Perguntas do paciente (16)

  • Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do

    Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
    eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Pelo que você descreve, seu sofrimento está interferindo bastante em atividades básicas, na autonomia e na sua rotina. Numa situação assim, é importante que haja uma avaliação mais próxima da equipe de saúde mental, porque a necessidade de internação não é definida apenas pela intensidade da tristeza, mas por fatores como risco de suicídio ou autoagressão, dificuldade importante de cuidar de si, presença de sintomas graves e possibilidade de realizar o tratamento com segurança fora do hospital.

    Como você já frequenta o CAPS e utiliza antidepressivo, eu recomendaria contar à equipe exatamente o que escreveu aqui e solicitar uma reavaliação do seu tratamento. Além do acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia pode trabalhar gradualmente a retomada de atividades, autonomia, rotina e objetivos como voltar a trabalhar.

    Se estiver tendo pensamentos de se machucar, de morrer ou sentir que não consegue se manter em segurança, procure imediatamente o CAPS, uma UPA/pronto atendimento ou ligue para o SAMU (192). Em situações de crise emocional, o CVV também atende pelo 188.


  • Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz

    Eu tava tomando sertralina parei uma semana, voltei tomar tem 14 dias tô sentindo dor de cabeça faz 6 dias e não passa é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    A dor de cabeça pode ocorrer em algumas pessoas durante o uso da sertralina e também pode aparecer após interrupções e retomadas da medicação. Porém, como você ficou uma semana sem tomar, reiniciou há 14 dias e a dor já persiste há 6 dias, não é possível afirmar por aqui que ela esteja sendo causada pela sertralina ou que seja algo esperado.

    O mais indicado é entrar em contato com o médico que prescreveu a medicação e relatar exatamente como ocorreu essa interrupção e retomada. Evite suspender novamente, alterar a dose ou fazer ajustes por conta própria.

    Caso a dor esteja muito intensa, esteja piorando ou venha acompanhada de sintomas como desmaio, confusão, alteração da visão, fraqueza ou vômitos persistentes, procure atendimento médico presencial.


  • A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergo

    A meditação de olhar na vela ela pode acalmar um sentimento muito forte de depressão ou de uma vergonha? Tipo ter bebido anoite e acordar com aquela melancolia de lembrar coisas feias que fiz? e ela altera as ondas cerebrais também ? ou permanece em Beta??

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Olhar atentamente para a chama de uma vela pode funcionar como um exercício de atenção e ajudar algumas pessoas a reduzir momentaneamente a agitação e se conectar mais com o presente. Porém, isso não deve ser entendido como tratamento isolado para depressão ou para sentimentos intensos de culpa e vergonha.

    No exemplo que você trouxe, o consumo de álcool também pode contribuir para alterações de humor, ansiedade e maior sensibilidade emocional no dia seguinte. Nesses momentos, além de uma técnica de relaxamento, pode ser importante compreender o que aconteceu, observar os pensamentos que surgem e diferenciar um comportamento do julgamento sobre quem você é.

    Em relação às ondas cerebrais, práticas meditativas podem estar associadas a mudanças nos padrões de atividade cerebral, inclusive em frequências como alfa e teta, mas o cérebro não fica simplesmente “em Beta” ou muda para uma única frequência. Mais importante do que buscar determinada onda cerebral é perceber se a prática está ajudando na regulação emocional e no modo como você lida com a situação.

    Se essa melancolia, culpa ou vergonha estiver acontecendo com frequência ou ficando muito intensa, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender melhor esse padrão e desenvolver outras formas de enfrentamento.


  • Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coi

    Oi eu costumo pensar coisas que eu quero,como ser parecida com as pessoas das revistas ou ter as coisas das revistas que tive ou tenho e costumo anotar num papel, antes eu guardava mas agora jogo fora,e isso está me deixando ansiosa,pois eu esqueço das coisas importantes, mesmo sabendo que essas coisas não são reais eu sinto tipo um impulso pra isso, isso é normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Pensar em coisas que gostaria de ter, em como gostaria de ser ou até se comparar com pessoas de revistas e redes sociais é algo que pode acontecer com muita gente. O ponto de atenção é quando esses pensamentos começam a trazer ansiedade, ocupar muito espaço na sua cabeça ou gerar uma sensação de que você “precisa” anotar, mesmo sem querer.

