Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, enc

Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, encontro indiferença. Tenho medo de que a terapia esteja criando uma expectativa que a realidade não sustenta. Porque o psicólogo me faz sentir acolhido e numa atmosfera e perspectiva de compreensão, reflexão, diálogo e atenção que não existe no mundo lá fora do consultório e das sessões? No mundo lá fora o que eu vejo são pessoas que não querem saber de mim e dos meus sentimentos. Sendo assim e isto constatado, porque o psicólogo faz parecer que o mundo é um lugar bom e fácil de encaixar e que é preciso ter amigos?

148 respostas


A terapia não existe para convencer você de que o mundo é sempre acolhedor ou compreensivo. Pelo contrário: ela também pode ajudar a reconhecer que existem relações frustrantes, indiferentes e pouco sensíveis. A diferença é que o espaço terapêutico é construído intencionalmente para favorecer escuta, reflexão e acolhimento. Isso não significa criar uma expectativa irreal, mas oferecer uma experiência de relação em que você possa compreender melhor suas necessidades, seus limites e aquilo que busca nos vínculos. O objetivo não é fazer você acreditar que todas as pessoas serão assim, nem que “é preciso ter amigos”. É ajudá-lo a identificar quais relações fazem sentido para você e como construir vínculos mais compatíveis com aquilo que considera importante.

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Achei muito interessante sua dúvida, mesmo! O consultório é um espaço criado para escuta, atenção e reflexão. O psicólogo está ali especificamente para compreender você. A vida fora dali não oferece esse mesmo enquadre, e esperar que amigos, parceiros ou desconhecidos reproduzam essa experiência pode realmente gerar frustração. A terapia também não deveria ensinar que “o mundo é um lugar bom” ou que todo mundo será acolhedor. O mundo tem indiferença, egoísmo, desencontros e relações pouco disponíveis, mas também tem vínculos significativos. Talvez o objetivo não seja sair da terapia esperando encontrar pessoas que tratem você como seu psicólogo. É aprender a reconhecer onde existe reciprocidade, construir vínculos possíveis e tolerar que nenhuma relação humana será perfeitamente acolhedora o tempo todo. E eu levaria exatamente essa questão para o seu psicólogo: “Tenho medo de que a terapia esteja criando uma expectativa sobre as relações que a vida real não consegue sustentar.” Isso, por si só, já é um material muito importante para a terapia.


A psicoterapia é composta por diferentes processos, sendo um deles o movimento de acolhimento por parte do profissional. O acolhimento nos traz o carater humano da relação. Sinto muito que em sua caminhada de vida não tenha recebido muito acolhimento das pessoas à sua volta. Acredito que, neste caso, a terapia também sirva para que você experimente como é se sentir acolhido e como isso impacta na tua visão de si mesmo e nas escolhas que você faz a partir desta perspectiva. Espero que você encontre acolhimento e empatia nos espaços em que vive.


A terapia não deveria fazer você acreditar que o mundo é sempre acolhedor ou que as pessoas necessariamente se importarão com seus sentimentos. O consultório é um espaço protegido e intencionalmente diferente da vida cotidiana. O objetivo não é criar uma expectativa irreal, mas ajudá-lo a desenvolver recursos para lidar com uma realidade que muitas vezes é indiferente, frustrante e pouco disponível emocionalmente. Ter amigos também não significa encontrar pessoas que compreendam tudo. Significa construir vínculos possíveis, com limites, reciprocidade e expectativas realistas.

Zuleide Silva

Zuleide Silva

Psicólogo

Santo André, SP

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Olá, obrigado por trazer uma questão tão honesta! O que você descreve, sentir-se compreendido na sessão e encontrar indiferença fora dela, é uma experiência comum, e faz sentido que seja incômoda. O consultório é um espaço com regras próprias: ali a atenção é dirigida a você, sem que se espere reciprocidade, e isso faz parte do trabalho do psicólogo. Nas demais relações, cada pessoa tem suas próprias demandas, cansaços e limites, então raramente elas oferecem o mesmo tipo de escuta. Isso não quer dizer que a terapia crie uma ilusão, e sim que ela é um espaço diferente, não um modelo do que todas as relações deveriam ser. Quanto ao incentivo a ter amigos, em geral ele não vem da ideia de que o mundo é fácil, mas de que vínculos importam para o bem-estar. A terapia pode ser um lugar para perceber o que você sente ao ser ouvido, o que busca nos outros e o que te aproxima ou afasta das pessoas, para depois levar isso à vida fora da sessão. Sugiro levar essa dúvida, exatamente como você a escreveu, ao seu psicólogo. Ela é um material valioso para o processo. E, mesmo que hoje seja difícil enxergar, relações compreensivas existem. Elas serão diferentes e mais imperfeitas que a sessão, levam tempo para se construir, e você merece encontrá-las. :)

Leonardo Filho

Leonardo Filho

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Entendo o que você está sentindo. E talvez seja importante justamente desconstruir uma ideia, a terapia não existe para fazer você acreditar que o mundo é um lugar sempre acolhedor ou que todas as pessoas serão compreensivas. O consultório é um espaço intencionalmente construído para a escuta, o respeito e a reflexão. Por isso, é natural que ele seja diferente de muitas relações que encontramos no cotidiano, o psicólogo não está ali para representar “como o mundo deveria ser”, mas para ajudá-lo a compreender o que você vive e desenvolver recursos para lidar com o mundo como ele é. Inclusive, essa sensação de contraste entre a terapia e a vida fora dela é algo muito importante para levar ao seu psicólogo, pode ser justamente aí que exista um material muito valioso para o processo terapêutico, a terapia não precisa ensinar que o mundo é fácil, ela pode ajudá-lo a viver em um mundo que nem sempre acolhe, sem que você precise deixar de acolher a si mesmo.


A terapia não deveria fazer parecer que o mundo é um lugar sempre acolhedor, compreensivo ou fácil de habitar. Se ela produz essa impressão, talvez seja importante inclusive levar essa sensação para a própria sessão. O espaço terapêutico é diferente das relações cotidianas porque ele é construído justamente para que exista escuta, atenção e possibilidade de reflexão. Há um enquadre, um tempo reservado e um profissional cuja função naquele momento é escutar aquilo que você traz. Isso não significa que todas as relações fora dali funcionarão da mesma maneira. Mas talvez a função da terapia também não seja preparar você para encontrar no mundo exatamente aquilo que encontra no consultório. Pode ser ajudá-lo a compreender melhor o que sente quando encontra indiferença, reconhecer quais relações são possíveis para você, perceber onde há ou não reciprocidade e construir recursos para lidar com uma realidade que, muitas vezes, realmente pode ser frustrante. E ter amigos não deveria aparecer como uma obrigação ou como uma espécie de requisito para estar bem. A questão talvez seja menos “é preciso ter amigos?” e mais: que tipo de vínculo faz sentido para você? O que você espera de uma relação? O que acontece quando procura aproximação? E também o que significa, para você, sentir que as pessoas não querem saber de seus sentimentos? Um psicólogo não precisa convencer alguém de que o mundo é bom. Talvez possa oferecer uma experiência na qual aquilo que é vivido tenha espaço para ser pensado, inclusive a percepção de que, muitas vezes, o mundo não oferece a compreensão que gostaríamos de encontrar. E há algo importante nisso: experimentar acolhimento na terapia não precisa criar uma falsa expectativa sobre a realidade. Pode, ao contrário, permitir que você passe a reconhecer melhor quando existe cuidado verdadeiro fora dela, quando ele não existe e que tipo de relação deseja ou não sustentar.


