Perguntas do paciente (13)
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Como o medo da rejeição afeta a vida de uma pessoa ?
Como o medo da rejeição afeta a vida de uma pessoa ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O medo da rejeição pode atravessar a vida de um sujeito como um eco constante do desejo de ser aceito, amado, reconhecido. É uma ferida que muitas vezes não se mostra de imediato, mas que age silenciosamente na forma como se criam vínculos, como se evita a exposição, como se molda a própria existência para não incomodar, ou seja, para caber no 'desejo' do outro.
Entendemos que o sujeito é marcado desde o início por uma falta, e é nessa falta que o desejo se inscreve. Mas quando essa falta se torna sinônimo de não-valor, de recusa antecipada, de um “não sou suficiente”, o medo da rejeição pode paralisar. Faz com que o sujeito se antecipe ao abandono, muitas vezes se retirando antes mesmo que algo aconteça.
Esse medo não é frescura, não é drama: é dor. E essa dor merece ser escutada. Porque por trás do medo de ser rejeitado, há, quase sempre, o desejo profundo de ser acolhido tal como se é, sem precisar vestir máscaras ou fazer esforço para ser "gostável".
A boa notícia é que, ao longo de um processo analítico, esse medo pode deixar de ser um destino para se tornar apenas uma marca, que, uma vez nomeada, deixa de comandar em silêncio e permite ao sujeito ensaiar outras formas de se relacionar. Mais livres. Mais suas. Sem a dependência desse Outro.
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Por que o sentimento de raiva surge no luto? .
Por que o sentimento de raiva surge no luto? .
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A raiva, no luto, pode parecer deslocada, mas ela é real. É um dos muitos afetos que atravessam o sujeito quando se depara com a perda. Quando algo ou alguém significativo nos falta, o que entra em cena é o real da perda: aquilo que escapa, que não tem nome. A raiva pode vir justamente como uma tentativa de lidar com esse rompimento.
Ela pode se dirigir ao outro que partiu, ao Outro que “permitiu” que a perda ocorresse, ao próprio sujeito que ficou, ou mesmo a tudo ao redor que continua existindo como se nada tivesse acontecido. No fundo, a raiva é uma reação à 'impotência': diante da impossibilidade de mudar o curso das coisas, de resgatar o que se perdeu, a pessoa se defende, e às vezes ataca.
Não buscamos calar essa raiva. Acolhemos o que ela expressa, porque por trás dela há uma dor, um amor interrompido, um desejo sem resposta. A raiva pode ser um modo de permanecer em relação com o que foi perdido. E escutá-la, em vez de julgá-la, é um passo importante nesse percurso único e particular que é o luto.
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. Que tipos de pensamentos negativos podem ocorrer no luto?
. Que tipos de pensamentos negativos podem ocorrer no luto?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O luto é uma travessia, e, como toda travessia, é feita de muitos caminhos: alguns silenciosos, outros barulhentos. Durante esse processo, pensamentos negativos podem surgir como visitantes inesperados, às vezes disfarçados de culpa, de raiva, de questionamentos incessantes. "E se eu tivesse feito diferente?", "por que comigo?", "nunca mais vou conseguir seguir".
Na lógica do inconsciente, o luto não é só sobre quem ou o que se foi — é também sobre o pedaço de nós que se vai junto. A perda convoca o sujeito a se deparar com a falta, com o real da ausência, com a impossibilidade de resposta. E é nesse ponto que pensamentos negativos podem se intensificar: há o desejo de voltar no tempo, de negar o que é irreversível, de encontrar um culpado (nem que esse culpado seja o próprio sujeito).
Na escuta, não buscamos silenciar esses pensamentos, mas dar lugar a eles. Escutar o que cada dor quer dizer, o que insiste ali como resto de uma história que precisa ser contada, ou pelo menos olhada. Não se trata de apagar o sofrimento, mas de não deixar que ele fale sozinho, e assim começarmos então, elaborar o luto.
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Como a saúde mental pode ser melhorada para quem convive com Transtorno de Personalidade Borderline
Como a saúde mental pode ser melhorada para quem convive com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e com o sentimento de menos-valia ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Conviver com o Transtorno de Personalidade Borderline é, muitas vezes, viver num território afetivo de extremos, onde o amor pode se transformar em dor num piscar de olhos, e a presença do outro pode significar tanto salvação quanto ameaça. Quando a menos-valia aparece nesse cenário, não se trata apenas de “baixa autoestima”, mas de uma experiência profunda de não se sentir digno de amor, de reconhecimento, de lugar no mundo.
