Perguntas do paciente (197)

  • Criei dependência emocional por uma pessoa a qual não cheguei a conhecer pessoalmente, foram 4 anos

    Criei dependência emocional por uma pessoa a qual não cheguei a conhecer pessoalmente, foram 4 anos de conversa até que do nada a pessoa sumiu, mas antes msm eu já dava sinais de crise de ansiedade quando a pessoa demorava a responder e tals, porém mesmo a gente não se falando tudo o que tem a ver com essa pessoa de certa forma me afeta e eu começo a ter uma crise de ansiedade intensa. (A gente parou de conversar e as crises diminuiram) Mas de vez enquanto, quando uma música me lembra ela, ou vejo algo que tem a ver com ela, simplesmente me dá crise. Eu faço terapia, mas parece que continua a msm coisa... O que é indicado nesses casos? Será que procuro outro profissional?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,
    Obrigada por compartilhar algo tão íntimo e delicado. O que você traz toca em experiências psíquicas muito profundas, afetos que se constroem, mesmo sem o corpo presente, e que ganham um lugar marcante na vida psíquica, especialmente quando sustentados por tanto tempo, como no seu caso.

    Na perspectiva da psicanálise, especialmente a partir da leitura lacaniana, o vínculo que se forma com o outro não depende apenas da presença física. O outro pode ocupar um lugar muito significativo na estrutura do desejo e do inconsciente. E quando esse lugar é tocado, por ausências, silêncios, músicas, lembranças, é como se algo do que estava "amarrado" ali se desfizesse, provocando angústia ou crise.

    Você menciona já estar em terapia, e isso é um passo importante. Mas também sinaliza que sente que algo ali permanece no mesmo lugar. Talvez valha pensar: esse espaço terapêutico tem permitido que você fale verdadeiramente sobre o que te atravessa? Tem escutado o que há por trás dessas crises, não apenas como sintomas a serem “aliviados”, mas como mensagens do inconsciente que ainda não encontraram palavras?

    Na psicanálise, especialmente na análise lacaniana, o convite é justamente esse: escutar o que está por trás do sintoma, investigar o que esse vínculo disse de você, do seu desejo, da sua história. Nem sempre é sobre trocar de profissional, mas talvez encontrar um espaço onde você possa ser ouvida de forma diferente, sem pressa, sem julgamentos, respeitando o tempo da sua própria elaboração.

    Se sentir que esse tipo de escuta pode te fazer bem, estou à disposição para conversar mais sobre isso. Seu sofrimento merece espaço, cuidado e tempo para se transformar.


  • É normal sentir uma tristeza ou angústia ao olhar algum desconhecido na rua.. por exemplo, estou no

    É normal sentir uma tristeza ou angústia ao olhar algum desconhecido na rua.. por exemplo, estou no ônibus e entra alguém, e quando eu olho tenho uma sensação estranha, sinto que é uma pessoa sofrida, e eu fico triste. Acontece frequentemente. O olhar, o jeito da pessoa me faz sentir isso

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Sim… isso que você descreve é mais comum do que se imagina, ainda que poucos falem sobre. Há encontros silenciosos que nos atravessam, sem que nenhuma palavra seja dita. Às vezes, é apenas um olhar, um gesto, um modo de caminhar, uma presença que escapa. E, de repente, somos tomados por algo que não sabemos nomear bem: uma tristeza, uma angústia, uma sensação estranha que insiste.

    A escuta psicanalítica nos convida a não ignorar esses pequenos movimentos. Porque, embora pareçam vir “do outro”, muitas vezes dizem mais de nós do que imaginamos. Algo ali, naquele corpo que passa, toca algo em você, um fragmento de memória, uma dor antiga, um afeto não resolvido, uma identificação inconsciente.

    Não se trata de romantizar a empatia nem de reduzir tudo a uma explicação racional. Pelo contrário: trata-se de sustentar a pergunta. Por que isso me afeta tanto? O que é que se apresenta ali naquele rosto anônimo, que faz doer em mim? O que essa cena, que parece externa, me diz de mim mesma(o)?

    A psicanálise aposta nesse movimento de escuta no que escapa, no que aparece sem ser convidado, no que se repete sem que a gente entenda. Ao colocar em análise essas experiências aparentemente banais, podemos encontrar pontos de enlaçamento com a nossa própria história, abrir espaço para simbolizar afetos que estavam em suspensão e até aliviar um pouco esse peso que aparece sem aviso.

    Nem sempre as respostas vêm de forma imediata. Às vezes, é preciso tempo, cuidado, escuta. Mas há um saber aí, ainda que silencioso. Um saber do corpo, do afeto, do inconsciente. E é exatamente nesse ponto que a análise começa.

    Se algo em você pede para ser escutado, acolhido, desdobrado com delicadeza e tempo, talvez esse seja o momento de iniciar um processo de análise.

    Meu consultório está aberto para isso: um espaço onde você pode falar, com liberdade, sobre tudo aquilo que sente, mesmo (e especialmente) quando nem você entende ainda.

    Se desejar, me escreva. Vamos conversar.


  • Como posso ajudar alguém a superar o trama de abuso? Está inteferendo no relacionamento

    Como posso ajudar alguém a superar o trama de abuso?
    Está inteferendo no relacionamento

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,
    Agradeço por trazer uma questão tão importante e sensível.

    O trauma de abuso é uma dor profunda que pode ecoar de maneiras muito complexas, afetando não só a vida da pessoa diretamente envolvida, mas também suas relações e experiências cotidianas. O que você descreve, de como isso tem interferido no relacionamento, é um reflexo de como o sofrimento causado pelo abuso muitas vezes não se resolve sozinho, ele precisa de um espaço para ser ouvido, compreendido e transformado.