A terapia não diz que o mundo é fácil, ela só oferece um espaço mais acolhedor para você entender melhor o que sente. O psicólogo não está prometendo que todo mundo vai te acolher, e sim ajudando você a lidar com a realidade e a construir vínculos mais possíveis, sem negar a dor da indiferença.


Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. A terapia não existe para criar a ilusão de que o mundo externo é um ambiente sempre acolhedor, mas para ser um espaço protegido de laboratório existencial. Nele, a escuta empática e atenta do psicólogo permite que você experimente a segurança necessária para compreender suas angústias, desenvolver recursos emocionais e reconhecer seu próprio valor, fortalecendo sua estrutura interna para lidar de forma autêntica e consciente com a indiferença e as complexidades reais das relações no mundo lá fora. Já parou para pensar que talvez não o mundo não seja difícil, mas o contexto onde você vive atualmente que faz parecer difícil e indiferente? Atenciosamente, Fernando Vicente Rébuli Segundo Psicólogo e Neuropsicólogo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Psicoterapia presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços


Olá! Boa reflexão. Você está lidando com o paradoxo do mundo bom versus mundro cruel. Parece que seu psicólogo tem sido um dos poucos lugares onde alguém demonstra preocupação com você. É verdade que o mundo lá fora não "são flores". Mas também é verdade que existe margem para criar conexões e amizades verdadeiras. Seu psicólogo está desempenhando um papel importante de realimentar a esperança em conexões profunda, relações empáticas e amorosas. Você perceberá que o mundo não é 100% guerra, e nem 100% paz. E, com sorte, encontrará boas relações lá fora. Espero ter ajudado, Matheus Aguiar Psicólogo pela Universidade de São Paulo (USP)


Olá! Entendo a sua inquietação. A psicoterapia realmente oferece uma forma de escuta e atenção que nem sempre encontramos nas relações do cotidiano. Mas o objetivo não deveria ser fazer você acreditar que o mundo será sempre acolhedor, nem que você precisa se encaixar em algum modelo de vida. Talvez essa diferença que você percebe entre o consultório e o “mundo lá fora” seja, inclusive, algo importante para levar à própria psicoterapia. Por que ser escutado e compreendido parece possível apenas ali? Como têm sido suas experiências com as outras pessoas? A psicoterapia também pode ser um espaço para pensar sobre essas relações e sobre o que você espera delas, sem negar que indiferença, frustração e desencontros fazem parte da vida.

Júlia Robaina

Júlia Robaina

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Você tem razão em sua constatação!! o mundo lá fora não funciona como um consultório de psicologia. A indiferença existe, as pessoas estão imersas em suas próprias rotinas e poucos indivíduos têm a disposição ou a habilidade de oferecer uma escuta atenta, sem julgamentos e focada em nós. O consultório é, por definição, uma "estufa social". Mas o objetivo dele não é fazer você acreditar que a rua é uma estufa; o objetivo é fortalecer a sua planta para que ela aguente o clima lá fora.


Acho muito importante poder falar sobre isso. A terapia cria uma experiência muito específica: existe alguém ali disponível para te escutar, compreender e se interessar genuinamente pelo que tu sente. E justamente por isso, pode ser doloroso sair desse espaço e perceber que, fora dali, muitas relações não oferecem o mesmo nível de disponibilidade e cuidado. Mas a terapia não precisa te ensinar que o mundo é um lugar bom. Talvez ela possa ser um espaço para compreender o que essa diferença desperta em ti... A solidão, a frustração, o medo de não importar ou de precisar de alguém e não ser acolhido e por vezes até o quanto pode ser difícil sustentar esse lugar de precisar, esperar ou desejar algo do outro e o próprio terapeuta também auxiliar esse sustento. O que acontece contigo quando tu percebe que, fora desse espaço, as pessoas nem sempre estão disponíveis para aquilo que tu sente? Talvez seja justamente aí que exista algo importante para ser cuidado e compreendido.


Entendo por que isso pode gerar essa sensação de contraste. A terapia cria um espaço de escuta, atenção e segurança que realmente é diferente de muitos encontros cotidianos, e perceber essa diferença pode até tornar a indiferença do mundo externo mais dolorosa. Mas o objetivo da terapia não é fazer você acreditar que o mundo é sempre acolhedor ou que precisa ter muitos amigos. É justamente ajudá-lo a lidar com uma realidade que também pode ser frustrante e indiferente, sem concluir que você está sozinho ou que suas necessidades não importam. Podemos trabalhar também quais relações fazem sentido para você, quais expectativas são realistas e como encontrar formas de conexão que não sejam baseadas em agradar ou depender da compreensão de todos. Essa diferença entre o consultório e o mundo lá fora é algo muito importante para ser levado à terapia e explorado com seu psicólogo. Estou à disposição para te ajudar a compreender melhor isso caso possua interesse. Grande abraço!

Luan Coelho Valer

Luan Coelho Valer

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Talvez seja importante começar entendendo o que você chama de acolhimento e de indiferença. O que acontece nas relações fora do consultório que faz você vivê-las dessa maneira? E o que você espera dessas relações? Que elas tenham o mesmo nível de escuta, atenção e compreensão que encontra na terapia? A relação terapêutica é uma relação construída a dois, mas ela possui um lugar e uma finalidade diferentes de uma amizade, de uma relação amorosa ou dos encontros cotidianos. Por isso, não necessariamente faria sentido esperar que as outras relações reproduzissem a experiência que acontece com seu psicólogo. Além disso, cada psicólogo possui sua própria maneira de acolher e conduzir o encontro, atravessada por sua abordagem, mas também por seu modo singular de estar na relação. Também seria interessante compreender o que você entende que o psicólogo estaria fazendo você acreditar sobre “o mundo”. A terapia não pode garantir que as pessoas serão compreensivas, que você terá determinados vínculos ou que suas relações acontecerão de uma determinada maneira. Isso significaria tentar prever o comportamento de outras pessoas, que também possuem autonomia e podem responder de maneiras que não correspondem ao que esperamos. Talvez o trabalho terapêutico não seja fazer você acreditar que o mundo é um lugar bom ou fácil de se encaixar, nem convencê-lo de que é preciso ter amigos. Pode ser justamente um espaço para compreender como você tem vivido o encontro com os outros, o que busca nessas relações, o que encontra e também o que acontece com você diante dos desencontros. A partir daí, outras possibilidades de relação podem ser pensadas, sem a promessa de que o outro necessariamente será aquilo que você gostaria que ele fosse.

