Sou pedagoga e atuo como orientadora educacional dos alunos do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II

13 respostas
Sou pedagoga e atuo como orientadora educacional dos alunos do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental II em uma escola bilíngue de alto desempenho. Entre minhas funções, trabalho diretamente na adaptação de avaliações para alunos com necessidades específicas de aprendizagem.

Atualmente, estou enfrentando um desafio na adaptação de uma atividade avaliativa de ditado de palavras do currículo de Língua Inglesa para alunos com dislexia. Pensei em sugerir que, em vez de escrever as palavras ditadas, os alunos escolham a forma correta entre três opções com grafias semelhantes. Gostaria de saber se essa adaptação é adequada e benéfica para o desenvolvimento da aprendizagem desses alunos.

P.S.: Os alunos com dislexia (atualmente cinco no total – dois do 6º ano e três do 7º ano) realizam as provas em sala separada, com o suporte de um professor ledor.
 Ketlyn  Garcia
Psicopedagogo, Psicanalista
São Caetano do Sul
Primeiramente, Parabéns por sua iniciativa em buscar soluções para a adaptação de atividades avaliativas.
Essa sua estratégia é extremamente adequada. Na Dislexia, normalmente temos grande dificuldade na soletração, seja na língua portuguesa ou na língua estrangeira.
Outra estratégia, você poderia utilizar, seria misturar de forma aleatória as letras das palavras, e eles ordenarem a escrita, assim você estará contribuindo com a memória da escrita das palavras.

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 Vanessa Casaro
Psicólogo, Psicopedagogo
Ponta Grossa
Olá!

Sua ideia de adaptar a avaliação de ditado para alunos com dislexia, oferecendo três opções de grafias semelhantes para escolha, parece uma estratégia válida e pode ser benéfica, especialmente considerando as dificuldades que esses alunos enfrentam com a escrita e a memória ortográfica. Esse tipo de adaptação pode ajudar a reduzir a ansiedade e a frustração, permitindo que os alunos se concentrem na identificação da palavra correta, em vez de se perderem no processo de escrita.

No entanto, algumas coisas precisam ser consideradas para garantir que a adaptação seja eficaz:

Foco na identificação, não apenas na escolha: Ao oferecer três opções de grafias semelhantes, assegure-se de que as palavras não sejam tão semelhantes que causem confusão. As alternativas devem permitir que o aluno reconheça a palavra correta sem depender excessivamente de padrões de memorização.

Variedade de atividades: Para não limitar a aprendizagem dos alunos à escolha de alternativas, é interessante incluir outras estratégias de avaliação que também trabalhem a consciência fonológica e ortográfica, como leitura em voz alta, atividades de correspondência de palavras, e uso de recursos tecnológicos (como programas de leitura e escrita que ajudam na correção ortográfica).

Acompanhamento contínuo: Continue oferecendo suporte de um professor ledor para que os alunos possam fazer a prova em um ambiente tranquilo e com o tempo necessário. Isso já é um ótimo recurso, pois dá aos alunos um espaço mais adequado para processar a informação e responder de maneira mais confortável.

Avaliação do progresso: Avaliar se os alunos estão realmente compreendendo o conteúdo e desenvolvendo suas habilidades de leitura e escrita é fundamental. Caso perceba que eles ainda estão com dificuldades, é possível ajustar as estratégias, introduzindo abordagens mais direcionadas, como atividades de treino de leitura e escrita ou uso de tecnologias assistivas.

Essa adaptação pode ser uma boa solução temporária, mas deve ser parte de um plano mais amplo de intervenção, com foco no desenvolvimento das habilidades ortográficas e linguísticas desses alunos.

Caso precise de mais alguma orientação ou ajuste, estou à disposição!
 Liliane Andrade Ferrini
Psicólogo, Psicopedagogo
João Pessoa
Sua iniciativa de adaptar a avaliação para alunos com dislexia é muito válida e demonstra sensibilidade às necessidades deles. A sugestão de oferecer alternativas de palavras com grafias semelhantes em vez do ditado tradicional pode ser uma excelente estratégia, pois reduz a sobrecarga da escrita, permitindo que os alunos foquem no reconhecimento ortográfico e na discriminação visual das palavras, habilidades que precisam ser fortalecidas na dislexia.