    Na psicanálise, entendemos que o trauma não é apenas uma lembrança do passado, mas uma marca que se inscreve no corpo e na psique, criando formas de sofrimento que podem parecer impossíveis de superar. A experiência de abuso pode levar a uma série de sintomas, como ansiedade, dificuldades em confiar, padrões de comportamento repetitivos, entre outros. Esses sintomas, muitas vezes, são tentativas do corpo e da mente de lidar com algo que ainda não foi simbolizado ou processado.

    Ajudar alguém a superar o trauma de abuso envolve oferecer um espaço seguro e acolhedor, onde essa pessoa possa falar livremente, sem pressa, sem pressões. É essencial que ela possa elaborar o que aconteceu, aos poucos, para que o trauma não seja simplesmente abafado ou negado. O trabalho terapêutico é justamente esse: um espaço onde o sofrimento possa ser nomeado, ressignificado, e onde a pessoa possa, aos poucos, se reapropriar de sua história e de seu corpo, sem que isso a defina de forma definitiva.

    É importante lembrar que o processo de cura é individual, e ninguém pode "curar" outra pessoa, mas pode estar ao lado dela, oferecendo compreensão e escuta. Você, ao procurar entender como ajudar, já está realizando um passo fundamental. O apoio de um profissional especializado é crucial para que a pessoa consiga lidar com o trauma de forma profunda e duradoura.

    Se essa pessoa, ou você mesma, sentir que precisa de um espaço para trabalhar isso mais profundamente, me coloco à disposição.


  • Olá. Não sinto prazer em fazer absolutamente nada na vida. Nada me causa prazer. Não sinto motivação

    Olá. Não sinto prazer em fazer absolutamente nada na vida. Nada me causa prazer. Não sinto motivação para nada. A melhor parte do meu dia é quando vou dormir (apesar de ter dificuldade de pegar no sono devido a ansiedade) e a pior parte é justamente quando acordo. Isso seria um possível quadro depressivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá!
    O que você descreve toca um ponto muito delicado do existir. Quando nada dá prazer, quando acordar dói mais do que o dia promete, algo está pedindo escuta. Não é pouco, e não é banal.
    Não gosto de responder isso com rótulos rápidos. Antes de dizer “é ou não é depressão”, o mais importante é reconhecer que há sofrimento e ele não surgiu do nada. Algo em você está cansado, talvez esvaziado, talvez tentando se proteger.

    Na psicanálise, a gente não corre para explicar. A gente escuta. Porque muitas vezes esse “nada me dá prazer” guarda uma história, um excesso, uma perda, algo que ainda não pôde ser dito.
    Talvez a pergunta não seja exatamente “o que eu tenho?”, mas o que em mim ficou sem lugar?
    E isso não se responde sozinho.

    A análise é um espaço para isso: para falar sem precisar saber exatamente o quê, nem por onde começar. Quando o dia fica pesado demais, dividir esse peso pode ser o primeiro movimento.

    Se você sentir que faz sentido, estou aqui para construir contigo esse momento de cuidado para a sua história. Às vezes, o simples fato de ser escutado e falar já começa a mudar algo.


  • Preciso de ajuda para parar de beber. Já tentei muitas e muitas vezes e não consegui. Eu não bebo to

    Preciso de ajuda para parar de beber. Já tentei muitas e muitas vezes e não consegui. Eu não bebo todos os dias, só em feriados, festas e fim de semana, mas quando bebo exagero. Bebo muito rápido. E fico bêbada muito rápido tb. Vcs tem algum tratamento q eu possa fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá! Espero que essa mensagem, em resposta a sua pergunta, a encontre bem!

    Você já tentou muitas vezes parar de beber e, mesmo assim, algo volta a acontecer. Isso nos mostra que não se trata apenas de uma questão de força de vontade. Se fosse, você já teria resolvido, não é? Então, o que será que está por trás disso?

    O álcool, no seu caso, pode estar funcionando como uma resposta a algo que ainda não foi nomeado, algo que insiste e pede para ser escutado. O problema não está apenas na quantidade que você bebe ou na rapidez com que isso acontece, mas no que essa experiência carrega para você. O que se repete quando você bebe? O que o excesso tenta calar?

    A psicanálise não trabalha com julgamentos ou regras sobre o que você deve ou não fazer. O que ela oferece é um espaço onde você pode, sem pressa e sem censura, entender o que de fato está em jogo para você. Quando isso começa a ser dito, algo pode mudar.

    Se você já tentou tantas vezes sozinha, talvez seja hora de tentar de um jeito diferente. A análise não te promete soluções fáceis, mas pode te ajudar a encontrar um caminho mais verdadeiro — um caminho que faça sentido para você.

    Se quiser, podemos marcar um primeiro encontro. Um espaço seu, onde essa história possa ser escutada como merece.

    Estou por aqui!


  • Sinto muita vergonha de mim mesma. Tenho 15 anos e não consigo me socializar com as pessoas. Tenho m

    Sinto muita vergonha de mim mesma. Tenho 15 anos e não consigo me socializar com as pessoas. Tenho medo de falar com as pessoas por conta da insegurança e baixa autoestima. Eu tenho algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    A vergonha que você sente, essa que parece cobrir tudo como um véu e que te afasta das outras pessoas, não é um defeito seu, nem algo que precise ser corrigido às pressas. Ela fala de algo que merece ser escutado com cuidado, com tempo. Aos 15 anos, o mundo interno costuma estar repleto de perguntas, sensações confusas e expectativas sobre quem se é e quem se deveria ser. É um momento delicado, em que o desejo de se mostrar ao mundo convive com o medo intenso de ser visto.