    Pelo que você descreve, parece que isso já está começando a incomodar e até atrapalhar sua atenção para coisas que considera mais importantes. Isso não significa, por si só, que você tenha algum transtorno, mas é um sinal de que vale a pena olhar com mais cuidado para esse padrão.

    Uma pergunta que pode ajudar é: “O que eu sinto que pode acontecer se eu não anotar?” Às vezes, entender o que vem antes dessa vontade de escrever e como você se sente depois ajuda bastante a perceber por que esse comportamento está se repetindo.

    Se essa ansiedade e essa sensação de impulso estiverem ficando frequentes ou difíceis de controlar, conversar com um psicólogo pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo e encontrar formas mais leves de lidar com esses pensamentos.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Faz sentido ter esse receio, principalmente quando você percebe que algumas características suas podem chamar atenção ou ser interpretadas de formas diferentes dependendo do ambiente. Mas uma coisa importante é separar duas coisas: quem você é e o que você imagina que os outros podem pensar sobre você.

    Quando o medo da rejeição fica muito forte, é comum começarmos a nos vigiar demais, esconder qualidades, medir palavras e até diminuir aspectos de nós mesmos para evitar críticas ou zombarias. O problema é que, com o tempo, isso pode trazer bastante ansiedade e uma sensação de não estar sendo você de verdade.

    Um caminho possível é começar aos poucos: observar em quais ambientes você se sente mais seguro, permitir-se mostrar essas características de forma natural e perceber o que realmente acontece, em vez de partir sempre da expectativa de rejeição. Nem toda pessoa vai gostar do nosso jeito, mas isso é diferente de precisar se diminuir para ser aceito.

    Também pode ajudar perguntar a si mesmo: “Estou ajustando meu comportamento porque isso combina comigo ou porque estou com medo do julgamento?” Essa diferença costuma dizer muita coisa.

    Se esse medo estiver limitando sua forma de se relacionar, se expressar ou se posicionar, a psicoterapia pode ajudar bastante a trabalhar essa insegurança e construir uma relação mais tranquila com a opinião dos outros.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Talvez o primeiro passo seja mudar um pouco a pergunta: em vez de pensar apenas em “como ser interessante”, pode ser mais útil pensar em “que tipo de pessoa eu gostaria de ser e que tipo de vida eu gostaria de construir?”

    Quando você começa a investir em coisas que realmente fazem sentido para você — cuidar da saúde, ter interesses próprios, aprender coisas novas, cultivar relações, desenvolver sua forma de se comunicar, cuidar da aparência do jeito que gosta e se permitir experimentar — você tende a se sentir mais interessante para si mesmo.

    E isso costuma aparecer também nas relações. Pessoas que demonstram curiosidade, sabem ouvir, têm interesses próprios, conseguem falar sobre o que gostam e não precisam o tempo todo provar o próprio valor geralmente se tornam mais agradáveis de estar por perto.

    Também é importante lembrar que ser atraente não significa agradar todo mundo. Parte de construir segurança em si mesmo é conseguir reconhecer suas qualidades sem depender tanto da aprovação externa.

    Uma boa pergunta para se fazer pode ser: “Se ninguém estivesse me avaliando, quais características eu gostaria de desenvolver em mim?” A resposta pode dizer bastante sobre o caminho que vale a pena seguir.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    O desconforto com a incerteza pode aparecer tanto no perfeccionismo quanto na ansiedade e, sozinho, não significa que exista um TOC. Às vezes a pessoa sente que precisa ter certeza de tudo, revisar bastante, pensar muito antes de decidir ou buscar garantias para conseguir se acalmar.

    Eu começaria a prestar mais atenção quando surgirem pensamentos, imagens ou dúvidas que voltam repetidamente e causam bastante incômodo, acompanhados de uma sensação de que você precisa fazer alguma coisa para aliviar aquilo — por exemplo, conferir, repetir, organizar, perguntar várias vezes, pesquisar excessivamente ou até realizar “rituais” apenas mentalmente.

    Outro sinal importante é perceber o quanto isso está tomando tempo e liberdade da sua vida. Você deixa de fazer coisas porque não consegue ter certeza? Precisa repetir comportamentos mesmo sabendo que talvez sejam excessivos? O alívio dura pouco e logo a dúvida volta? Quando esse ciclo começa a acontecer com frequência, vale investigar.