Dra. Iasmin Quintino

Dra. Iasmin Quintino

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá, a compreensão da realidade depende mais do que a pessoa tem como vivência interna do que dos fatos em si. Por isso, o modo como você interpreta a realidade, não pode confiar e não há acolhimento, mostra o que há dentro de ti. Por outro lado, existem sim bastante diferença da relação terapêutica para as interpessoais e é nessa diferença que você pode se fortalecer emocionalmente para encarar a dureza da realidade.


Na verdade está apresentando uma das realidades possíveis: uma relação baseada em escuta, respeito, compreensão e segurança emocional. Parte do processo terapêutico é perceber que a realidade também pode ser transformada por novas escolhas, hábitos, limites, ambientes e relações. Aquilo em que acreditamos também influencia o que percebemos e as possibilidades que conseguimos enxergar. O acolhimento na psicoterapia não serve para criar a expectativa de que todas as pessoas serão como seu terapeuta. Mas pode funcionar como uma referência de relacionamento saudável, ajudando você a construir, fora do consultório, uma vida e relações mais próximas da amorosidade, reciprocidade e respeito que experimenta na sessão. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323

Isadora Klamt

Isadora Klamt

Psicólogo

São Paulo

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Olá, tudo bem? Obrigado por trazer essa reflexão, ela é bastante rica e diz muito sobre como a experiência da terapia pode, de fato, parecer distinta do que vivemos lá fora. Não é que o psicólogo queira fazer o mundo parecer mais fácil do que é: o consultório é, intencionalmente, um espaço protegido, construído para que você possa se expressar sem o julgamento, a pressa ou a indiferença que às vezes encontramos nas relações do dia a dia. Isso não significa que o mundo lá fora seja simples ou generoso; significa que a terapia funciona como um lugar de treino, onde é possível experimentar a escuta e o acolhimento antes de buscar, aos poucos, formas de levar um pouco dessa qualidade de presença para outros vínculos. Essa diferença que você percebe entre dentro e fora do consultório costuma ser, inclusive, um dos temas mais férteis para se trabalhar em terapia, porque revela expectativas, feridas e também desejos legítimos de ser visto e compreendido. O que será que muda em você quando sai da sala de atendimento? E que pequenos gestos, mesmo imperfeitos, você já recebeu de outras pessoas e talvez não tenha dado o devido valor? Como você já está em acompanhamento, esse é exatamente o tipo de questão que vale a pena levar para o seu psicólogo, que conhece sua história e pode ajudar a aprofundar esse ponto com mais contexto. Caso precise, estou à disposição.

Helio Martins

Helio Martins

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Bom dia, obrigado pela pergunta. Sinto que a terapia te demonstra uma possibilidade: a do entendimento, da compreensão, da empatia, do acolhimento. Essas sensações são reais e elas podem acontecer no mundo, a sessão de psicoterapia te demonstra um setting onde isso é concretizado. Evidentemente, isso se torna um pouco mais difícil em outros contexto: como no mundo lá fora. Dificilmente vamos experienciar acolhimento na fila do onibus, no caixa do banco, mas isso não quer dizer que não seja possível experienciar isso no mundo real.


Sinto muito por essa sensação de incompreensão e dificuldade de viver no mundo. A psicoterapia é um primeiro espaço seguro para você começar a descobrir seus sentimentos e necessidades. O mundo pode ser duro e frio, as pessoas não vão automaticamente querer cuidar de você, infelizmente. O primeiro passo é entender do que você precisa, para que você possa, num segundo passo, cuidar de si. Ser essa figura protetora e compreensiva para si mesma. Para que você possa lidar com o mundo não esperando que todo mundo aja como sua psicóloga, mas sabendo que é desafiador e que você tem forças para se colocar e se proteger, se cuidar. É um longo processo, mas não desista. Aos poucos você se perceberá mais forte.


Bom dia! O ambiente da terapia é um ambiente de acolhimento, escuta e um lugar em que o que você fala tem importância. Isso não necessariamente diz que o mundo é dessa forma. Mas a possibilidade de um ambiente que te ofereça isso, te proporciona espaço e escuta sobre essa sua insatisfação com o mundo lá fora e que você compreenda melhor essa sensação/sentimento. E talvez assim, compreender o que te faz ver o mundo com esses olhos.

Laura    Albuquerque

Laura Albuquerque

Psicólogo

Balneário Camboriú

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A terapia é um espaço seguro de compreensão, reflexão e atenção para quem está ali. Por isso, quando saímos desse espaço e nos deparamos com relações que não oferecem o mesmo nível de escuta e acolhimento, é natural comparar ou até desejar voltar para aquele lugar de segurança. Mas isso não significa que a terapia esteja criando uma expectativa de que o mundo é um lugar fácil ou que todas as pessoas vão nos acolher da mesma forma. Na verdade, ela também pode nos ajudar a perceber melhor o que encontramos nas nossas relações e o que precisamos nelas. Por isso, uma boa rede de apoio pode ser importante. Não para substituir o espaço da terapia, porque, amigos, familiares e outras pessoas não ocupam o mesmo lugar de um profissional, mas para que possamos ter relações nas quais exista espaço para sermos ouvidos, acolhidos e apoiados.


Bom dia! Importante levar essa questão ao profissional que te atende ou buscar outro profissional. A vida e o mundo tem muitas complexidades e o desenvolvimento pessoal esta ligado a superar desafios, autoconhecimento. Você buscou a psicoterapia por objetivos seus, o que você precisa entender e desenvolver em relação a pessoas e seus sentimentos? Na vida real todas as experiencias são possíveis: indiferença, rejeição, empatia, alegria, entre outras. Na psicanalise sabemos que existem padrões inconscientes que atraem situações mal resolvidas e que por isso se repetem. A psicoterapia consiste em te ajudar a entender, quebrar padrões e assim ter resultados diferentes. Com o tempo, você vai perceber o perfil das pessoas e entender porque todos deveriam fazer terapia. Importante focar em você, no seu desenvolvimento com a psicoterapia. Quando você esta na sessão, existe o vinculo terapêutico, sentir-se bem com seu psicólogo e com o método, abordagem dele. E o que inclui orientações para a semana ate a próxima sessão para lidar com seus desafios. Alem disso, o que voce descreve como "um lugar bom" pode ser o mindset de ampliacao de perspectivas, embora seu relato traz uma dor de positividade toxica. Converse com seu profissional e reflita. A psicoterapia é excelente para autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, importante incluir seus desafios. Espero ter ajudado. Cordialmente,