    O medo de se socializar, a insegurança, a autoestima machucada, tudo isso aponta para um sofrimento que existe, sim, mas que não define quem você é. Em vez de perguntar se há “algum problema” com você, talvez possamos mudar um pouco a pergunta: o que será que está tentando ser dito por meio desse silêncio? O que essa vergonha tenta proteger?

    Na psicanálise, não se trata de classificar ou rotular. Não estamos interessados em encaixar alguém em um diagnóstico apressado. O que nos importa é escutar aquilo que escapa das palavras comuns, aquilo que dói mas que, muitas vezes, não sabe se dizer. A vergonha pode ser um modo de se defender de um olhar que julgou demais, que exigiu demais, que não acolheu. Ela pode surgir como efeito de experiências em que você se sentiu deslocada, comparada, diminuída.

    Mas essa vergonha também pode começar a ser dita. Pode ser acolhida num espaço onde você não precise se esconder de si mesma, onde não haja pressa para "melhorar", mas escuta para se descobrir. Um processo de análise pode ser um desses lugares. Um lugar onde, aos poucos, você vá encontrando palavras suas, formas suas de estar no mundo, sem precisar se moldar a um padrão de perfeição que, muitas vezes, adoece mais do que ajuda.

    Você não está sozinha. E não há nada de errado em sentir-se assim. Há, sim, um pedido que começa a se formar nesse seu movimento de colocar em palavras o que machuca. E isso já é um começo. Um gesto de coragem. Porque procurar entender o que se passa dentro da gente é sempre um ato de cuidado e de amor, mesmo quando ainda estamos aprendendo a nos amar.

    Se quiser, a gente pode seguir conversando.
    Você não precisa passar por isso sozinha!


  • Desde criança sempre tive um medo absurdo de fazer as coisas de forma errada e acabar sendo avaliada

    Desde criança sempre tive um medo absurdo de fazer as coisas de forma errada e acabar sendo avaliada negativamente. Isso me afeta em qualquer situação, seja do cotidiano, da faculdade, relacionamentos, interações... Sempre deixo de fazer as coisas porque não me sinto capaz, fico insegura. Meu relacionamento deu errado porque eu deixava de fazer coisas simples, tinha medo de fazer algo errado na frente dele. Não conseguia beija-lo direito porque tinha muito medo de beijar errado e sempre acabava sendo horrível. Fazem 3 anos que não beijo ninguém por medo, nunca tive 1 experiência boa. Deixo de fazer atividades de lazer, como uma brincadeira, porque acho que estou fazendo errado, fico com vergonha. Não consigo me apresentar trabalhos direto, deixo de ir em locais. Uma vez me perdi e fiquei horas sentada em um lugar desconhecido porque não tive coragem de perguntar a alguém como voltar. São nas situações mais simples possíveis. Já me pediram para abrir uma embalagem e eu não tive coragem por medo de abrir errado. Fico muito nervosa e tudo acaba virando um desastre. Não aguento mais viver assim, me sinto paralisada.

    Gostaria de saber se isso é normal. Sei que todos possuem inseguras, mas acho tudo isso muito extremo. O que posso fazer para mudar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    É compreensível que você se sinta tão cansada. Carregar o medo constante de errar, de ser avaliada, de não corresponder… é como viver em um estado de alerta contínuo, como se qualquer movimento seu precisasse antes passar por um crivo interno severo. E, quando essa censura interna se torna intensa demais, o gesto, o desejo, a espontaneidade... tudo se paralisa. O corpo hesita, a palavra falha, o encontro se torna impossível.

    É importante dizer: não, isso não é apenas uma "insegurança comum". É um sofrimento. E, como todo sofrimento, merece ser escutado.

    Muitas vezes, o medo de errar esconde uma exigência silenciosa e cruel: a de ser perfeita, de não incomodar, de não decepcionar ninguém. Mas quem impôs isso a você? De onde veio essa ideia de que errar tornaria você indigna de afeto, de acolhimento, de amor?

    Na análise, esse tipo de questão não é respondido com fórmulas prontas. A gente não procura uma "explicação lógica", mas algo mais íntimo, mais profundo: como esse medo se constituiu em você? O que ele sustenta? O que está por trás da sua dificuldade de se lançar no mundo?

    Porque veja, muitas vezes não é o medo do erro em si, mas o que o erro representaria: o olhar do outro, o julgamento, a rejeição. E isso pode ter raízes em experiências muito precoces — que, ao longo da vida, foram se repetindo de formas diferentes. A psicanálise não vai te prometer o fim absoluto desse medo. Mas ela pode te ajudar a entender de onde ele vem, por que ele te paralisa tanto, e o que você pode fazer com isso.

    A análise é um espaço em que você não precisa saber o que dizer. Pode chegar com esse “não sei o que fazer”, com esse “não aguento mais”. É justamente a partir disso que o processo começa. Porque a escuta que se dá ali não é uma escuta para corrigir, para ensinar a fazer “do jeito certo”. É uma escuta que aposta na sua verdade, na sua história, no seu modo único de estar no mundo, mesmo que ele esteja, agora, tomado pelo medo e pela vergonha.

    Você não precisa seguir vivendo como se tivesse que pedir licença para existir. Errar faz parte da experiência humana. E talvez o que mais doa não seja o erro, mas essa sensação de que você não pode se permitir nem tentar. Que precisa se esconder até mesmo de si.

    O que você sente é legítimo. E merece ser escutado. O caminho da análise não é imediato, mas pode ser o início de uma travessia: da paralisação ao movimento, do medo ao desejo, do silêncio à palavra.

    Se algo em você já se cansou de se calar, talvez seja esse o tempo de começar a falar. Com quem possa escutar, sem te corrigir, mas te acompanhar no processo de se tornar mais próxima de si.

