Perguntas do paciente (9)

  • Tenho apresentado uma irritablidade, impaciência, falta de vontade de trabalhar e até sair para algu

    Tenho apresentado uma irritablidade, impaciência, falta de vontade de trabalhar e até sair para algumas ocasiões festivas com amigos. Estou no período da menopausa e por vezes sinto vontade de me isolar. A leitura me distrai e muitas vezes exagero no tempo dedicado a ela.
    Isso é um problema neurológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    Os sintomas relatados — irritabilidade, impaciência, desânimo e vontade de se isolar — não devem ser vistos, de início, como um problema neurológico, mas como expressões de um movimento psíquico diante de uma fase de intensas transformações.
    A menopausa não representa apenas uma mudança hormonal, mas também um momento de reconfiguração simbólica do feminino. Trata-se de um tempo em que o corpo e a identidade entram em transição, podendo despertar sentimentos de perda, esvaziamento ou mesmo uma dificuldade de se reconhecer no próprio desejo. É comum que, nesse processo, surjam retraimento, irritação e certa resistência ao convívio social, como se o inconsciente convocasse a mulher a recolher-se para elaborar novas formas de ser e de desejar.
    A leitura, que aparece como um refúgio, pode ser compreendida como uma tentativa criativa de encontrar um espaço interno de sentido, um modo de sustentar-se psíquica e simbolicamente nesse tempo de passagem.
    Pela escuta psicanalítica, mais do que um quadro a ser corrigido, o que se anuncia é um convite a escutar o que esse mal-estar quer dizer — o que está sendo vivido, o que se perde e o que pode renascer a partir dessa travessia.


  • Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    Sim, pode ser muito proveitoso iniciar psicoterapia aos 75 anos. A ideia de que terapia ‘tem idade certa’ não corresponde ao que vemos na clínica. Em qualquer fase da vida, inclusive na velhice, a pessoa pode se beneficiar do espaço de fala, de reflexão e de elaboração sobre sua história, seus vínculos e seus afetos.
    A psicanálise entende que sempre há algo a ser dito, descoberto ou ressignificado — e isso não se limita pela idade. Aos 75 anos, a pessoa pode encontrar na terapia um lugar para lidar com perdas, mudanças no corpo, relações familiares, solidão ou até mesmo novos projetos de vida.
    Portanto, nunca é tarde para iniciar. A escuta terapêutica pode abrir espaço para mais qualidade de vida, liberdade e até uma nova forma de relação consigo e com os outros


  • Um psicólogo pode atender duas pessoas da mesma família?

    Um psicólogo pode atender duas pessoas da mesma família?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    Um psicólogo até pode atender duas pessoas da mesma família, mas isso exige bastante cuidado. A terapia é um espaço de sigilo e de escuta singular, e quando se atende familiares, existe o risco de que informações ou vínculos interfiram na neutralidade do processo.
    Na prática clínica, é mais comum que o profissional opte por atender apenas um dos membros e, se for necessário, encaminhar o outro para outro terapeuta. Assim, cada um pode ter um espaço protegido e sem sobreposições.
    Em alguns contextos, como terapia de casal ou terapia familiar, o atendimento conjunto faz parte da proposta — mas aí o enquadre é outro, diferente da análise individual.
    Ou seja, o importante é que cada pessoa tenha garantida a confidencialidade e um espaço próprio de fala, sem que os laços familiares atrapalhem esse processo


  • Oi, gostaria de saber como faço para evitar a gagueira, tenho 42 anos, fico ansioso e muito tenso an

    Oi, gostaria de saber como faço para evitar a gagueira, tenho 42 anos, fico ansioso e muito tenso antes de qualquer reunião. Pois evito falar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    É compreensível que a ansiedade e a tensão antes das reuniões tragam a vontade de evitar falar. Esse movimento de evitação é uma forma de se proteger, mas acaba reforçando ainda mais o medo e a sensação de que falar é um risco.
    A terapia pode ser um espaço importante para lidar com isso. Não se trata de simplesmente ‘acabar com a gagueira’, mas de construir uma relação diferente com ela. Juntos, podemos explorar o que está por trás dessa ansiedade, entender como esses momentos te mobilizam e, pouco a pouco, fortalecer a sua confiança em se expressar.
    No processo, vamos trabalhar tanto no reconhecimento dos medos que surgem quanto em estratégias práticas que podem te ajudar a se sentir mais seguro, como respirar melhor, usar pausas a seu favor e encontrar o seu próprio ritmo de fala.
    Mais do que controlar a gagueira, a terapia pode te ajudar a se apropriar da sua voz — para que falar em uma reunião deixe de ser um fardo e passe a ser uma possibilidade real de expressão.


  • Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de

    Sou depressiva e as vezes me sinto estranha,será que um dia voltarei a ser normal, mal posso sair de casa que fico ruim parece que vol desmaia. Sinto meu coração apertando como se eu Foce morrer,mais o médico diz que é ansiedades .já não agüento mais viver com medo me ajudem. Oque posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    O que você descreve é um sofrimento intenso e muito comum em pessoas que enfrentam quadros de depressão e ansiedade. As sensações físicas — o coração acelerado, o aperto no peito, o medo de desmaiar — são expressões corporais de algo psíquico que está pedindo espaço para ser escutado. O corpo fala o que, muitas vezes, ainda não conseguimos dizer em palavras.
    Na perspectiva psicanalítica, a ansiedade e a depressão não são apenas “problemas químicos”, mas modos de o inconsciente tentar dar forma a um conflito interno. O medo constante e o isolamento surgem, muitas vezes, como tentativas de proteção diante de algo que assusta e não se entende completamente.
    O tratamento médico é fundamental e deve ser mantido, mas ele não substitui a importância de um espaço de escuta. Buscar um acompanhamento terapêutico ou psicanalítico pode ajudar a colocar em palavras o que hoje aparece como sintoma. A melhora não vem de um dia para o outro, mas começa justamente nesse gesto de pedir ajuda — que é um movimento de vida e de cuidado consigo.
    A “normalidade” que você procura talvez não seja voltar a ser quem era, mas encontrar uma nova forma de estar no mundo, com menos medo e mais presença. E isso é possível, com o tempo e com o apoio adequado.


  • Uma mulher que prefere vestir roupas masculinas é trans ?

    Uma mulher que prefere vestir roupas masculinas é trans ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    Prefirir roupas consideradas ‘masculinas’ não significa, necessariamente, que uma mulher seja trans. As roupas fazem parte da expressão de cada pessoa, mas não definem sozinhas sua identidade de gênero.
    O gênero não é algo fixo ou preso em caixinhas rígidas: ele envolve tanto como a pessoa se sente internamente quanto como escolhe se expressar no mundo. Algumas mulheres se sentem à vontade usando roupas que a sociedade costuma associar ao masculino, e isso não muda o fato de que continuam se reconhecendo como mulheres.
    O mais importante é lembrar que cada pessoa tem o direito de construir a sua forma de existir, sem que a roupa, o corte de cabelo ou o jeito de se expressar sejam usados como rótulo definitivo


  • Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    Como saber se tenho síndrome de ansiedade ou síndrome do pânico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    Na psicanálise, não falamos em ‘testes rápidos’ para saber se você tem ansiedade ou pânico. O que levamos em conta é a sua experiência singular: como o seu corpo reage, como você nomeia essas sensações e que lugar elas ocupam na sua vida.
    A ansiedade pode aparecer como uma expectativa constante, uma tensão difusa, um medo sem objeto definido. Já o pânico costuma se manifestar em crises intensas, súbitas, que dão a sensação de perder o controle, de morte iminente ou sufocamento. Mas, mais importante do que encaixar em um rótulo, é compreender o que esses sintomas estão tentando dizer sobre você.
    Na psicanálise, entendemos esses fenômenos como forma de expressão do inconsciente, não apenas como algo a ser eliminado. O espaço analítico é justamente para que você possa falar sobre essas angústias, encontrar sentido nelas e, a partir disso, construir um modo mais próprio de lidar com o que te atravessa.
    Assim, mais do que buscar uma definição fechada entre ‘síndrome de ansiedade’ ou ‘síndrome do pânico’, o caminho é abrir espaço para escutar o que esses sinais dizem sobre a sua história e sobre o seu modo de viver.


  • Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin

    Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    O que você descreve é compreensível diante de experiências intensas e traumáticas. Passar por uma crise de ansiedade, lidar com a tentativa de suicídio de um ente querido e sustentar o próprio cotidiano demanda muita força psíquica. Muitas vezes, quando conseguimos “dar conta” de uma situação grave, a mente e o corpo apenas adiam a elaboração do sofrimento — e ele pode emergir depois, como desânimo, confusão e sensação de vazio.
    A medicação atua sobre sintomas, estabilizando o humor e a ansiedade, mas experiências de grande impacto emocional frequentemente exigem um espaço de escuta para serem processadas. A resistência à terapia é legítima, especialmente quando houveram experiências passadas negativas. Na perspectiva psicanalítica, reconhecer essa resistência é o primeiro passo: é possível iniciar a escuta a partir do seu próprio ritmo, sem pressa ou cobrança.
    O acompanhamento terapêutico não busca apenas falar sobre o sofrimento, mas oferecer um espaço seguro para que ele seja sentido e simbolizado. Mesmo quando a vontade parece ausente, o simples ato de criar esse espaço pode ser transformador.


  • Gostaria de saber o que é transtorno de ansiedade? E o que afeta na pessoa?

    Gostaria de saber o que é transtorno de ansiedade? E o que afeta na pessoa?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Kizzy Amiuna

    O que se chama de transtorno de ansiedade é, em geral, um conjunto de manifestações em que a pessoa vive constantemente tomada por preocupações, tensões ou medos, muitas vezes sem um motivo claro ou proporcional à situação. Isso pode afetar o corpo — trazendo falta de ar, palpitações, insônia, inquietação — e também a vida emocional, dificultando a concentração, a tomada de decisões ou o simples fato de estar presente em determinadas situações.
    Na psicanálise, porém, a gente entende que a ansiedade não é apenas um ‘transtorno’, mas uma forma de expressão do sujeito. Ela pode indicar algo que não encontrou outro modo de se dizer e, por isso, aparece no corpo e nos pensamentos como excesso. Em vez de olhar só para eliminar o sintoma, a análise busca compreender o que está por trás dele: o que essa ansiedade revela sobre a história, os desejos, os conflitos internos da pessoa.
    Ou seja, afeta a vida prática, sim, mas também aponta para algo mais profundo — e o espaço terapêutico é onde isso pode ser escutado e elaborado.


Autor

Psicanalista, Psicólogo

Perguntas frequentes

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