Além dessa adaptação, algumas outras estratégias podem ser benéficas:

Uso de tecnologia assistiva – Se possível, permitir que os alunos utilizem um recurso de áudio para ouvir novamente as palavras e reforçar a relação entre som e grafia.
Ditado adaptado – Em vez do modelo tradicional, o aluno poderia reorganizar letras embaralhadas para formar a palavra correta ou completar palavras com lacunas, reduzindo a pressão da escrita completa.
Uso de cores ou marcadores visuais – Destacar padrões ortográficos com cores pode auxiliar no reconhecimento de palavras.
Flexibilidade na correção – Considerar o esforço do aluno e não penalizar erros que sejam característicos da dislexia, avaliando o progresso individual.
Se precisar de um acompanhamento mais específico para estruturar essas adaptações e garantir que atendam às necessidades individuais de cada aluno, posso ajudar com orientações personalizadas baseadas na psicopedagogia e na neuroeducação. Seu trabalho é essencial para a inclusão e o sucesso desses estudantes!
 Giovanna Mara Ferreira
Psicopedagogo
Jundiaí
Olá, tudo bem?
Acredito que a adaptação é super válida sim, porém com cautela analisando os resultados e o processo na aplicação.
Boa sorte!
Dra. Simone Vieira de Melo
Psicopedagogo, Terapeuta complementar
Uberlândia
Olá. Primeiro quero te parabenizar pelo comprometimento com a aprendizagem dos alunos. Isso é essencial para a qualidade do processo ensino aprendizagem. Como a dislexia traz vários desafios na questão da linguagem/ leitura e escrita, essa possibilidade é sim interessante. Contudo, observe o nível de dificuldade de cada estudante, pois, a depender dele, o aluno pode sentir que a dificuldade intensifica, ao aumentarem a quantidade de palavras para identificação... Assim, sugiro que você também inclua jogos, especialmente criados para esse fim. Os jogos permitem que a aprendizagem ocorra de forma mais leve, mantendo a qualidade e a consistência, pois trabalha conceitualmente, de forma lúdica. Existem propostas lúdicas desafiadoras e envolventes, montadas pelo próprio profissional que atua na adaptação, que auxiliam muito na superação dessas dificuldades. Vale a pena inserir nos atendimentos.
Prof. Cláudia Mara Padilha Mainieri
Fonoaudiólogo, Psicopedagogo
Curitiba

O suporte do professor ledor é perfeito, há também a estratégia de filmar os estudantes na avaliação em substituição da escrita
Prof. Bianca Carolina Zucherato
Psicopedagogo
São Paulo
Olá! Sua proposta é excelente e demonstra sensibilidade pedagógica e compromisso com a inclusão. A substituição do ditado escrito por uma atividade de reconhecimento entre grafias semelhantes pode sim ser uma estratégia eficaz, pois respeita as principais dificuldades fonológicas da dislexia, ao mesmo tempo em que mantém a intencionalidade pedagógica da tarefa.

Sugiro apenas garantir que as alternativas estejam visualmente bem espaçadas, evitando confusões visuais, e que os itens tragam regularidades fonológicas que ajudem na consolidação da aprendizagem.

Em nossa clínica, oferecemos também supervisão psicopedagógica, bem como apoio à pais e professores.
Estamos à disposição para atendimento Online e Presencial, se quiser agendar uma consulta inicial gratuita.
Prof. Cindia Lopes Figueiredo
Psicopedagogo
Piabeta
Bom dia, sim é correta. E pode acontecer que lara cada um dos 5 vc tenha que fazer de formas diferentes pois nem sempre a atividade vai atender a todos.
 Rita Bastos
Psicopedagogo
Salvador
Olá querida,

Pode sim, o objetivo da questão é saber se ele domina a escrita das palavras e as identifica.
Fica tranquila que está tudo bem, pois durante as aulas e outras atividades ele poderá demonstrar também essa aquisição de conhecimentos.