    Se desejar conversar mais sobre, estou aqui para te acompanhar nessa caminhada.


  • Tenho 21 anos ,sempre fui tímido , na época da escola tinha uma menina que gostava de mim . Porém ,

    Tenho 21 anos ,sempre fui tímido , na época da escola tinha uma menina que gostava de mim . Porém , eu travava minha voz começava ficar fraca e "para dentro" e isso me criou um trauma sempre que estou numa situação desconfortável minha voz fica assim "para dentro". Como faço para melhorar isso ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Gratidão por trazer essa pergunta com tanta sinceridade. O que você descreve não é apenas uma dificuldade da fala, é um gesto do corpo que, de certa forma, carrega uma história. E é justamente aí que a psicanálise se interessa: menos em “consertar” o que não vai bem e mais em escutar o que isso revela sobre o seu modo de estar no mundo.

    Quando diz que sua voz “vai para dentro” em momentos desconfortáveis, não é difícil imaginar o quanto isso pode ser angustiante. A voz é um dos principais modos de nos fazermos existir diante do outro. E quando ela falha, quando ela se retrai, algo do nosso desejo também parece se calar. Isso não se resolve com uma simples técnica de projeção vocal, porque a questão, aqui, parece ser mais profunda: o que essa voz retraída está dizendo de você, mesmo quando não sai como gostaria?

    Na escola, diante do olhar da menina que gostava de você, algo se acendeu, talvez o desejo de ser visto, de corresponder, de aparecer. Mas também, talvez, um medo: de falhar, de não dar conta, de não saber como se mostrar. E é assim que, muitas vezes, o corpo responde: travando, hesitando, silenciando. A timidez, nesses casos, não é só uma característica, pode ser uma defesa, um modo de se proteger de uma exposição que, em algum momento, foi sentida como perigosa demais.

    A psicanálise pode te ajudar a colocar palavras nisso que, até agora, tem se mostrado no corpo. Porque o sintoma, e essa voz retraída pode ser um deles, tem uma lógica, uma função, ainda que você não a compreenda de imediato. Na análise, você terá um espaço para falar livremente, para construir, aos poucos, uma escuta sobre si. E, ao fazer isso, pode ser que sua voz, literal e simbólica, comece a encontrar novas formas de se fazer ouvir.

    Não se trata de buscar um modelo de performance, mas de te acompanhar no caminho de sustentar sua presença no mundo, mesmo com as fragilidades. De perceber que há desejo aí, e que ele merece existir sem ser silenciado. A melhora, na psicanálise, não vem de um treino, mas da escuta. E, às vezes, tudo começa com isso que você já fez aqui: nomear o que dói.

    Se você sente que é tempo de cuidar disso com mais profundidade, a análise pode ser esse espaço onde sua voz, aos poucos, deixe de ir “para dentro” e comece a encontrar um lugar mais possível no mundo.

    Se desejar, estou aqui para te acompanhar nessa caminhada.


  • sofri bullying desde que era pequena e continuo sofrendo, isso me afeta de uma forma que faz eu quer

    sofri bullying desde que era pequena e continuo sofrendo, isso me afeta de uma forma que faz eu querer me automutilar... Não sei mais controlar isso!!

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Gratidão por compartilhar algo tão íntimo. O que você traz toca em um sofrimento que, infelizmente, é vivido por muitas pessoas, mas nem sempre é escutado na sua profundidade.

    O bullying, quando acontece de forma repetida e contínua, não deixa apenas marcas nas lembranças. Ele pode atravessar a constituição da autoestima, da relação com o próprio corpo, da confiança no outro e na própria palavra. A criança que sofre esse tipo de violência cresce muitas vezes com a sensação de não pertencer, de não ser boa o suficiente, de não ter lugar. Isso, com o tempo, vai se acumulando... até que, em algum momento, vira dor demais para ser contida só por dentro.

    E quando a dor fica grande demais, o corpo acaba virando esse lugar de expressão. A automutilação, ainda que dolorosa, surge como uma tentativa de aliviar, de dar forma ao que não se consegue dizer, de sentir que ao menos se tem algum controle sobre algo. É uma forma de pedir socorro, mesmo quando não se fala em voz alta.

    Na psicanálise, acolhemos esse pedido. Não com fórmulas ou respostas prontas, mas com um espaço onde tudo isso possa, finalmente, ser dito. Onde você não precise se defender ou se esconder. Onde sua história, suas marcas, seus afetos possam ter lugar. A análise não elimina o passado, mas permite que ele seja elaborado de outro modo. E é nesse processo que, aos poucos, algo pode se transformar.

    Você não precisa seguir lidando com tudo isso sozinha. Existe um caminho possível para além da dor. E se sentir que esse pode ser o seu tempo de falar, meu consultório está de portas abertas para você. Com cuidado, com tempo, com escuta.

    Vamos conversar?


  • tenho percebido alguns machucados (arranhados, ferimentos fortes nas mãos) que claramente foram feit

    tenho percebido alguns machucados (arranhados, ferimentos fortes nas mãos) que claramente foram feitos por mim mesma porém não me recordo de ter feito tal coisa, inclusive tenho acordado com esses ferimentos bem fortes dando a entender que me feri enquanto dormia, poderia se encaixar em algum tipo de transtorno mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Primeiramente, quero te agradecer por compartilhar algo tão pessoal e tão doloroso. O que você está descrevendo como ferimentos auto-infligidos que ocorrem sem que você se lembre de como aconteceram é uma situação que merece atenção cuidadosa, e não deve ser minimizada.

