Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapi

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Há alguns dias, meu filho me procurou e disse que gostaria de voltar a fazer terapia. Ele fez terapia por um ano, Há dois anos atrás. Aparentemente, parecia uma depressão. A psicóloga me passou que ele tinha um pouco de fobia social. Como ele apresentou uma certa melhora, a psicóloga disse que não havia mais necessidade de terapia. Porém, eu percebo qie ele é diferente, já cheguei a pensar que ele talvez seja autista. Mas, hoje ele (chorando) me disse que não queria nos decepcionar e me contou que ele não se sente um menino e sim menina(desde pequeno). Ele tem 17 anos.Ele não demonstra nenhum estereótipo feminino. Já chegou a se apaixonar por uma menina. Ele diz que apesar de se sentir assim,.sexualmente, ele não tem interesse em se relacionar com menino, e sim, com menina
Comentou também sobre a mudança de identidade, de transição de gênero e que pode acontecer dd mesmo ele se tornando uma menina ele se relacionar com outra menina. Hoje em dia os jovens tem muito mais informação. Pra mim é um pouco confuso , sei qie mesmo que ele tenha informações, tenho certeza que não é fácil lidar com isso. Pois, sabemos os desafios e situações que iremos enfrentar. Jamais agendei com uma psicóloga, mas gostaríamos de mais esclarecimentos.
 Rute Rodrigues
Psicólogo, Psicanalista
Porto Alegre
Olá! Situações assim estão vindo a tona na medida em que a cultura avança em dissolver alguns tabus. Mesmo assim, enfrentá-las se torna muito delicado por existirem referências anteriores de como a pessoa se apresentava ao mundo. Para as possíveis mudanças destas questões de identidade sexual, a análise psicanalítica pode contribuir muito e seria importante os pais acompanharem de perto e terem também sessões para ir elaborando a o momento que também inclui um luto do que vocês tem de registro até então do filho. Como qualquer luto, tem a dor da perda, adaptações à mudança.

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Oi, é um prazer te ter por aqui
É realmente um momento ideal de estabelecer conexões familiares. Tente investigar por quais motivos ela não conseguiu se abrir com você desde a infância. Compreendo que a relação mãe/pai/filho/filha pode ser complexa, contudo, o ambiente familiar pode ser um ambiente de segurança, acolhimento e aprendizagem.
Abraços
 Hedilene Areas
Psicólogo, Terapeuta complementar
Muniz Freire
Olá, seu filho, apesar do medo te decepcionar demonstrou confiar em você. A dor e o conflito existencial está presente já que sente um gênero que não é. A situação dele envolve questões complexas de identidade de gênero, que podem ou não estar ligadas à fobia social ou depressão prévia, necessitando de um acompanhamento psicológico especializado para acolhimento, entendimento e suporte mútuo, com você como agente de mudança positiva. Continue procurando apoiar e entender seu filho, pois são esses sentimentos que o levará a confiança e o acolhimento que precisa. Também é uma situação que exige compreensão, tanto para o seu filho quanto para você.
Olá! É compreensível que tudo isso gere confusão e preocupação em você, especialmente por se tratar do seu filho e do bem-estar dele. O que ele trouxe aponta para um sofrimento que merece escuta, sem pressa e nem definições fechadas. A psicoterapia pode ser um espaço seguro para que ele se compreenda no próprio ritmo, sem rótulos ou expectativas externas. Esse cuidado pode se estender à família, ajudando-os a atravessar esse momento com mais clareza e acolhimento.
Olá, tudo bem? Entendo como essas situações podem ser desafiadoras e novas para todos os envolvidos. O acompanhamento de um psicólogo pode ser sim muito benéfico nessas situações. Sou psicólogo e me disponho a atender o caso. Sinta-se convidada para entrar em contato.
Neste caso, em processo terapêutico, é necessário compreender essa identificação com feminino, bem como essa questão social, que foi trabalhada inicialmente.
Busque um/uma profissional que seu filho se sinta confortável em abrir essas questões tão particulares.
Quando um filho procura os pais, chora e consegue colocar em palavras algo tão íntimo, isso já nos diz muita coisa sobre o nível de sofrimento psíquico envolvido — e também sobre a confiança que ele deposita em vocês.

Na adolescência, o psiquismo está em pleno trabalho de reorganização. É um período em que identidade, corpo, desejo e pertencimento entram em ebulição. Nem sempre o sofrimento aparece de forma “clássica”. Muitas vezes ele surge como retraimento, ansiedade social, tristeza persistente, sensação de inadequação ou o esforço constante de não decepcionar os outros — algo que costuma ser bastante exaustivo por dentro.

É importante diferenciar algumas coisas que hoje costumam aparecer misturadas: identidade de gênero, orientação sexual e expressão de gênero não são a mesma coisa. Uma pessoa pode se identificar com um gênero e se relacionar afetiva ou sexualmente com pessoas de diferentes gêneros. Isso não é incoerência, nem confusão — é parte da complexidade da experiência humana. O fato de seu filho não apresentar estereótipos femininos ou já ter se apaixonado por uma menina não invalida o que ele sente sobre si.