Um grande abraço e bom trabalho.
Dra. Fabiana Almeida Sales
Psicopedagogo
Rio de Janeiro
Sim — transformar um ditado de escrita (produção) em uma tarefa de escolha entre 3 opções (reconhecimento) pode ser uma acomodação adequada para alunos com dislexia, desde que você tenha clareza sobre o que exatamente está avaliando.
Explico: essa adaptação reduz a carga de transcrição ortográfica (motor + ortografia) e permite que o aluno mostre conhecimento auditivo/lexical; porém ela muda a competência medida (de escrever/soletrar para reconhecer), portanto deve ser usada de forma intencional e documentada. Por que (neuro)cientificamente faz sentido — e onde perde informação
Produzir a grafia (ditado para escrever) exige mapeamento fonema→grafema, memória de trabalho, automatização grafomotora e recuperação ortográfica — é uma tarefa cognitivamente pesada para quem tem dificuldades de processamento fonológico/ortográfico. Assim, a produção costuma ser mais difícil que o reconhecimento.
Reconhecimento (MC) exige menos transcrição gráfica e pode revelar se o aluno consegue identificar a forma correta quando a carga de escrita é removida — útil para avaliar vocabulário, percepção auditiva e mapeamento ortográfico passivo.
Contudo, um resultado bom em MC não garante habilidade de escrever corretamente. Ou seja, o formato pode mascarar déficits de produção ortográfica se for a única medida usada. Sim, a sua ideia (escolha entre 3 grafias) é uma acomodação válida e útil, especialmente para reduzir a exigência de transcrição e permitir que o aluno mostre conhecimento auditivo/lexical.
Mas não use só ela se o objetivo for medir a competência de soletração / escrita ortográfica: complemente com uma medida de produção (scribe/digitação) ou registre desempenho em tarefas de reconstrução ortográfica.
A adaptação que você sugeriu — transformar o ditado em uma atividade de escolha múltipla entre três opções de grafias semelhantes — é, de fato, uma estratégia bastante adequada para alunos com dislexia, desde que estruturada de forma criteriosa.
Prof. Ivana Mattos
Psicopedagogo
Rio de Janeiro
Cara colega, Vamos lá!
Sugiro orientar a família de cada um deles a um profissional de Psicopedagogia ou Neuropsicopedagogia para ajudarem esses alunos nessa dificuldade que apresentam afinal, com um profissional da área, com experiência, e o empenho de sua instituição educacional, com certeza o sucesso da superação será certo!
Esclarecendo: Você colocar palavras com grafias semelhantes para quem tem dislexia, na minha opinião e experiência, você não estará ajudando.
Boa sorte!
Espero ter ajudado!
 Hosana Piedade Sousa
Psicopedagogo
Santarém
A adaptação que você propõe é pertinente e está alinhada com práticas psicopedagógicas inclusivas, especialmente no atendimento a estudantes com Dislexia.

O ditado tradicional avalia, prioritariamente, a correspondência fonema, grafema sob demanda auditiva imediata, uma habilidade que costuma estar significativamente prejudicada em alunos com dislexia. Nesse sentido, manter o formato original da avaliação pode acabar mensurando mais a dificuldade do transtorno do que, de fato, o conhecimento linguístico construído pelo aluno.

Ao propor que o estudante escolha a grafia correta entre alternativas semelhantes, você está realizando uma adaptação de acesso, e não uma facilitação indevida. Essa estratégia permite avaliar o reconhecimento ortográfico e o repertório lexical em Língua Inglesa, reduzindo a sobrecarga cognitiva envolvida na escrita sob ditado.

Do ponto de vista psicopedagógico, essa adaptação é benéfica porque;
Diminui a ansiedade e o impacto emocional negativo associado ao erro recorrente
Favorece a ativação da memória visual das palavras (via de reconhecimento)
Mantém o foco na aprendizagem e não apenas na dificuldade
Promove maior engajamento e possibilidade de êxito

No entanto, é importante considerar alguns cuidados;
As alternativas devem ser plausíveis (evitando opções muito óbvias)
O número de opções deve ser equilibrado (duas ou três é adequado)
Sempre que possível, associar a palavra a um contexto (frase ou imagem) para favorecer a compreensão
Garantir que essa adaptação esteja prevista no plano pedagógico individualizado (PEI), quando houver

Além disso, é recomendável que o trabalho com esses alunos não se limite à adaptação avaliativa. Intervenções paralelas que envolvam consciência fonológica, associação som–letra e estratégias multissensoriais são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita em língua estrangeira.

A presença do professor ledor e o ambiente separado já são medidas importantes de apoio, pois reduzem distrações e favorecem a compreensão das instruções.

Em síntese, sua proposta é adequada, ética e pedagogicamente fundamentada. Ela respeita as especificidades do aluno com dislexia sem comprometer os objetivos de aprendizagem, promovendo uma avaliação mais justa e significativa.

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