Olá, bom dia. Muito bacana que esteja fazendo um atendimento bom! Vejo tantas pessoas incomodadas com seus psicólogos, é bacana ver alguém que esteja gostando. Você não vê um mundo tão compreensivo quanto suas sessões de psicoterapia porque são situações muito distintas. As sessões são feitas com um viés de tratamento. O profissional busca te ajudar a lidar com seus problemas e quer tornar o contexto da terapia o mais agradável possível. Já o mundo fora do consultório é um local no qual as pessoas nem sempre querem considerar todos seus sentimentos, pois as pessoas não estão elaborando um tratamento. As pessoas fora da terapia reagem, sentem outros sentimentos e esses nem sempre serão receptivos ao que você esteja passando. É essa a beleza da coisa inclusive. Você precisa trabalhar com a outra pessoa para que você seja receptivo e as outras pessoas também sejam.

Bruno Henrique Braz dos Santos

Bruno Henrique Braz dos Santos

Psicólogo

São José dos Campos

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Penso que o psicólogo esteja oferecendo um apoio importante neste momento, ajudando você a fortalecer sua autoestima e, aos poucos, encontrar recursos para lidar melhor com algumas situações e sentimentos que têm sido difíceis. A realidade nem sempre é acolhedora, e algumas experiências podem nos fazer sentir sozinhos e desamparados. Como é, para você, essa sensação de que ninguém se importa com você ou com o que você sente? A terapia é um processo que acontece aos poucos. Com o tempo, falar sobre aquilo que você sente pode ajudá-lo a compreender melhor essas experiências e a encontrar outras formas de lidar com elas. Para começar, talvez seja interessante refletir sobre o que significa, para você, ter amigos e o que você espera dessas relações. Existe uma expectativa de que eles estejam sempre presentes para dizer que tudo ficará bem? Também pode ser importante olhar com carinho para a sua própria história de vida. Como foram suas experiências na infância? Você se sentia acolhido e cuidado quando precisava? Como eram suas relações com sua mãe, seu pai e outras pessoas importantes para você?

Danilo Hadek

Danilo Hadek

Psicólogo

São Paulo

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O que você descreve faz sentido. A terapia não deveria significar que o mundo inteiro funciona como o consultório. O consultório é um ambiente artificialmente construído para escuta: o psicólogo está ali justamente para prestar atenção em você, compreender o que você sente e ajudá-lo a refletir. Fora dali, as relações são mais variadas: algumas pessoas serão indiferentes, outras serão acolhedoras, e muitas simplesmente não terão disponibilidade emocional naquele momento. Ter amigos também não significa esperar que eles ofereçam o mesmo tipo de acolhimento de um psicólogo. Amizades podem proporcionar companhia, afeto e pertencimento, mas têm limites e reciprocidade. Talvez uma questão importante para levar à terapia seja exatamente esta: “Quando estou aqui, consigo acreditar que existe compreensão; quando saio, a realidade parece confirmar o contrário. Tenho medo de que a terapia esteja criando expectativas que o mundo não consegue sustentar.” Isso não significa necessariamente que a terapia esteja te enganando. Pode significar que vocês precisam trabalhar como encontrar relações suficientemente boas sem esperar que o mundo seja tão acolhedor quanto uma sessão e sem concluir que, por existirem pessoas indiferentes, ninguém se importa.


Pois bem . Na terapia os profissionais estão treinados a não julgar, não dar conselhos e ao acolhimento. No mundo que vivemos sempre a.haveta pessoas que nos dirão coisas que não sabem , pois não estão vivenciado em suas vidas . Com o tempo você ficará com uma estrutura psíquica mais fortalecida e preparada para enfrentar os olhares de outros . Como você mesmo disse p mundo lá fora é menos empático , por boxe já ter essa noção é um começo de que você não deve esperar tanto de outrs pessoas. Sua caminhada está começando e você vai lhe dar com isso em todas as esferas da vida


Olá. O espaço da terapia tem essa atmosfera justamente para que você possa falar, ser ouvido, refletir e se sentir compreendido sobre o que está vivendo. É possível que, para algumas pessoas, essa seja uma experiência pouco presente em outros espaços da vida. Isso não significa que a terapia esteja dizendo que o mundo lá fora funciona da mesma forma, ou que as relações devam ser sempre assim. Talvez seja interessante olhar justamente para essa diferença. O que essa experiência significa para você? O que você sente falta quando sai da terapia? E como você tem vivido o encontro com uma realidade que nem sempre corresponde ao que gostaria de encontrar? Acho que são questões que podem ser levadas para a própria terapia. Abraço.