    O perfeccionismo e o TOC podem até se parecer em alguns pontos, mas não são a mesma coisa. E não é necessário esperar que os sintomas fiquem muito intensos para procurar uma avaliação. Um psicólogo pode ajudar a entender o que acontece quando a incerteza aparece, como você tenta diminuir esse desconforto e se essas estratégias acabam mantendo o problema.

    Mais importante do que tentar descobrir sozinho “se é TOC ou não” é observar o quanto esse padrão está trazendo sofrimento ou limitando sua vida.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    É possível mudar bastante a forma como uma pessoa acredita em certas ideias sobre si mesma, sobre os outros e sobre o mundo. Mas geralmente essa mudança não acontece como se a crença antiga fosse “apagada” da mente de uma vez por todas.

    Muitas crenças foram construídas ao longo de anos e podem voltar a aparecer em momentos de estresse, frustração, perdas ou insegurança. A diferença é que, depois de um bom processo terapêutico, a pessoa tende a reconhecê-las mais rápido e a não aceitá-las automaticamente como verdade.

    Por exemplo, alguém pode ter carregado por muito tempo a ideia de “não sou bom o suficiente”. Com o tempo, essa crença pode perder força e dar lugar a uma visão mais equilibrada de si. Em uma fase difícil, aquele pensamento antigo pode aparecer novamente, mas isso não significa necessariamente que todo o progresso foi perdido.

    Uma recaída também não quer dizer que a terapia “não funcionou”. Muitas vezes ela mostra que um padrão antigo foi ativado novamente e que é preciso retomar algumas estratégias aprendidas.

    Talvez seja mais útil pensar não em “nunca mais vou ter essa crença”, mas em “quando ela aparecer, ela ainda terá o mesmo poder sobre mim?”. Esse costuma ser um sinal bem mais importante de mudança.


  • Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,

    Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Entendo como isso pode assustar, principalmente depois de alguns meses se sentindo bem. O retorno de sintomas como angústia, coração acelerado, dor de cabeça e sensação de “ent Atalo” não significa necessariamente que a venlafaxina deixou de funcionar, mas merece atenção.

    Às vezes, períodos de maior estresse, mudanças na rotina, sono, alimentação, consumo de álcool ou outras situações podem contribuir para que sintomas de ansiedade ou depressão reapareçam. Também é importante verificar se houve alguma mudança na dose, horário de uso ou esquecimento da medicação.

    Como você já utiliza a venlafaxina há cerca de seis meses, o ideal é avisar o médico que acompanha seu tratamento e contar exatamente o que começou a acontecer nesses últimos três dias. Não aumente, diminua ou interrompa a medicação por conta própria.

    Enquanto isso, tente observar também o que estava acontecendo nos dias anteriores ao retorno dessas crises. Às vezes, identificar quando elas aparecem, o que você estava pensando e o que estava acontecendo naquele momento ajuda bastante a compreender o quadro.

    Se os sintomas ficarem muito intensos, principalmente se houver dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou pensamentos de se machucar ou de não querer mais viver, procure atendimento de urgência.


  • Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu

    Olá, boa noite.
    Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
    Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
    Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
    Eu deveria procurar ajuda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Sim, eu acho importante que você procure ajuda. O que você descreveu não parece ser apenas uma fase de desânimo comum, principalmente porque aparecem esse vazio persistente, a perda de vontade, a sensação de que o futuro ficou distante e, sobretudo, pensamentos de “acabar com tudo”.

    Você não precisa esperar piorar para buscar apoio. Um psicólogo pode te ajudar a entender melhor o que está acontecendo, inclusive essa sensação de que momentos felizes parecem não ter acontecido com você, e a construir formas de lidar com esse sofrimento. Também pode ser importante uma avaliação médica ou psiquiátrica, dependendo da intensidade dos sintomas.

    E tem uma parte da sua fala que merece atenção imediata: se esses pensamentos de acabar com tudo ficarem mais fortes, se você começar a pensar em como faria isso ou sentir que pode se machucar, não fique sozinho com isso. Procure alguém de confiança e vá a um CAPS, UPA ou pronto atendimento, ou ligue para o SAMU pelo 192. O CVV também oferece apoio pelo 188.