    Na psicanálise, abordamos os sintomas como manifestações do inconsciente, que podem aparecer de maneiras inesperadas, como, por exemplo, no caso de comportamentos autoagressivos. Quando falamos de ferimentos auto-infligidos, especialmente se não há recordação consciente de como isso aconteceu, pode haver um conflito interno que está sendo expresso através do corpo, de forma a simbolizar algo que não foi devidamente elaborado ou verbalizado. O corpo, muitas vezes, "fala" aquilo que a mente não consegue organizar ou entender completamente.

    No seu caso, é possível que esses ferimentos sejam uma forma do inconsciente tentar expressar algo doloroso ou angustiante, que talvez você não esteja conseguindo acessar ou processar em nível consciente. O fato de você não se recordar de ter causado esses ferimentos pode indicar que há um afastamento de algo que está acontecendo emocionalmente e que você talvez ainda não tenha total consciência ou compreensão. Esse tipo de comportamento também pode ser relacionado a momentos de grande tensão emocional, estresse ou até um tipo de alívio temporário de uma dor emocional profunda.

    É importante não olhar para essa situação de forma simplista, como se fosse apenas um transtorno ou um comportamento impulsivo. Pode ser um sinal de que há algo mais profundo que está pedindo para ser ouvido, algo que precisa ser elaborado, compreendido e, se necessário, tratado.

    Eu te sugeriria buscar um espaço terapêutico seguro, onde você possa explorar esses sentimentos e comportamentos com mais profundidade. A terapia, e especialmente a psicanálise, pode ajudar a compreender essas manifestações do corpo, compreender o que está sendo não dito e, assim, permitir que você se reconecte com as emoções e pensamentos que podem estar por trás desses ferimentos.

    Você merece o apoio de um profissional que possa te ouvir, sem julgamento, e te ajudar a lidar com esse sofrimento de uma maneira saudável e transformadora. Se você já estiver em terapia, é importante trazer essa questão para o seu processo, pois isso pode ser uma chave importante para o seu entendimento emocional e psicológico.

    Se você sentir necessidade de ajuda imediata, não hesite em procurar uma orientação especializada, como um psicólogo, psiquiatra ou até mesmo um médico, para garantir que você tenha o suporte adequado nesse momento.


  • Tenho sono, os olhos até doem, porém quando deito não consigo dormir, tomo remédio pra pressão alta,

    Tenho sono, os olhos até doem, porém quando deito não consigo dormir, tomo remédio pra pressão alta, mas fico sem dormir até dois dias , só com pequenos cochilos e quando levanto, tenho a sensação que nada dormi, obrigada Deus abençoe

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Muito obrigada por partilhar sua vivência com tanta sinceridade. É muito importante poder falar sobre isso, especialmente quando o corpo começa a dar sinais de exaustão, mas o sono simplesmente não vem. Imagino o quanto deve ser angustiante sentir o cansaço no corpo, os olhos doendo, e ainda assim não conseguir adormecer.

    Na psicanálise, escutamos o sono, ou a falta dele, como algo que diz sobre o sujeito. O sono não é apenas uma função biológica: ele está profundamente ligado ao que se passa internamente, mesmo que de forma inconsciente. Às vezes, é como se algo dentro de nós não deixasse “desligar”, como se um pensamento insistente, uma preocupação ou um sentimento não nomeado nos mantivesse em alerta, mesmo quando tudo ao redor convida ao descanso.

    Mesmo com o uso de medicação para o corpo, como para a pressão, o sono pode continuar afetado quando há algo da ordem do psíquico em jogo. E é aí que a escuta analítica pode fazer diferença.

    A psicanálise oferece um espaço para que essas inquietações possam ser escutadas com cuidado e sem pressa. Ao falar de si, de suas angústias e vivências, você pode começar a encontrar sentido para aquilo que hoje aparece apenas como sintoma, neste caso, a insônia.

    Se sentir que é o momento, fico à disposição para te acompanhar nessa escuta. A terapia não é um caminho pronto, mas um convite para que, pouco a pouco, você possa se aproximar mais de si mesma, acolher suas dores e, quem sabe, permitir que o corpo também possa descansar.


  • UM TERAPEUTA PODE TRATAR DEPRESSÃO E / OU ESSES OUTROS TRANSTORNOS COMO ANSIEDADE , E AJUDAR UMA PES

    Um terapeuta pode tratar depressão e ou esses outros transtornos como ansiedade, e ajudar uma pessoa que pode ter algum bloqueio por trauma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Sim… e eu acho muito importante a forma como você pergunta, porque ela já traz uma sensibilidade: não é só sobre “tratar um transtorno”, mas sobre entender o que está por trás do que a pessoa sente.

    Eu sou Nilzelly Martins, psicóloga e psicanalista, e te diria que um terapeuta pode, sim, acompanhar quadros como depressão, ansiedade e também ajudar a trabalhar bloqueios que muitas vezes estão ligados a experiências traumáticas. Mas talvez o ponto mais importante não seja apenas o “nome” do que a pessoa tem… e sim a história que existe ali.

    Quando falamos de depressão ou ansiedade, por exemplo, não estamos falando apenas de sintomas isolados. Muitas vezes, estamos falando de formas que o corpo e a mente encontraram para expressar algo que não pôde ser elaborado, sentido ou dito. E os bloqueios que você menciona costumam surgir exatamente aí, como uma espécie de proteção, uma tentativa de evitar algo que, em algum momento, foi vivido como intenso demais.

    Na terapia, especialmente em um trabalho mais profundo como a psicanálise, não se trata apenas de “tirar o sintoma”, mas de escutar o que ele está tentando comunicar. Porque, por mais que um sintoma cause sofrimento, ele também tem uma função. E quando a gente tenta apenas eliminá-lo sem compreender isso, muitas vezes ele volta… ou aparece de outra forma.

    O processo terapêutico vai, aos poucos, criando um espaço onde a pessoa pode se aproximar dessas experiências, no seu tempo, com segurança e começar a dar sentido ao que antes era só dor, confusão ou paralisação.

