo plano na vida dela.

    Mesmo com toda essa confusão, a nossa relação já virou uma rotina. Tanto pra mim quanto pra ela, e a gente não consegue largar isso. Eu já me acostumei, mas, ao mesmo tempo, sei que isso não pode continuar desse jeito, e isso me machuca mais a cada dia.

    Ela quer largar porque não quer enganar o namorado. E eu quero largar porque não quero ser eternamente uma segunda opção. Mas a verdade é que a gente não consegue fazer isso. Porque, no fundo, a gente realmente se gosta. E, de um jeito ou de outro, a gente sempre acaba se vendo de novo.

    Eu tô perdido. Já não sei mais o que fazer, nem como sair disso. Me vejo preso num ciclo que machuca, por ela sempre me contar o que os dois fazem juntos como se eu fosse o diário dela, mas ao mesmo tempo me dá esperanças, por ainda dizer me amar e ainda sair comigo, mesmo que poucas vezes. Eu não sei mais o que fazer, não aguento mais ver a mulher que eu amo com outra pessoa, porém qualquer decisão que eu tomar me parece prejudicial... ficar e continuar vendo ela com outra pessoa, ou me afastar e sofrer com a ausência da mulher que eu amo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Primeiro, quero reconhecer a dor e o conflito profundo que você está sentindo, e me coloco à disposição para ajudá-lo a compreender melhor o que está acontecendo dentro de você. A situação que você descreve envolve muitos sentimentos intensos e contraditórios, e isso, por si só, já é um grande peso emocional.

    No campo da psicanálise, entendemos que os laços afetivos que estabelecemos, muitas vezes, nos colocam diante de dilemas complexos, pois eles envolvem o que é chamado de "desejo". Quando duas pessoas se relacionam, a dinâmica do desejo vai além da razão, ela é construída por uma série de fatores inconscientes, que muitas vezes nos deixam perdidos ou confusos sobre o que realmente queremos e precisamos.

    A relação com essa garota, pelo que você compartilha, parece estar marcada por uma ambiguidade muito forte: de um lado, há carinho, intimidade, e uma troca emocional intensa; de outro, há o sofrimento de se sentir "em segundo plano" e a angústia de não ser a pessoa com quem ela está disposta a estar de forma plena. Esse tipo de situação, onde as emoções oscilam entre o amor e a insegurança, pode gerar um forte sentimento de desgaste emocional.

    Em psicanálise, costumamos olhar para o que se repete nas relações e o que isso revela sobre o desejo inconsciente. Você menciona que não consegue se afastar dessa situação, mesmo sabendo que ela o machuca, e isso é algo significativo. O desejo, muitas vezes, nos leva a um lugar de repetição, onde estamos presos em um ciclo, que nos dá prazer e dor ao mesmo tempo. Esse movimento contraditório de querer e não querer algo, de amar e se sentir descartado, pode ser sinal de que algo profundo precisa ser compreendido em você, em relação a esse vínculo.

    Convido você a refletir sobre o que realmente está em jogo aqui, para além do comportamento dessa garota ou da escolha entre estar ou não com ela. Às vezes, ao nos envolvermos profundamente com outra pessoa, ficamos tão focados em suas ações que deixamos de perceber o que estamos projetando nela. O que é realmente seu, o que está em jogo para você, além dessa relação com ela?

    A psicanálise oferece um espaço para que possamos escutar e compreender esses conflitos internos, que, muitas vezes, se manifestam através de nossas relações. A terapia pode ajudá-lo a entender o que esse ciclo de sofrimento revela sobre suas necessidades, seus medos e seus desejos, e, mais importante, a encontrar uma forma de lidar com essa angústia de maneira mais saudável e consciente.

    Se você sentir que esse é um caminho que pode ajudá-lo, ficarei feliz em acompanhá-lo nessa jornada de autoconhecimento e reflexão.

    Fique à vontade para dar o próximo passo.


Perguntas frequentes

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