Do ponto de vista psicológico, mais importante do que “fechar um rótulo” é entender o que essa vivência representa para ele, como isso se articula com sua história, com seus afetos, com o medo de decepcionar e com o sofrimento que ele vem carregando em silêncio. Quando alguém diz “eu não quero decepcionar vocês”, geralmente estamos diante de um superego muito exigente — e isso costuma gerar muita angústia.

A terapia, nesse momento, não serve para decidir identidade, acelerar transições ou dar respostas prontas. Ela serve para criar um espaço seguro de escuta, elaboração e simbolização. Um espaço onde ele possa existir sem precisar se defender o tempo todo. E, muitas vezes, também um espaço onde os pais podem ser orientados e acolhidos nesse processo, porque isso também atravessa vocês.

Buscar acompanhamento psicológico não significa que algo “está errado”, mas que há algo importante pedindo cuidado. Quando o sofrimento encontra palavra, ele deixa de precisar aparecer apenas como sintoma.

Se vocês desejam mais esclarecimento, acolhimento e um olhar cuidadoso sobre tudo isso — sem julgamentos, sem pressa e com responsabilidade clínica — a psicoterapia pode ser um caminho fundamental nesse momento tão delicado da vida de vocês e do seu filho.
Acredito que a melhor forma de te auxiliar é falando abertamente sobre o assunto em um ambiente seguro, no qual você conseguirá organizar melhor seus pensamentos e elaborar isso que você chama de confusão. Assim como para o seu filho, ele demonstrou o desejo de retornar a terapia para falar de um tema que o atravessa, onde ele possa também ser escutado e poder nomear seus sentimentos. O ambiente seguro e a escuta ativa é o que ofereço com o meu trabalho, agende a sua sessão ou a dele para inicar o caminho de escuta!
Olá, como vai?
Muito importante seu relato e o cuidado que você tem com sua filha! Demonstra o amor e o desejo de bem-estar que qualquer jovens trans deseja ter de seus pais! Isso será muito significativo para ela no futuro. Como você já agendou uma sessão com psicóloga para ela, eu sugiro você procurar um psicólogo para você, para conversar e abrir suas dúvidas, sentimentos e elaborar como será a vida de vocês, pois haverão muitas perguntas, preconceito e ignorância principalmente da família. Falo dessa forma, não para te chatear, mas te preparar. Eu atendo muitos jovens trans, mas é evidente que os pais também precisam de acompanhamento, mesmo que seja por alguns meses. Procure a sua terapia, isso pode proporcionar mudanças significativas para a sua vida e na relação com sua filha!
Espero ter ajudado, fico à disposição!
 Lucas Teixeira
Psicólogo
Belo Horizonte
Olá, tudo bem? O que seu filhe trouxe é muito importante e exige, antes de tudo, acolhimento. Identidade de gênero e orientação sexual são dimensões diferentes: identidade diz respeito a como a pessoa se percebe internamente (menino, menina, ambos, nenhum), enquanto a orientação fala sobre por quem se sente atração afetiva e sexualmente. Uma coisa não determina a outra, e isso costuma gerar confusão mesmo.

O fato de não apresentar estereótipos ou de se apaixonar por meninas não invalida o que sente sobre si. Muitos jovens demoram anos para conseguir nomear essas vivências, e o sofrimento costuma estar mais ligado ao medo de decepcionar e de não ser aceito do que à identidade em si.

Retomar a psicoterapia pode ser muito importante para que filhe tenha um espaço seguro para se escutar e se compreender. Um acompanhamento também pode ajudar a família a compreender melhor essas questões, elaborar angústias e caminhar junto, com mais informação e cuidado, e também com menos medo.
O que você descreve toca em algo muito sensível e importante: seu filho encontrou um modo de dizer algo de si que parece vir acompanhado de muito medo de decepcionar, de choro e de sofrimento. Isso, por si só, já aponta para a seriedade com que ele vive essa experiência. Independentemente de rótulos, diagnósticos ou definições fechadas, há ali alguém tentando existir de um jeito que ainda não consegue sustentar sozinho.

É compreensível que para você isso seja confuso. As informações hoje circulam com muito mais facilidade, mas informação não elimina angústia. Pelo contrário, muitas vezes amplia perguntas que ainda não encontraram lugar. O fato de ele não corresponder a estereótipos, de já ter se apaixonado por uma menina ou de não desejar se relacionar com meninos não invalida o que ele sente sobre si. Identidade de gênero, expressão de gênero e orientação sexual não são a mesma coisa, e essa distinção costuma ser difícil mesmo para adultos, quanto mais para alguém de 17 anos tentando se entender.

Talvez o ponto central não seja, neste momento, responder se ele “é” ou “não é” algo, nem antecipar decisões como uma transição. O que aparece como mais urgente é o sofrimento de não se sentir compreendido, de carregar isso em silêncio e de temer decepcionar vocês. Um acompanhamento psicológico pode ser justamente um espaço para ele falar disso sem precisar chegar a conclusões rápidas, e para vocês, como pais, terem apoio para atravessar esse processo com menos solidão e mais clareza.

Buscar uma escuta profissional não significa empurrá-lo para um caminho específico, mas oferecer um lugar onde essa experiência possa ser nomeada, questionada e cuidada no tempo dele. O fato de vocês estarem abertos a entender já é, em si, um elemento muito importante de sustentação para ele.

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