Na escuta psicanalítica, o que buscamos não é apagar esses afetos, mas dar-lhes espaço. Permitir que o sujeito diga de si, do que dói, do que transborda, do que pulsa demais ou de menos. A melhora da saúde mental não está numa promessa de estabilidade total, porque isso seria desrespeitar a singularidade de cada um, mas sim na possibilidade de sustentar uma travessia: de construir um modo mais próprio de estar no mundo, com seus limites e suas potências.
A pessoa borderline, como qualquer sujeito, não é o diagnóstico que carrega. Ele é atravessado por uma história, por traumas, por faltas, por desejos que às vezes não encontram escuta. E é nessa escuta, livre de julgamento e aberta ao singular, que algo pode começar a se transformar. Não se trata de curar o que não tem cura, mas de possibilitar um encontro consigo mesmo, onde o valor não é medido por normas externas, mas pelo que é possível 'sustentar' de desejo, de laço, de vida.
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Como posso reprogramar meu cérebro para pensar positivamente?
Como posso reprogramar meu cérebro para pensar positivamente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A ideia de “reprogramar o cérebro” para pensar positivamente parte de uma lógica que muitas vezes nos distancia de nós mesmos. Como se fosse possível apagar a tristeza, recalcular a rota dos afetos, e viver só no lado ensolarado da vida. Mas o ser não é uma máquina que se reprograma, é um enigma complexo que sente de tudo. E podemos começar a pensar a partir daqui por que não queremos sentir tais sentimentos, como por exemplo, a angústia?
Na clinica, não buscamos impor pensamentos positivos, mas sim criar um espaço onde o sujeito possa nomear o que sente, ainda que seja dor, medo, vazio ou contradição. Porque só o que é reconhecido pode, de fato, ser transformado. A positividade forçada muitas vezes silencia o que precisa ser dito, e na psicanálise, acreditamos que há potência em escutar até mesmo aquilo que parece negativo.
Pensar diferente, e sentir diferente, não acontece por comando, mas por atravessamento. Às vezes é preciso poder falar do que dói para que o desejo possa surgir novamente, mesmo que aos poucos, mesmo que de outro modo.
Não se trata de pensar sempre positivo, mas de encontrar um jeito mais verdadeiro de viver com aquilo que nos habita.
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Psicoterapia é só para quem tem problema psicológico ?
Psicoterapia é só para quem tem problema psicológico ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A ideia de que só quem tem um "problema" faz terapia é muito comum, mas bastante limitada. A psicoterapia não serve só pra "consertar" algo que está quebrado. Ela é, antes de tudo, um espaço pra escutar aquilo que muitas vezes nem a gente sabe colocar em palavras.
Tem quem procure porque está em sofrimento, sim. Mas também tem quem vem porque está em dúvida, porque quer se entender melhor, porque sente que está repetindo os mesmos padrões, ou simplesmente porque quer ter um espaço só seu, onde possa falar sem medo de julgamento, sem precisar agradar, onde possa ser escutado de verdade.
Na psicanálise, a gente entende que todo mundo carrega alguma questão, mesmo que não tenha um diagnóstico. Porque viver, desejar, se relacionar... tudo isso é complexo. E poder falar sobre isso, ser escutado, é um alivio enorme.
Em resumo: não é preciso estar "doente" pra procurar terapia. Basta ser humano, um sujeito.
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Quais fatores do ambiente que podem afetar a saúde mental das pessoas?
Quais fatores do ambiente que podem afetar a saúde mental das pessoas?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olha, essa é uma pergunta muito legítima.
A gente entende que o sujeito não é algo isolado, fechado em si mesmo, mas se constitui no e pelo laço com o outro. Isso quer dizer que o ambiente, os vínculos e a linguagem que nos atravessam têm um impacto profundo na forma como a gente vive e sente o mundo.
Fatores como relações familiares, exigências sociais, o ritmo acelerado da vida contemporânea, a cobrança por desempenho, padrões de sucesso, o isolamento, o racismo, o preconceito, tudo isso (que vem de fora) se inscreve na nossa história de uma forma muito íntima. E cada um vai responder a esses atravessamentos de um jeito muito próprio.
Uma das coisas que talvez seja, se não a mais, difícil, é quando o sujeito sente que não tem espaço pra ser ele mesmo. Quando não consegue se expressar de verdade, que sente que não pode falar o que pensa ou sente, ou vive em um ambiente onde o jeito dele de ser é sempre colocado em dúvida ou apagado. Isso vai, aos poucos, machucando por dentro. E aí a saúde mental começa a dar sinais de sofrimento.