Gisele Rodrigues

Gisele Rodrigues

Psicólogo

Florianópolis

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Olá! O que você descreve pode acontecer e não significa necessariamente que a terapia esteja criando uma expectativa irreal sobre o mundo. Na verdade, existe uma diferença importante entre o tipo de relação que acontece dentro da psicoterapia e aquilo que podemos esperar das relações cotidianas. O consultório é um espaço construído justamente para que você tenha um determinado tipo de atenção: existe um horário reservado para você, o profissional está ali para escutar, compreender sua experiência, fazer perguntas, refletir junto e tentar entender aquilo que você está vivendo sem transformar imediatamente a conversa em uma troca de interesses ou julgamentos. Isso não significa que o mundo inteiro funcione dessa maneira. Fora da terapia, as pessoas também estão preocupadas com seus próprios problemas, têm diferentes níveis de disponibilidade emocional, podem não saber como acolher alguém e, em algumas situações, realmente podem demonstrar indiferença. Portanto, seria irreal esperar que todas as relações oferecessem o mesmo nível de escuta e atenção que existe em uma sessão. Ao mesmo tempo, existe um cuidado importante para não transformar uma experiência real de frustração em uma conclusão absoluta: "As pessoas não querem saber de mim." Pode ser que você tenha encontrado muitas relações pouco disponíveis ou experiências nas quais suas necessidades não foram acolhidas. Isso merece ser levado a sério. Mas isso não necessariamente significa que todas as pessoas sejam incapazes ou desinteressadas em estabelecer relações significativas. Também não é necessário escolher entre duas ideias extremas: "O mundo é acolhedor e todo mundo vai se importar comigo." ou "O mundo é indiferente e ninguém vai se importar comigo." A realidade provavelmente é mais complexa. Existem pessoas pouco disponíveis, relações superficiais, situações de rejeição e momentos de solidão. Mas também existem pessoas capazes de oferecer amizade, cuidado, reciprocidade e interesse genuíno — embora essas relações não sejam necessariamente fáceis de encontrar ou construir. E é justamente por isso que a terapia não deveria ter como objetivo fazer você acreditar que "é preciso ter amigos" ou que uma vida social é obrigatoriamente simples e prazerosa. A questão deveria ser compreender que tipo de vida e de relações fazem sentido para você. Para algumas pessoas, isso pode significar ter muitos amigos. Para outras, poucas relações profundas já são suficientes. Para outras, determinadas formas de convivência ou períodos maiores de solitude fazem mais sentido. A terapia também pode ajudar a desenvolver uma capacidade importante: diferenciar aquilo que você gostaria de receber das pessoas daquilo que realisticamente pode esperar de cada relação. Talvez você não consiga transformar todas as pessoas ao seu redor em pessoas profundamente acolhedoras. Mas pode aprender a identificar quem demonstra disponibilidade, construir relações gradualmente, comunicar suas necessidades, estabelecer limites com quem não oferece reciprocidade e tolerar melhor as situações em que não é compreendido. Também vale levar exatamente essa questão para o seu psicólogo: "Aqui eu me sinto compreendido, mas quando saio parece que encontro um mundo completamente diferente. Tenho medo de que a terapia esteja me fazendo esperar das pessoas algo que elas não podem oferecer." Isso pode ser um material terapêutico muito rico. O objetivo não deveria ser proteger você da realidade criando uma visão cor-de-rosa das relações, mas ajudá-lo a enxergar a realidade com mais precisão e, ao mesmo tempo, encontrar maneiras de construir uma vida que seja significativa dentro dela. A terapia pode ser um lugar excepcionalmente acolhedor sem precisar representar o mundo inteiro. O consultório não precisa ser uma mentira sobre a realidade; ele pode ser um espaço protegido no qual você desenvolve recursos para se relacionar com uma realidade que também contém frustrações, indiferença, reciprocidade, afeto, rejeição e possibilidades de conexão. Espero ter ajudado. Rodrigo Vieira Psicólogo Clínico (CRP 06/204166)

Rodrigo  Vieira

Rodrigo Vieira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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O que você percebe faz sentido: a relação terapêutica não é igual à maioria das relações do cotidiano. Na sessão, existe um contrato muito específico. Aquele tempo é dedicado a você, o psicólogo presta atenção, pergunta, escuta, tenta compreender e não espera que você cuide dele emocionalmente em troca. É natural que isso seja diferente de uma amizade, de um trabalho ou de uma relação familiar. Mas a terapia não deveria criar a ideia de que “o mundo lá fora é assim também”. Nem de que todas as pessoas serão compreensivas, disponíveis ou interessadas nos seus sentimentos. Na TCC, eu trabalharia justamente o que acontece depois dessa constatação. Uma coisa é perceber: “muitas pessoas não têm disponibilidade emocional para mim”. Outra é concluir: “ninguém quer saber de mim”, “não existe vínculo verdadeiro fora da terapia” ou “eu não pertenço a lugar nenhum”. Essas conclusões precisam ser examinadas a partir das suas experiências concretas, porque podem conter uma parte real e, ao mesmo tempo, uma generalização construída por rejeições, solidão ou relações frustrantes. A relação terapêutica pode servir como uma espécie de referência de como é ser tratado com respeito, curiosidade e atenção. Não para que você exija isso de todo mundo, mas para que consiga reconhecer melhor quais relações oferecem alguma reciprocidade e quais não oferecem. E amizade não deve ser tratada como uma obrigação. Nem todo mundo precisa de uma vida social extensa. O importante é entender se você deseja vínculo e, se deseja, que tipo de vínculo faria sentido para você. Uma boa terapia não deveria te vender a ideia de que o mundo é bom ou fácil. Ela deveria te ajudar a enxergar o mundo com mais precisão: há indiferença, egoísmo e rejeição, mas também há relações em que existe cuidado, troca e interesse real. O trabalho é não deixar as experiências ruins decidirem, sozinhas, o que você acredita sobre todas as pessoas.

Arthur Bicalho Lage

Arthur Bicalho Lage

Psicólogo

Belo Horizonte

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Olá! Entendo essa sensação. O consultório é, de fato, um espaço diferente: existe ali um profissional preparado para ouvir, compreender e olhar para aquilo que você sente sem julgamentos. Isso não significa que o mundo lá fora funcione da mesma maneira. A terapia não deveria ensinar que o mundo é um lugar fácil ou que todas as pessoas serão compreensivas. Pelo contrário, ela pode ajudar a reconhecer que existem pessoas indiferentes, relações difíceis e também pessoas com quem é possível construir vínculos mais saudáveis. E ter amigos não precisa significar depender dos outros ou esperar que todos compreendam você. Significa poder construir, aos poucos, relações que tenham reciprocidade e significado. Talvez o objetivo da terapia não seja fazer você enxergar o mundo como um lugar bom, mas ajudá-lo a encontrar maneiras mais possíveis de viver nele sem precisar se fechar completamente para as relações.


Olá! Sua pergunta é muito bonita e muito importante. O consultório não foi feito para ser uma cópia do mundo lá fora. Ele é um espaço protegido de propósito, onde você pode ser ouvido sem julgamento e entrar em contato com o que sente. É como um lugar de ensaio: ali você fortalece algo seu para depois levar para a vida. A terapia não precisa te convencer de que o mundo é bom ou fácil. Ele não é, e muitas vezes as pessoas vão mesmo ser indiferentes. A proposta é outra. A ideia é que você, tendo vivido a experiência de ser escutado, fique mais capaz de reconhecer as poucas relações que podem oferecer algo parecido e de se proteger melhor das que não oferecem. Essa sensação de contraste que você descreveu é um material muito rico. Leve isso para o seu psicólogo. Falar sobre isso na sessão pode ser um dos momentos mais importantes do seu processo. Flávia Nascimento, Psicóloga e Psicanalista, CRP 19/2482