    O fato de você ter conseguido perceber tudo isso e perguntar se deveria procurar ajuda já é um passo importante. Você não precisa ter sua vida inteira planejada aos 18 anos para começar a cuidar do que está sentindo agora.


  • Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr

    Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Dá para entender esse pensamento. Quando a gente investe em alguém, cria vínculo e depois essa pessoa se afasta, isso pode dar a sensação de que todo aquele esforço não valeu a pena. E, depois de algumas experiências assim, é natural surgir a ideia de que seria mais seguro não depender de ninguém.

    Mas talvez exista uma diferença importante entre ser autossuficiente e se proteger de qualquer vínculo para não sofrer. Ter autonomia emocional é saudável. Conseguir ficar bem sozinho também. O problema começa quando a independência vira uma forma de evitar qualquer possibilidade de perda, rejeição ou saudade.

    Nem todo relacionamento precisa durar para ter sido importante. Algumas pessoas permanecem por muitos anos, outras acompanham apenas uma fase da nossa vida. Isso não torna o que foi vivido menos verdadeiro ou menos valioso.

    Também não precisamos procurar novas pessoas apenas para “preencher lacunas”. Novos vínculos podem surgir porque continuamos vivendo, conhecendo pessoas e compartilhando experiências. E é possível aprender a gostar de alguém sem transformar a permanência daquela pessoa em condição para ficar bem.

    Talvez uma pergunta interessante seja: “Eu realmente prefiro estar sozinho ou estou tentando não me apegar porque tenho medo de perder novamente?” Se a segunda possibilidade fizer sentido, pode valer a pena explorar isso com mais cuidado.


  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Quando o uso de pornografia começa a parecer difícil de controlar, ocupa muito tempo, interfere em relacionamentos, trabalho, estudos ou na vida sexual, vale olhar para isso com mais cuidado. Nem sempre é só uma questão de “falta de força de vontade”.

    Muitas vezes a pornografia acaba funcionando como uma forma rápida de aliviar ansiedade, solidão, tédio, frustração ou outras emoções difíceis. Por isso, simplesmente tentar “parar de uma vez” pode não ser suficiente se você não entender o que costuma levar ao comportamento.

    Um começo pode ser observar quando a vontade aparece, o que você estava sentindo antes e o que acontece depois. Também ajuda diminuir os gatilhos, evitar ficar muito tempo sozinho em situações em que o hábito costuma acontecer, criar outras formas de lidar com o tédio ou a ansiedade e estabelecer limites mais realistas de uso.

    Se você já tentou diminuir várias vezes e não consegue, ou sente que perdeu o controle sobre esse comportamento, a psicoterapia pode ajudar bastante. O objetivo não é te julgar ou simplesmente mandar “parar”, mas entender o que mantém esse ciclo e construir outras formas de lidar com ele.


  • Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Dormir com as mãos dobradas, naquela posição que ficou conhecida nas redes sociais como “mão de T-Rex”, não significa, por si só, que exista algum transtorno ou problema psicológico.

    Para muitas pessoas, é simplesmente uma posição confortável que o corpo assume durante o sono. Embora esse comportamento tenha sido bastante associado na internet a autismo, TDAH e outras condições, não é um sinal suficiente para indicar ou diagnosticar nenhuma delas.

    O que vale observar é se existem outros aspectos que estejam trazendo sofrimento ou dificuldades no dia a dia. Um diagnóstico nunca é feito a partir de um hábito isolado.

    E, se essa posição vier acompanhada de dor, formigamento, dormência ou perda de força nas mãos e braços, aí vale procurar uma avaliação médica, porque pode haver uma questão física relacionada à postura durante o sono.

    Então, se a única preocupação é acordar algumas vezes com a “mão de T-Rex”, provavelmente não há motivo para interpretar isso como sinal de algum transtorno.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Sim, pesquisar sintomas pode acabar atrapalhando, principalmente quando isso vira uma forma de tentar ter certeza do que está acontecendo. Quanto mais você pesquisa, mais atento fica a qualquer sensação do corpo, pensamento ou desconforto — e isso pode aumentar ainda mais a ansiedade.