Por isso, mais do que pensar o ambiente como algo genérico, é importante ouvir o teu modo de viver esse ambiente. O que nele te toca? O que nele te oprime? O que te convoca ou te paralisa? Essas perguntas podem abrir um caminho.
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Qual é o impacto da influência parental na saúde mental de uma pessoa ?
Qual é o impacto da influência parental na saúde mental de uma pessoa ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Essa é uma pergunta que toca num ponto bem sensível para qualquer sujeito. A influência dos pais ou de quem ocupou esse lugar de referência na infância, cujo tem um peso enorme na forma como a gente se enxerga, se relaciona com os outros e com o mundo.
Na psicanálise, a gente entende que não se trata só do que os nossos cuidadores fazem ou deixam de fazer, mas da maneira como o sujeito interpreta, sente e carrega essas experiências.
Por exemplo, quando a criança cresce num ambiente onde sente que precisa sempre agradar ou corresponder a certas expectativas, sem muito espaço pra ser quem ela é de verdade, isso pode continuar se repetindo e repercutindo na vida adulta. Às vezes, os cuidadores fazem isso sem perceber, achando que estão ajudando. Em outros casos, pode ser a falta de atenção, o distanciamento... ou até uma presença muito controladora que acaba deixando pouco espaço pra criança se desenvolver do seu jeito.
A questão é que ninguém sai “ileso” da infância, mas isso não quer dizer que estaremos condenados a repetir sofrimentos. Pelo contrário: quando começamos a olhar para essas marcas, entender como elas ainda nos afetam, podemos fazer algo novo com isso. A escuta terapêutica serve exatamente para isso: dar um lugar ao que ficou escondido ou mal digerido. E permitir, aos poucos, que o sujeito se aproxime mais de quem ele realmente é e não só do que esperavam que ele fosse.
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Meu nome é Lucas, tenho 19 anos e sou diagnosticado com TOC e tenho sintomas desde os 14 anos. Mas o
Meu nome é Lucas, tenho 19 anos e sou diagnosticado com TOC e tenho sintomas desde os 14 anos. Mas ontem aconteceu algo que, mesmo tomando medicação não consegui evitar a ruminação, pois envolve algo extremamente repulsivo e nojento.
Estava assistindo ao filme IT de 1990 e em certa parte do filme vi uma personagem menina que faz parte do filme e achei a roupa dela, o estilo e ela em si bonita, mas não no sentido sexual, apenas achei fofa como você acha uma criança. Mas aí começou pensamentos de que eu tinha sentido atração e excitação e quanto mais eu pensava nisso mais eu tinha uma falsa sensação de excitação (não sei como descrever, mas era um calor genital que não me deixava excitado mas sim ansioso e paranóico). Tive que parar de assistir o filme e verificar constantemente se eu tinha alguma excitação e mesmo vendo que não tinha eu fiquei me sentindo culpado pois na minha cabeça aquela sensação era de fato uma excitação.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Lucas, o que você viveu ontem não faz de você uma pessoa ruim, muito menos alguém "nojento". O que você está descrevendo tem características muito claras do que chamamos de obsessões com conteúdo intrusivo, algo que aparece com frequência no TOC.
Na sua fala, você deixa algo muito importante evidente: não houve desejo sexual real, mas sim uma percepção inocente, você achou a personagem fofa, simpática, bem vestida, e de repente sua mente transformou isso num cenário de pânico. Isso é típico do TOC: ele sequestra pensamentos neutros ou inofensivos e os distorce, transformando-os em algo que te assusta, que bate na sua moral, na sua identidade, e que parece incontrolável.
Esse “calor” que você sentiu, essa sensação corporal, não significa excitação real, mas sim ansiedade — o corpo responde a essa avalanche de angústia. O TOC faz isso: ele mistura sensações físicas, pensamentos e culpa, e cria um círculo vicioso em que você se vê obrigado a verificar, questionar, tentar “ter certeza” tipo como você fez ao parar o filme e tentar controlar o que estava sentindo. E quanto mais se tenta ter certeza... mais distante essa certeza fica.
Na psicanálise, a gente não tenta apagar esses pensamentos, mas abrir espaço para escutá-los com profundidade, não para confirmar que são "reais" ou "falsos", mas para entender o que te toca neles, por que te angustiam tanto, o que isso mobiliza dentro de você. Porque o problema não é o pensamento em si, mas a relação que se constrói com ele, e isso, sim, pode ser trabalhado.
Lucas, você é maior que esses pensamentos. Você está tomando medicação, está buscando ajuda, está se observando com atenção, isso já mostra responsabilidade, cuidado e vontade de se compreender. O que num processo de análise, pode ser muito potente.