Olá, boa tarde, tudo bem? Olha, cada processo é singular. Mas talvez a questão não seja que a terapia esteja criando uma expectativa de que o mundo é um lugar acolhedor, mas que o consultório oferece uma experiência de escuta que nem sempre encontramos nas relações cotidianas. Na psicoterapia, existe um espaço construído justamente para que você possa falar, ser escutado e olhar para aquilo que sente com mais tempo e atenção. As relações fora dali possuem outra dinâmica: as pessoas têm seus próprios limites, preocupações, dificuldades e nem sempre conseguem oferecer a mesma disponibilidade. Isso pode fazer com que o contraste seja bastante doloroso. Mas existe uma diferença entre reconhecer que o mundo não oferece acolhimento o tempo inteiro e concluir que ninguém se importa com você. Talvez essa passagem mereça ser investigada com cuidado. Na psicanálise, não se trata de convencer alguém de que “o mundo é bom” ou de que “é preciso ter amigos”. A questão pode ser justamente compreender como você experimenta os outros e o que acontece quando procura neles acolhimento, reconhecimento ou atenção. O que você espera encontrar no outro? O que acontece quando não encontra? E que lugar você sente que ocupa para as outras pessoas? Talvez a função da terapia não seja preparar você para acreditar que encontrará fora do consultório a mesma relação que existe dentro dele. Pode ser, entre outras coisas, um espaço para compreender melhor a sua experiência no mundo e os modos como você estabelece, ou deixa de estabelecer, seus vínculos. E isso também significa que você pode levar essa própria pergunta para a terapia: “Tenho medo de que aquilo que encontro aqui não exista em nenhum outro lugar”. Essa questão, por si só, já pode ser muito importante dentro do processo terapêutico. Espero que essa resposta possa te ajudar de alguma maneira :)


Entendo a sua preocupação. A terapia não deveria criar a expectativa de que o mundo fora do consultório será sempre acolhedor, compreensivo ou fácil. Na verdade, parte do trabalho terapêutico é justamente reconhecer que existem relações indiferentes, situações frustrantes e pessoas que nem sempre estarão disponíveis para compreender o que sentimos. O consultório oferece um espaço diferente porque é construído intencionalmente para favorecer escuta, reflexão e segurança. Isso não significa que a realidade seja igual, mas que esse espaço pode ajudar a pessoa a compreender melhor o que sente, perceber suas necessidades, estabelecer limites e desenvolver formas mais possíveis de se relacionar com diferentes pessoas e contextos. E ter vínculos não significa necessariamente acreditar que todos serão bons ou que precisamos nos encaixar em qualquer relação. Significa poder construir, aos poucos, relações nas quais exista algum grau de reciprocidade, respeito e autenticidade. A terapia pode ajudar justamente a diferenciar aquilo que é uma expectativa irreal sobre as relações daquilo que é uma necessidade legítima de conexão e cuidado.


Entendo o que você está colocando, porque existe mesmo uma diferença entre a experiência de ser acolhido e escutado em um espaço terapêutico e aquilo que você encontra em algumas relações fora dele. A terapia pode oferecer um espaço de compreensão e atenção que nem sempre está disponível no cotidiano, e reconhecer essa diferença é importante, sem precisar transformar o mundo em um lugar necessariamente acolhedor ou fácil. Parte importante do trabalho é poder levar para a vida aquilo que vai sendo construído nesse espaço, experimentando outras formas de se relacionar, de compreender o que sente, de se posicionar e de lidar com situações em que o outro não oferece a mesma disponibilidade. Talvez a questão não seja fazer o mundo parecer diferente do que ele é, mas construir recursos para estar nele sem precisar abrir mão daquilo que você reconhece como importante para si.


Entendo sua preocupação. A terapia cria um espaço de acolhimento e escuta que nem sempre existe nas relações do dia a dia. Isso não significa que o psicólogo esteja dizendo que o mundo é sempre bom ou que você precisa ter muitos amigos. Talvez o objetivo seja ajudá-lo a reconhecer que existem pessoas indiferentes, mas também algumas capazes de oferecer vínculos significativos. Esse medo de criar expectativas que a realidade não sustenta é, inclusive, algo muito importante para conversar com seu psicólogo.

Dra. Josiane Maia

Dra. Josiane Maia

Psicólogo

Porto Alegre

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O espaço terapêutico é justamente um lugar protegido para que você possa ser ouvido(a), compreendido(a) e refletir sobre aquilo que vive, inclusive sobre as dificuldades e indiferenças que encontra fora dele. A vida real, de fato, envolve pessoas que nem sempre estarão disponíveis, serão empáticas ou corresponderão às nossas necessidades. Mas isso não significa que toda relação seja assim. A terapia também pode ajudar a diferenciar aquilo que não podemos esperar de qualquer pessoa, questões como: vínculos em que exista reciprocidade, respeito, cuidado e interesse genuíno, que são esperados em relações saudáveis. Ter amigos, portanto, não significa acreditar que o mundo será sempre acolhedor. Significa reconhecer que, apesar das experiências de indiferença, também podemos encontrar e construir relações que ofereçam diferentes formas de conexão e apoio. E talvez uma parte importante do processo terapêutico seja justamente essa: não sair do consultório acreditando que o mundo é melhor do que ele é, mas se sentindo mais preparado(a) para lidar com ele, sem precisar abrir mão daquilo que você precisa e merece em uma relação. Espero tê-lo(a) ajudado.


O consultório é, de fato, um espaço diferente da maior parte das relações cotidianas. Durante uma sessão, existe uma pessoa que está ali deliberadamente para te escutar, compreender aquilo que você está vivendo e tentar olhar para a sua experiência sem reduzi-la ou julgá-la. Fora dali, as relações humanas são atravessadas por outras coisas: os limites das pessoas, seus próprios problemas, interesses, indisponibilidades, conflitos e, às vezes, simplesmente pela falta de disposição para escutar. Uma relação terapêutica não precisa ser uma promessa de que o mundo lá fora será igual ao consultório. Ela pode ser uma experiência a partir da qual você consegue olhar para o mundo real com mais clareza — inclusive reconhecendo aquilo que nele é indiferente, frustrante e difícil. E talvez uma das coisas mais interessantes da terapia seja justamente poder dizer ao próprio psicólogo: “aqui eu me sinto compreendido, mas lá fora não é assim, e isso me incomoda”. Essa diferença também pode ser muito importante para ser explorada em sessão.


Olá!! A função do profissional da psicologia é, entre outras coisas, transformar o "setting" terapêutico em um espaço de acolhimento, uma premissa presente em todas as abordagens psicológicas com as quais já tive algum contato. Para isso, além do ambiente convidativo, o psicólogo também precisa se propor a ser atencioso e compreensivo quanto as demandas dos seus pacientes, algo para qual somos preparados desde bem cedo durante a graduação, como ferramenta para o conforto do paciente que, muitas vezes, pode inclusive se encontrar em certa situação de vulnerabilidade, ao verbalizar sobre si mesmo a um profissional. Temos, inclusive, disciplinas voltadas apenas para a ética profissional, onde aprendemos que o que é nos confidencializado por um paciente nunca deve ser material de julgamento moral próprio para nós, mas sim se tratar de dados psicologicamente relevantes sobre o paciente, a serem utilizados justamente em prol do benefício terapêutico dele. Sobre sentir que o ambiente terapêutico criar uma falsa compreensão da realidade a partir das expectativas aumentadas em relação ao preparo que o mundo ao nosso redor tem para lidar com as nossas questões, caso isso lhe aconteça independente do profissional que esteja lhe acompanhando, talvez essa situação possa indicar alguma dificuldade em adapdação/adequação a contextos. Os momentos semanais que passa com seu/sua terapeuta precisam ser de maior compreensão e segurança do que a média de conversas casuais, porque fora do acompanhamento profissional, as pessoas com quem convivemos e conversamos no dia a dia têm (e não precisam suprimir) as própsias questões, não estão impedidas pela ética profissional de passarem o que escutam pelo filtro dos próprios preconceitos, crenças e interpretações. Acredito que levar essa questão à/ao psicólogo/a que te acompanha pode ser na verdade bastante produtivo, provavelmente até criar uma camada nova de conexão terapêutica entre vocês dois. Abraços!! :)