    Isso não acontece de forma rápida ou forçada. E nem precisa.

    Em alguns casos, o acompanhamento com um psiquiatra também pode ser importante, principalmente quando os sintomas estão muito intensos e precisam de um suporte medicamentoso. Mas a medicação, sozinha, não trabalha esses lugares mais profundos da experiência. É na terapia que algo pode ser compreendido, elaborado, transformado.

    E talvez a parte mais importante seja essa: ninguém precisa lidar com isso sozinho. Mesmo aquilo que parece travado, bloqueado ou “difícil demais” pode encontrar um caminho quando existe um espaço de escuta verdadeiro.

    E, quando esse espaço existe, aos poucos, aquilo que antes parecia impossível de acessar começa, com cuidado, a se tornar possível.


  • Meu marido bebe todas as sextas e sábado aí não gosta de ficar em casa fico triste com isso nem pare

    Meu marido bebe todas as sextas e sábado aí não gosta de ficar em casa fico triste com isso nem parece a mesma pessoa. Como buscar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Obrigada por compartilhar sua dor. Compreendo o quanto vê alguém que amamos se transformar quando bebe, se afastar do convívio, da casa, da presença... tudo isso pode gerar uma solidão silenciosa, um sentimento de abandono e até de impotência.

    Na psicanálise, escutamos esse tipo de repetição com muito cuidado. Quando seu marido bebe sempre nos mesmos dias, como se fosse um ritual de fim de semana, há algo aí que se repete e que pode estar ligado a uma tentativa inconsciente de escapar de algo, de um mal-estar interno, de um conflito, de uma angústia que ele talvez não saiba nomear. E é comum que, nesse processo, quem está ao lado acabe se sentindo deixado para trás.

    Você diz que ele “nem parece a mesma pessoa”. Essa frase carrega uma dor profunda, a dor de quem percebe uma distância crescente entre o que sonhou viver e o que tem vivido. E é muito importante que você possa se escutar nesse lugar.

    Buscar ajuda é um gesto de cuidado consigo mesma. Mesmo que ele ainda não esteja pronto para olhar para isso, você pode e merece ter um espaço de escuta só seu. A terapia pode te ajudar a compreender melhor o que isso te causa, a colocar em palavras o que talvez esteja sufocado, e a resgatar sua força diante do que hoje parece te ferir em silêncio.

    Não se trata de consertar o outro, mas de cuidar de si. E, quando você começa esse movimento, muitas vezes algo se desloca também na dinâmica da relação.

    Se sentir que é o momento, estarei aqui para te escutar e construir com você esse espaço de cuidado.


  • Porque Meu esposo bebe e diz que a culpa é minha ?Ele diz que bebe por minha causa..por será? sou ev

    Porque Meu esposo bebe e diz que a culpa é minha ?Ele diz que bebe por minha causa..por será? sou evangelica

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Agradeço por sua mensagem e pela coragem de compartilhar essa dor. Imagino como deve ser difícil ouvir de alguém que você ama que a culpa pelo sofrimento dele (neste caso, pela bebida) seria sua. Essa é uma acusação que machuca e, muitas vezes, confunde profundamente quem escuta.

    Na psicanálise, não trabalhamos com a ideia de “culpado” ou “inocente”, mas buscamos entender o que está por trás de certas falas, repetições e conflitos. Quando seu esposo diz que bebe “por sua causa”, algo está sendo deslocado: ele transfere para você uma responsabilidade que, na verdade, é dele.

    A escolha de beber, assim como o sofrimento que isso produz, pertence a ele. O álcool, muitas vezes, é uma forma de lidar com algo interno que não se consegue nomear: dores, faltas, conflitos emocionais ou traumas que não foram elaborados. E, ao apontar você como causa, talvez ele esteja tentando fugir da própria responsabilidade de olhar para si.

    Você menciona ser evangélica, e isso é muito importante. A fé pode ser um lugar de força, amparo e sentido, e pode caminhar junto com o cuidado emocional. A terapia psicanalítica não entra em conflito com a espiritualidade — ao contrário, pode ajudar você a fortalecer seus próprios limites, a se escutar com mais clareza, e a reconhecer o que está ou não no seu alcance.

    A culpa que talvez você esteja sentindo não precisa ser carregada sozinha. Você não está errada por se sentir ferida, nem por desejar compreender melhor o que está vivendo. A análise pode te ajudar a dar lugar à sua dor, às suas perguntas e à sua história, com acolhimento e sem julgamento.

    Se sentir que é o momento, estarei aqui para te escutar e construir com você esse espaço de cuidado e acolhimento.


  • Olá! Minha mãe perdeu minha irmã ainda bebê a alguns anos atrás e passou por uma depressão pós-par

    Olá!
    Minha mãe perdeu minha irmã ainda bebê a alguns anos atrás e passou por uma depressão pós-parto. E a uns anos atrás depois de alguns outros problemas acabou ficando desaparecida por 15 dias e a achamos andando nas ruas como se fosse uma moradora de rua e quando a encontramos ela achava que todos da família estavam mortos. Agora faz tratamento com medicamentos e estamos em busca de um psicólogo, porém não sabemos em que especialidade o psicólogo é melhor pra situação que ela viveu. Alguém pode ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá!

    Agradeço profundamente por sua partilha tão sensível e cheia de cuidado. É comovente perceber o quanto você está atenta ao sofrimento da sua mãe, buscando caminhos possíveis para oferecer apoio e amparo.

    A história que você traz é marcada por dores intensas: a perda de um bebê, o luto profundo, uma experiência psíquica que tocou o limite do que pode ser simbolizado - e, posteriormente, episódios de ruptura com a realidade. Tudo isso nos fala de um sofrimento que não pôde, talvez, ser inteiramente dito, e que insiste em aparecer de outras formas.