Você não está sozinho. E você não é o que o TOC tenta te convencer que é.
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Eu as vezes sinto como se fosse uma crise onde sinto muita vontade de chorar, não consigo respirar d
Eu as vezes sinto como se fosse uma crise onde sinto muita vontade de chorar, não consigo respirar direito, me sinto vazia, solitária com uma dor no fundo do coração horrível. Sou diagnosticada com depressão e TAG. Tive duas crises até agora. A primeira faz dois anos e acho que o gatilho foi uma cena que vi onde tinha um garoto chorando. Nessa segunda crise não teve gatilho nenhum, eu estava assistindo o show da lady gaga. Primeiro senti dor de cabeça e depois veio a crise. No outro dia ainda estava sentindo vontade de chorar e solidão. Gostaria de saber que tipo de crise é essa. Ela dura alguns minutos mas é horrível.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, queria agradecer por dividir algo tão importante. Não é fácil falar de uma angústia que parece não caber em palavras e você está conseguindo fazer isso. Isso já é um passo muito corajoso.
O que você descreve tem o peso de uma experiência que vai além do racional. É como se algo tomasse o corpo todo: a dor no peito, a falta de ar, o choro que parece não ter fim, o vazio. E quando você diz que não houve gatilho, isso é algo que escutamos com frequência em quem vive com depressão e transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Às vezes, o que dispara a crise não é algo externo, visível, mas algo que se move lá dentro, uma lembrança, uma falta, uma marca que talvez você mesma ainda nem consiga nomear.
É importante dar nome para o que sentimos, porque assim compreendemos melhor e damos um sentido para isso. Não um sentido lógico ou simples, mas um sinal de que algo está pedindo escuta, que há uma parte sua que está sofrendo e precisa ser cuidada, não ignorada.
O que você sente é real. Não é exagero. Não é "drama". Não é fraqueza. É dor. E essa dor merece acolhimento, não julgamento.
Se puder, procure retomar o acompanhamento terapêutico, caso esteja afastada, e leve essa experiência para ser escutada com calma, no tempo certo. Você não precisa carregar isso sozinha. Há caminhos, e você já começou a caminhar quando teve coragem de falar sobre.
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Olá! Sou uma Jovem tímida, acredito que isso seja que por causa do bullying que passei que eram lig
Olá!
Sou uma Jovem tímida, acredito que isso seja que por causa do bullying que passei que eram ligados mais com a minha aparência, fui muitas vezes zoada por ser considerada feia e isso afetou a minha autoestima isso desde da infância. Hoje melhorei um pouco a minha aparência, mas ainda me sinto muito tímida e não sou muito de falar e acho que me julgo demais. Antigamente era pior, pois, não tinha coragem de perguntar as coisas e agora até consigo, mas não tenho uma boa comunicação. Parece que fico mais travada com desconhecidos e quando falam que sou tímida eu fico um pouco decepcionada por não ter conseguido mudar ainda e eu tenho 21 anos e tenho receo de não ser aceita no mercado de trabalho por ser mas quieta, já tive uma experiência não muito positiva e me faz
acreditar que foi por ser mais introvertida.
O bullying do passado ainda me deixa insegura e me faz não me sentir aceita e quando tento se um pouco diferente e falar minhas ideias os comentários negativos não me ajudam.
Não quero mudar apenas pelos outros, mas por mim, quero ser mas confiante e falar mais o que penso.
O que posso fazer para melhorar isso e me sentir melhor mesmo sendo tímida ?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá :) que bom que você teve coragem de escrever isso. Falar sobre o que dói já é um passo imenso e você já está caminhando, mesmo que não pareça.
Ser tímida não é um defeito. Mas o que parece te doer não é exatamente a timidez em si, né? É o que vem junto com ela: o medo de não ser aceita, a dúvida se tem valor, a sensação de que está sempre sendo julgada... Tudo isso parece ter se enraizado lá atrás, quando você ainda era muito nova, e foi marcada por situações de bullying que deixaram feridas bem profundas. E mesmo que hoje você diga que a aparência mudou um pouco, essas marcas internas ainda estão aí. E fazem sentido, porque ninguém sai ileso de ser machucada tantas vezes.
Na psicanálise, a gente não tenta "consertar" ninguém. A gente escuta. E nessa escuta, pouco a pouco, você pode começar a se ouvir também, a entender de onde vem essa cobrança, esse medo, esse desejo de mudar e, ao mesmo tempo, essa dificuldade de se permitir ser quem é.