A diferença que você percebe pode ser justamente uma parte importante do trabalho terapêutico. O consultório é um espaço construído para que você possa falar, ser escutado e pensar sobre o que sente, algo que não é uma condição de todas as relações cotidianas. Isso não significa que o psicólogo esteja tentando convencer você de que o mundo é compreensivo ou que as pessoas sempre estarão disponíveis para acolher seus sentimentos. A realidade também envolve indiferença, desencontros e relações pouco cuidadosas. Ao mesmo tempo, experimentar uma relação em que você se sente escutado pode ajudar a perceber que nem toda relação precisa funcionar como aquelas em que você encontrou indiferença. Na clínica, não se trata necessariamente de ensinar que você precisa ter muitos amigos ou que o mundo é um lugar fácil de se encaixar. Pode ser mais interessante compreender o que você espera dos outros, o que encontra nas relações e que tipo de vínculo realmente faz sentido para você. O acolhimento da terapia não precisa ser uma promessa sobre o mundo, mas uma experiência a partir da qual você pode pensar sobre ele.


Ola, você ja pensou em falar isso com os psicologos que te atendem? Com todos foi a mesma coisa? Porque se o psicologo te faz pensar isso, isto tanto pode ser um problema do profissional, quanto algo muito curioso sobre sua interpretação do que acontece na sessaõ....mas tudo que acontece você pode e deve falar com o profissional. E se você não se sente a vontade para isso, precisa procurar ate encontrar alguem que te faça se sentir totalmente a vontade para falar tudoooo... espero que consiga !!!


Olá! É muito compreensível perceber essa diferença entre o acolhimento que você encontra na terapia e o que vivencia nas relações do dia a dia. A terapia não precisa fazer o mundo parecer um lugar fácil, mas pode ajudar a compreender essas experiências e a forma como você se relaciona com elas. Você já conversou sobre isso com o seu psicólogo? Essa conversa é importante para que vocês possam compreender juntos como você tem percebido o mundo, suas relações e também o que acontece dentro da própria terapia.


Olá! O que você está sentindo faz bastante sentido, e essa diferença entre o que você vivencia dentro e fora da terapia pode realmente gerar dúvidas e até uma certa frustração. O acolhimento que você encontra na terapia não significa que o psicólogo esteja tentando fazer você acreditar que o mundo é um lugar perfeito ou que todas as pessoas serão compreensivas. O espaço terapêutico é justamente um lugar onde você pode falar sobre aquilo que sente, pensa e vivencia com mais liberdade, sem precisar esconder partes de você. E poder experimentar isso pode ser muito importante para o seu processo. Ao mesmo tempo, é verdade que nem todas as pessoas terão a mesma disponibilidade para ouvir, compreender ou acolher aquilo que sentimos. Cada pessoa possui sua própria história, experiências e maneira de enxergar o mundo. Por isso, talvez o objetivo não seja esperar que o mundo lá fora funcione como uma sessão de terapia, mas descobrir como você pode se relacionar com esse mundo sem deixar de considerar aquilo que sente e precisa. Você já percebeu algo importante: existem formas diferentes de vivenciar as relações. E essa percepção pode abrir espaço para novas possibilidades. Às vezes, mudanças não acontecem porque conseguimos mudar o outro, mas porque começamos a mudar a maneira como nos posicionamos, os ambientes que frequentamos, os vínculos que escolhemos manter e até aquilo que esperamos de cada relação. Isso não significa simplesmente “fazer amigos” ou se encaixar em qualquer lugar. Significa, aos poucos, encontrar pessoas e espaços nos quais exista alguma possibilidade de troca, respeito e reciprocidade. Não precisa acontecer tudo de uma vez. Pequenas mudanças, no seu ritmo, também são mudanças. E talvez a terapia possa justamente ajudá-lo a construir essas possibilidades sem precisar negar a realidade que você encontra fora dela. Permita-se explorar isso no seu processo. O fato de você estar questionando essas diferenças e procurando compreender o que está acontecendo já pode ser um passo importante.


Acho importante você perceber essa diferença entre o que encontra aqui e o que encontra lá fora. Talvez a terapia não esteja criando uma expectativa irreal, mas te mostrando como é ser escutada e acolhida, e por isso o contraste com o mundo pode ficar mais evidente. Acho que podemos pensar um pouco sobre isso: o que você espera encontrar nas relações, o que de fato encontra e o que significa, para você, ser compreendida e pertencer. Talvez seja justamente aí que esteja uma questão importante para trabalharmos.


Eu entendo sua preocupação, e acho importante você trazer isso. A terapia não deveria fazer você acreditar que o mundo é sempre acolhedor ou que as pessoas vão necessariamente compreender seus sentimentos. O consultório é um espaço diferente justamente porque existe tempo, atenção e disponibilidade para você olhar para aquilo que sente com mais calma. Isso não significa que todas as relações fora daqui funcionarão dessa mesma maneira. Talvez uma parte importante do nosso trabalho seja justamente reconhecer essa diferença: existem pessoas indiferentes, relações que frustram e situações em que você não será compreendido. Isso faz parte da realidade. Mas também podemos investigar o que acontece com você quando encontra essa indiferença: o que você espera do outro, o que sente quando não recebe, como reage e quais relações realmente fazem sentido para você. A terapia não precisa transformar o mundo em um lugar “bom e fácil”. Ela pode ser um espaço para você compreender melhor a realidade, inclusive aquilo que dói nela, e encontrar maneiras mais próprias de se posicionar diante disso. E sobre “ter amigos”: não precisamos partir da ideia de que você precisa ter amigos porque isso seria o certo. Podemos entender primeiro que tipo de relação você deseja e o que você realmente busca quando está com alguém.


A terapia cria um espaço seguro e acolhedor, diferente da realidade cotidiana. O psicólogo não promete que o mundo seja sempre compreensivo, mas oferece um modelo de relação que pode inspirar você a buscar vínculos mais saudáveis fora dali. É um treino para lidar com a indiferença sem perder o valor da sua experiência.