    Às vezes se forma um ciclo mais ou menos assim: você sente medo, pesquisa para tentar se tranquilizar, encontra novos sintomas, começa a se observar mais, fica ainda mais ansioso e passa a evitar situações por medo de ter uma crise. O isolamento pode trazer um alívio imediato, mas também pode fazer esse medo crescer com o tempo.

    A terapia pode ajudar bastante justamente nisso: entender o que dispara essas crises, trabalhar o medo de sair de casa e, aos poucos, recuperar atividades que você deixou de fazer por causa da ansiedade. Também ajuda a aprender outras maneiras de lidar com a incerteza sem precisar recorrer constantemente às pesquisas.

    Sobre o escitalopram, é importante manter o acompanhamento com o médico que o prescreveu, porque o efeito não costuma ser imediato e a resposta varia de pessoa para pessoa. Não altere ou interrompa a medicação por conta própria.

    E tente não se cobrar para “voltar ao normal” de uma vez. Muitas vezes o caminho é ir retomando a vida aos poucos, com segurança, em vez de esperar o medo desaparecer completamente para então começar a sair novamente.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Pelo que você descreveu, dá para perceber que você não está passando apenas por um período de cansaço comum. Você relata mudanças importantes no humor, na vontade de fazer as coisas, na concentração, na memória, nos relacionamentos e até na forma como se percebe. Isso merece atenção e cuidado.

    Sim, alguns desses sintomas podem aparecer em quadros de depressão e ansiedade, inclusive essa sensação de “mente travada”, dificuldade para pensar, esquecer coisas simples, perder o interesse pelo que antes fazia sentido e querer ficar deitada o tempo todo. Mas não seria correto afirmar, apenas por esse relato, que você está com depressão. Outras questões também podem causar sintomas parecidos e precisam ser avaliadas.

    O que mais chama atenção é o quanto isso já está afetando sua vida: escola, namoro, convivência com outras pessoas e até tarefas simples. Nesse ponto, eu recomendaria procurar um psicólogo e também conversar com um médico para uma avaliação mais completa. Não precisa esperar piorar para buscar ajuda.

    E uma coisa importante: quando estamos muito ansiosos ou deprimidos, podemos começar a interpretar situações como “ninguém me quer por perto” ou “ele vai me deixar” como se fossem certezas. Esses pensamentos parecem muito reais naquele momento, mas nem sempre correspondem ao que de fato está acontecendo.

    Você não precisa descobrir sozinha o que tem antes de procurar ajuda. O primeiro passo pode ser justamente contar para um profissional tudo isso da mesma forma que você contou aqui.

    Se em algum momento aparecer vontade de morrer, de se machucar ou a sensação de que não consegue se manter segura, procure imediatamente um serviço de urgência, CAPS ou UPA, ou peça ajuda a alguém de confiança.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     José Filemom Rezende de Araújo

    Olá! Isso pode acontecer e, pelo que você contou, faz bastante sentido. Vocês passaram vários dias vivendo algo diferente do habitual: acordando juntos, compartilhando refeições, conversando, dormindo lado a lado e tendo uma rotina de casal mais próxima. Quando isso termina de repente, a volta para casa pode trazer uma sensação de contraste muito forte.

    Às vezes não é exatamente “estar mal em casa”, nem medo de perder a pessoa. É simplesmente sentir falta de uma experiência que foi muito boa e que você gostaria que durasse mais. Depois de alguns dias de muita proximidade, o silêncio e a ausência podem parecer maiores do que costumam parecer depois de um fim de semana comum.

    Sentir saudade, ficar mais emotiva ou até chorar nessa situação não significa, por si só, dependência emocional ou que exista algum problema no relacionamento. O mais importante é observar se, passado esse primeiro impacto da despedida, você consegue retomar sua rotina, aproveitar sua própria vida e continuar bem mesmo sentindo falta dele.

    Talvez essa tristeza também esteja mostrando algo bonito sobre o que você viveu: você gostou de dividir a vida cotidiana com ele, não apenas de “sair juntos”.

    Se essa sensação de vazio começar a durar muitos dias, ficar muito intensa ou fizer você perder o interesse pela sua rotina sempre que vocês se despedem, aí pode valer a pena olhar com mais cuidado para isso. Mas, da forma como você descreveu, parece muito mais uma saudade intensa depois de alguns dias de muita conexão do que necessariamente um sinal de que algo esteja errado.


Perguntas frequentes

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