    Nesses casos, a escuta de um psicólogo clínico com orientação psicanalítica, especialmente de linha lacaniana, pode ser extremamente valiosa. A psicanálise não se propõe a corrigir comportamentos nem oferecer respostas prontas, mas a criar um espaço onde a palavra possa emergir, onde o sofrimento possa, pouco a pouco, encontrar alguma forma de ser escutado e simbolizado, em seu tempo e a partir da singularidade de quem sofre.

    O episódio que você relata, do desaparecimento e a crença de que a família havia morrido, nos sugere um momento de ruptura com a realidade que, na psicanálise, aponta para a importância de uma escuta que acolha essa forma de sofrimento, sem tentar calar ou interpretar de forma apressada, mas sim sustentar o que pode se dizer.

    O trabalho do analista aqui não será o de nomear o que aconteceu por ela, mas de estar ao lado, construindo, junto, um espaço onde algo daquilo que foi vivido possa ter lugar na linguagem. E isso pode produzir efeitos muito importantes no tratamento, inclusive no acompanhamento médico e psiquiátrico.

    Saiba que seu cuidado é uma forma preciosa de presença, e que, mesmo diante do sofrimento, isso já inaugura algo novo.


  • Após terapia, é normal falar do abuso sexual que sofri na infância em um ambiente seguro? Passei a

    Após terapia, é normal falar do abuso sexual que sofri na infância em um ambiente seguro?
    Passei a falar com amigos próximos, mas durante uma palestra, ouvi que isso dá a entender que não estou falando a verdade.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Falar sobre um abuso que se viveu na infância não é algo simples. Ainda mais quando se passou tanto tempo em silêncio. Quando o corpo guardou tudo quieto, por medo, vergonha, proteção ou simplesmente por não saber o que fazer com aquilo que doeu tanto. Mas chega um momento, e esse momento é diferente para cada um, em que essa dor começa a querer ganhar nome, contorno, palavra. E é aí que, às vezes, ela começa a sair… primeiro na terapia, depois em conversas mais íntimas, e, com o tempo, talvez até em espaços mais amplos.

    Isso não significa que você está “exagerando” ou que não está dizendo a verdade. Significa que está, aos poucos, encontrando formas de colocar pra fora algo que ficou guardado por tempo demais. E quando isso começa a acontecer, é importante ter por perto pessoas e espaços que saibam escutar, não com pressa, não com julgamento, mas com presença.

    O que você ouviu nessa palestra, que falar sobre o abuso pode parecer mentira, possivelmente quis dizer mais sobre a dificuldade do outro em lidar com a dor do que sobre você. Muita gente ainda não sabe escutar certas verdades. Preferem pensar que, se alguém fala com “facilidade”, é porque não sofreu tanto assim. Mas cada pessoa fala como pode, no tempo que dá. E o fato de você conseguir colocar em palavras algo tão doloroso é, na verdade, sinal de um processo profundo, talvez até de um começo de cura.

    Na psicanálise, a gente não parte da ideia de que existe uma verdade única, comprovável, como se fosse um tribunal. A verdade do sujeito se revela, pouco a pouco, naquilo que ele diz e também no que ele ainda não consegue dizer. Por isso, se hoje você está falando, é porque algo em você já não aceita mais se calar. E isso é muito importante.

    Nem sempre o mundo vai estar pronto pra escutar o que a gente tem pra dizer. Mas isso não quer dizer que sua fala não tem valor. Só quer dizer que o mundo ainda tem muito a aprender sobre acolhimento, escuta e cuidado com o outro.

    Continue se ouvindo. Continue nomeando o que te atravessa. Falar é um jeito de viver de novo mas, agora, de um jeito que não te fere mais em silêncio.

    E, se precisar, a análise segue sendo esse espaço onde você pode existir sem precisar se explicar o tempo todo. Onde a sua dor pode ter um lugar. E onde você também pode, pouco a pouco, ir se reconstruindo com verdade, no seu tempo.


  • A gente pode do nada ter uma crise? Mesmo que não tenha um fator desencadeador ?

    A gente pode do nada ter uma crise?
    Mesmo que não tenha um fator desencadeador ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Sim, crises podem acontecer “do nada”, mesmo quando não identificamos um fator desencadeador evidente.

    Nosso corpo e nossa mente carregam acúmulos de tensão, ansiedade, medos ou conflitos internos que nem sempre estão conscientes. Às vezes, eles se manifestam de forma repentina, como se fosse uma explosão inesperada, mesmo que, externamente, tudo pareça calmo.
    Isso não significa que você está “perdendo o controle”. Pelo contrário, é um sinal de que há algo dentro de você pedindo atenção, algo que ainda não foi percebido ou elaborado. A psicanálise e a psicoterapia oferecem um espaço seguro para escutar esses sinais, compreender suas origens e aprender formas de lidar com eles, de modo que as crises se tornem menos frequentes e menos assustadoras.

    Lembre-se: sentir uma crise sem motivo aparente é mais comum do que se imagina. O importante é não ignorar esses momentos, e sim buscar acompanhamento profissional que acolha e ajude a entender esses episódios.


  • Por que quando eu bebo, que acordo no outro dia eu tenho uma sensação de culoa de angústia

    Por que quando eu bebo, que acordo no outro dia eu tenho uma sensação de culoa de angústia

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,
    Obrigada por confiar em compartilhar essa pergunta.

    Essa sensação de culpa e angústia que aparece depois de beber não é incomum e, na psicanálise, ela nos interessa muito, não como algo para ser julgado ou eliminado imediatamente, mas como uma pista. O que será que o seu corpo e o seu psiquismo estão tentando dizer com essa sensação?

