As disfunções sensoriais são um sintoma central do transtorno de personalidade borderline (TPB) ?

3 respostas
As disfunções sensoriais são um sintoma central do transtorno de personalidade borderline (TPB) ?
Dra. Leticia Sanches de Castilho
Psicanalista, Psicólogo
São Paulo
As disfunções sensoriais não são um sintoma central do transtorno borderline, mas são muito comuns. Muitas pessoas com TPB relatam hipersensibilidade a sons, toques ou estímulos visuais, o que intensifica a instabilidade emocional. Embora não esteja nos critérios diagnósticos, essa sensibilidade pode agravar os sintomas e merece atenção no tratamento.

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Olá, as disfunções sensoriais não fazem parte dos critérios diagnósticos do transtorno de personalidade borderline. No entanto, algumas pessoas com TPB podem apresentar uma sensibilidade maior a estímulos, principalmente quando estão emocionalmente desreguladas ou sob estresse. Além disso, se houver condições associadas, como transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade ou TEA, as alterações sensoriais podem se tornar mais evidentes.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Não, as disfunções sensoriais não costumam ser consideradas um sintoma central do transtorno de personalidade borderline. O núcleo do TPB está mais relacionado à instabilidade emocional, impulsividade, medo intenso de abandono, oscilações nos vínculos, alterações na autoimagem e dificuldade importante de regulação afetiva. A sensibilidade sensorial pode aparecer em algumas pessoas, mas ela não é um critério central do diagnóstico.

Esse é um ponto importante, porque às vezes uma experiência clínica que chama muita atenção acaba parecendo “o centro do problema”, quando na verdade pode ser um fator associado. Em outras palavras, a sobrecarga com barulho, toque, luz, movimento ou certas sensações corporais pode existir, mas sozinha não aponta para TPB. O cérebro, em estados de alta ativação emocional, pode ficar mais sensível a estímulos, como se o sistema de alerta estivesse trabalhando horas extras. Isso ajuda a entender por que algumas pessoas com sofrimento emocional intenso também relatam maior incômodo sensorial.

Ao mesmo tempo, é preciso cuidado para não misturar fenômenos diferentes. Disfunções sensoriais também podem aparecer em outras condições clínicas e, por isso, uma avaliação séria precisa diferenciar o que é traço do funcionamento emocional, o que é resposta ao estresse e o que pode estar ligado a outro quadro. Quando esse desconforto sensorial aparece, ele costuma surgir mais em momentos de tensão, conflito, cansaço ou sensação de rejeição? Você percebe se isso vem junto de impulsividade, crises emocionais ou sensação de vazio? E essa sensibilidade está presente desde muito cedo ou ficou mais forte em fases específicas da vida?

Na prática clínica, o mais útil não é olhar apenas para o rótulo, mas entender como esses elementos se organizam na vida da pessoa. A psicoterapia pode ajudar bastante a separar o que é gatilho emocional, o que é hipersensibilidade ao ambiente e o que mantém esse ciclo funcionando. Se houver dúvidas diagnósticas relevantes, dependendo do caso, também pode ser pertinente uma avaliação complementar com psiquiatra ou neuropsicólogo. Caso precise, estou à disposição.

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