Você não precisa "deixar de ser tímida" pra ter valor, pra ter espaço no mercado de trabalho, ou pra ser respeitada. O que talvez possa te ajudar é ir se fortalecendo por dentro, reconhecendo o que você já conquistou (porque sim, você já conquistou muito), e percebendo que comunicar-se bem não é falar alto ou muito, mas conseguir dizer o que importa pra você, mesmo que aos poucos, mesmo que com um pouco de tremor na voz.
Você não está sozinha. E o fato de estar buscando se entender melhor já mostra uma força imensa dentro de você.
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No meu primeiro casamento eu fui traído pela minha esposa e agora estou no meu segundo casamento, de
No meu primeiro casamento eu fui traído pela minha esposa e agora estou no meu segundo casamento, de lá pra cá ando sentindo desejo de ver minha esposa ter relação sexual com outro homem, será que a traição que tive no casamento anterior desencadeou algo em mim?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olha, antes de qualquer coisa, é importante dizer que o que você está sentindo não é algo "errado" ou "estranho". Desejos, fantasias, pensamentos... tudo isso faz parte da experiência humana e nem sempre segue uma lógica clara ou socialmente/moralmente aceita. O que a psicanálise propõe é escutar isso sem moralizar, tentando entender de onde isso fala em você (dentro de você).
Quando você me conta que foi traído no primeiro casamento e agora sente desejo de ver sua esposa com outro homem, isso me faz pensar em como experiências marcantes (especialmente as que nos atravessam com dor) podem deixar marcas inconscientes. Às vezes, a fantasia aparece como uma forma de dar sentido, de transformar uma ferida em algo que você "controla", "escolhe", mesmo sem perceber. Mas isso não quer dizer que é só sobre a traição passada.
Não há respostas prontas, mas com a escuta, poderíamos falar mais sobre isso; o que você sente quando essa fantasia aparece? Qual é o papel que você ocupa nela? O que ela te faz sentir (poder, medo, excitação, angústia?) É isso que pode nos levar a entender o que está por trás disso, pra além do fato em si.
Não se trata de explicar tudo com base no passado, mas de abrir espaço pra que você mesmo possa se escutar e descobrir o que esse desejo quer te dizer, porque cada desejo, por mais estranho que pareça, carrega uma verdade muito íntima de quem somos.
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Me masturbei durante o banho banho e me senti sujo e mal porque meu irmão estava em outro cômodo e m
Me masturbei durante o banho banho e me senti sujo e mal porque meu irmão estava em outro cômodo e mesmo que eu estivesse no banho, de porta fechada eu me sinto mal por ele estar "próximo" de certa forma e não consigo parar de sentir essa culpa, como se eu fosse alguém nojento. O que fazer? Sou diagnosticado com TOC
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, quero te agradecer por trazer algo tão íntimo. Falar sobre isso já é um passo muito importante e não, você não é nojento.
A masturbação é uma prática comum, natural, e faz parte da sexualidade humana. Mas o que você está descrevendo vai além do ato em si, tem a ver com como você se sente depois, com a culpa, com o julgamento que vem logo depois da experiência. E isso merece ser escutado com muito cuidado.
Você menciona que tem diagnóstico de TOC, e isso é importante, porque esse transtorno muitas vezes faz com que pensamentos intrusivos, sentimentos de culpa exagerados e a sensação de "impureza" ou "contaminação" surjam mesmo quando a pessoa racionalmente sabe que não fez nada de errado. O TOC pega justamente nesse ponto: ele te convence de que algo está profundamente errado, mesmo quando não está.
Na psicanálise, a gente se interessa pelo que esse sentimento de "sujeira" ou "nojo" quer dizer pra você. Por que essa proximidade com seu irmão, ainda que ele estivesse em outro cômodo, mexeu tanto com você? O que foi que se ativou ali? Essas perguntas não têm respostas prontas, mas merecem espaço para serem pensadas, faladas, escutadas com alguém que possa te acolher sem julgamento.
O que você pode fazer agora é não se calar diante disso. Buscar escuta, ajuda, seja retomando sua análise ou terapia, isso é um jeito de sair do isolamento que o TOC e a culpa podem provocar. E de pouco a pouco, ir reconstruindo sua relação com o seu corpo, com o seu desejo e com seus próprios limites, entendendo que sentir prazer não é algo vergonhoso, e que você não está sozinho nessa experiência.
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Perguntas frequentes
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olá. ha exatos 3 meses tive uma crise de panico apos anos bem, contexto no qual minha psiq associou
A resposta à quetiapina não depende apenas da dose e não é possível afirmar…