    Na abordagem psicanalítica, entendemos que certos comportamentos, como o uso do álcool, podem funcionar como formas de lidar com algo que nos escapa, um mal-estar, uma dor, um vazio, ou até mesmo um desejo que não conseguimos nomear. O alívio que pode vir com a bebida, muitas vezes, dá lugar a um sentimento difícil no dia seguinte. A culpa, nesse contexto, pode estar relacionada a algo que você sente que passou do limite, ou que contradiz algo que, em você, tenta se manter sob controle.

    Já a angústia... ela não tem um objeto claro. É um sinal de que algo se move dentro de nós, algo que talvez precise ser escutado com mais atenção. Não se trata apenas do álcool, mas do que ele vem cobrir ou aliviar. E é aí que a psicanálise pode te ajudar: a oferecer um espaço para que isso seja dito, aos poucos, no seu tempo.

    Você não precisa enfrentar isso sozinha. Há um caminho possível para compreender esse sentimento e, com ele, encontrar outras formas de viver que estejam mais alinhadas com o que você deseja para si.

    Se desejar, será um prazer te auxiliar a construir esse caminho.


  • O que fazer quando nenhum medicamento não consegue ser eficaz contra a depressão e transtorno de ans

    O que fazer quando nenhum medicamento não consegue ser eficaz contra a depressão e transtorno de ansiedade? Ir tb no psicologo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Quando você pergunta isso, eu escuto mais do que uma dúvida… eu escuto um certo cansaço. Como se já tivesse havido tentativas, talvez expectativas, e agora vem essa sensação de “e se nada funcionar?”.

    Eu sou Nilzelly Martins, psicóloga e psicanalista, e quero te dizer, com muito cuidado: quando os medicamentos não parecem eficazes, isso não significa que não exista saída, significa que talvez o caminho não seja só por aí.

    Os remédios podem ajudar muito, principalmente em quadros de depressão e ansiedade, porque atuam nos sintomas, aliviam a intensidade, dão um certo suporte para que a pessoa consiga atravessar o dia a dia. Mas eles não alcançam tudo. Eles não tocam diretamente naquilo que está na origem do sofrimento, na história, nos conflitos, nas experiências que foram se acumulando e que, muitas vezes, não puderam ser elaboradas.

    E é por isso que, sim… a terapia não só pode ajudar, como muitas vezes é uma parte essencial do processo.

    Mas não no sentido de “mais uma tentativa” ou “última opção”. E sim como um espaço diferente. Um lugar onde você não precisa se encaixar em um diagnóstico ou responder a um protocolo, mas pode falar, do seu jeito, no seu tempo sobre o que está acontecendo com você.

    Na psicanálise, a gente não trabalha apenas para reduzir sintomas, mas para entender o que está por trás deles. Porque a depressão, a ansiedade… elas não surgem do nada. Elas dizem algo, mesmo que de forma silenciosa ou confusa.

    E, quando isso começa a ser escutado, algo pode começar a mudar. Não de forma imediata, nem mágica… mas de forma real.

    Também é importante dizer: quando um medicamento não funciona, às vezes é necessário rever isso com um psiquiatra, podendo ajustar, trocar, entender melhor o quadro. Não é sobre abandonar um caminho, mas sobre cuidar de você de forma mais ampla.

    Só que você não precisa ficar preso apenas a isso. Se existe algo dentro de você que continua doendo, insistindo, mesmo com medicação… talvez seja justamente isso que precisa de um espaço para ser dito. E você não precisa lidar com isso sozinho.

    Se em algum momento você sentir que faz sentido, a análise/terapia pode ser esse lugar onde, pouco a pouco, o que hoje parece sem saída começa a encontrar alguma forma de se reorganizar com cuidado, com escuta, e sem a pressa de “ficar bem” imediatamente.


  • Oi,bom dia tenho 57 anos sou funcionária pública estou com dúvida sobre o que sinto ,tenho a sensaçã

    Oi,bom dia tenho 57 anos sou funcionária pública estou com dúvida sobre o que sinto ,tenho a sensação de que estou com uma faixa apertando minha cabeça ,sinto os ombros pesado e as vezes sinto a cabeça muito leve e vazia no momento não estou com dor na cabeça .o que pode ser isso

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nilzelly Martins

    Olá,

    Agradeço profundamente por sua mensagem e pela confiança em compartilhar algo que está te angustiando. O que você descreve como essa sensação de faixa apertando a cabeça, os ombros pesados, a cabeça leve e vazia nos mostra o quanto o seu corpo tem tentado expressar algo que talvez ainda não encontrou palavras.

    Na psicanálise, costumamos escutar o corpo como um mensageiro do que não foi dito. Muitas vezes, aquilo que não conseguimos nomear com clareza (dúvidas, pressões, conflitos internos) se manifesta de forma sensível no corpo. Ele fala quando algo dentro de nós precisa ser escutado.

    Você mencionou estar em dúvida sobre o que sente. E isso é muito importante: reconhecer a dúvida já é um primeiro passo, pois ela indica que algo está pedindo atenção, que algo dentro de você está buscando ser compreendido. A psicanálise pode te ajudar justamente nesse caminho, não com respostas prontas, mas oferecendo um espaço de escuta onde, pouco a pouco, você possa encontrar suas próprias palavras e significados para o que está vivendo.

    Se sentir que faz sentido, podemos conversar mais sobre isso em um processo terapêutico. Um espaço seguro, sigiloso e respeitoso, onde sua fala será acolhida sem julgamento, e onde essas sensações poderão ser escutadas com o cuidado que merecem.

    Fico à disposição para te acompanhar nessa escuta de si.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.