É importante avaliar se a linha terapêutica usada pelo seu psicólogo/a adequa-se a suas expectavias. Realizar a metrificação do progresso é importante também.

Pedro Andrade Rüger

Pedro Andrade Rüger

Psicólogo

Belo Horizonte

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Olá! Muito interessante e reflexiva sua pergunta. Realmente, a terapia é feita para ser um espaço de compreensão e não julgamento para que as pessoas possam se abrir com a segurança de que serão bem tratadas, o que muitas vezes não é possível em outras relações e espaços. Isso não significa que fora da terapia não existam pessoas com quem podemos contar, dialogar ou confiar. Elas existem, mas também existem pessoas que, por limitações pessoais ou de caráter, não conseguem oferecer muito de si aos outros. A realidade é que o mundo é simultaneamente bom E ruim, existem pessoas boas e ruins em todo lugar. E nós precisamos de amigos, somos seres extremamente dependentes uns dos outros emocionalmente, assim como vários outros animais na natureza. Não desista de encontrar pessoas que se importem e gostem de verdade de vc!


O espaço terapêutico é, por definição, um ambiente estruturado de escuta, reflexão e acolhimento, por isso pode ser percebido de maneira diferente das relações do cotidiano. O objetivo da psicoterapia não é criar a expectativa de que todas as pessoas agirão como o terapeuta, mas ajudar você a compreender suas necessidades, ampliar recursos emocionais e construir relações mais satisfatórias fora da sessão. Não existe um número obrigatório de amigos para estar emocionalmente bem; a qualidade e a segurança dos vínculos costumam ser mais importantes do que a quantidade. Essa diferença entre o que você sente dentro e fora da terapia é, inclusive, um tema muito rico para conversar com seu psicólogo.


Bom questionamento. Minha percepção clínica é de que suas expectativas em relação às pessoas e seus comportamentos podem estar idealizadas. Oriento a levar essa questão para ser abordada com seu psicoterapeuta, e entenderem o porquê desse sentimento de inadequação no "mundo lá fora". A raiz dessa questão precisa ser explorada, a fim de que haja a devida contextualização dessa dinâmica psicológica e emocional que o está acometendo. A psicoeducação de suas crenças e, consequentemente, de seu estilo de enfrentamento, será necessária e imprescindível para que novas estruturas de pensamentos e respostas aos eventos seja amadurecida. Espero ter ajudado!! Forte abraço Rita Costa Psicóloga Clínica

Rita K  A  Costa

Rita K A Costa

Psicólogo

São Paulo

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Olá! A terapia é um espaço para olhar, com acolhimento e sem julgamentos, para aquilo que dói. Por isso, é compreensível que você se sinta mais seguro durante as sessões. Quando convivemos por muito tempo com certos sentimentos, precisamos de tempo para compreendê-los e encontrar outras formas de lidar com eles. Esse incômodo que você descreve é importante e deve ser trabalhado na psicoterapia, no seu ritmo, até que se sinta fortalecido o suficiente.


Essa pergunta é muito importante e faz sentido surgir depois de um tempo em terapia. O consultório é, de fato, um espaço construído para acolher — é trabalho do psicólogo criar ali uma escuta atenta, sem julgamento, algo que nem sempre encontramos em outros lugares da vida cotidiana. Isso não significa que o mundo lá fora seja tão ruim quanto parece nos momentos mais difíceis, nem que a terapia esteja te enganando sobre como as coisas são. O que acontece é que, fora da sessão, as relações pedem outra coisa: reciprocidade, tempo, construção aos poucos. As pessoas nem sempre oferecem aquele nível de atenção porque também estão lidando com suas próprias questões, pressas e limitações — não necessariamente porque não se importam com você. Eu sou Daniele Barros, psicóloga com mais de 12 anos de experiência, e através da TCC costumo trabalhar justamente esse tipo de comparação entre o que se vive na terapia e o que se vive fora dela. Um caminho possível é entender a terapia não como um modelo que o mundo deveria copiar, mas como um treino: um espaço seguro para experimentar outras formas de se expressar e, aos poucos, levar isso para os vínculos que já existem ou que você quer construir. O medo que você descreve faz sentido, e pode ser trabalhado — vale conversar sobre isso diretamente com quem te acompanha. Daniele Barros, Psicóloga TCC - CRP 09/008628 | Equipe Espaço Único


Olá, como você está? Muito interessante a sua colocação! Gostaria de tentar responder, mas acredito que não haja uma única perspectiva. Você está falando da diferença entre o setting terapêutico e o mundo real. A intenção do setting ser um ambiente estéril de julgamentos, e verdadeiramente interessado em você, é para que os pacientes consigam falar do que estão sofrendo. Não é intenção criar um mundo ideal, no qual o terapeuta julga que o mundo lá fora seja fácil ou supõe que ter amigos seja o ideal. Na verdade, vale muito você compartilhar com o seu terapeuta que gostaria de encontrar lá fora um mundo parecido com o ambiente da terapia, isso também é um modo de trabalhar suas expectativas, sua posição nas relações, e principalmente nomear essa solidão que descreveu. De fato, ter rede de apoio tem sido abordado como um pilar que ajuda em diversos transtornos, doenças neurológicas e até no próprio envelhecimento. Mas não é a terapia que deve impor essa necessidade. Você está ali para falar das suas necessidades e dificuldades — inclusive de como é difícil estar no mundo como ele é hoje. Com carinho, Nicolle Cristine


Olá! A psicoterapia não pretende mostrar que o mundo é sempre acolhedor. Ela oferece um espaço diferente, onde podemos compreender também as frustrações, a solidão e os desencontros que existem fora dali. Talvez a questão não seja precisar ter amigos, mas compreender que vínculos fazem sentido para você e como construí-los sem deixar de ser quem você é. Espero ter ajudado! Se cuide!


Ola, bom dia! É importante que você leve essa sensação para o processo de psicoterapia. Pois em sua sessão conseguira compreender melhor essa sensação e também como essas relações interferem nela. Muitas vezes as nossas relações fazem com que nos sintamos invisiveis, excluidos, não importantes. As vezes isso terá relação com a atitude ou ausencia de atitude das pessoas que nos cercam, outras vezes terá relação com a nossa atitude, ou nossa expectativa do que o outro poderia fazer por nós. Existem formas, dentro do teu processo para você compreender um pouco mais disso. Outro ponto é, ter amigos é parte de uma base de apoio para a vida, e por isso é importante, mas amizade, coleguismo e conhecidos são conceitos e relações diferentes, vale pensar como você leva isso em sua vida e o que espera desses papeis. Pelo que mencionou, o seu vinculo e acolhimento com seu psicologo é confortavel em sessão, isso é algo importante para o processo. Sugiro que converse com seu psicólogo. Isso poderá ser melhor trabalhado em conjunto. Um abraço.


Há algo importante no contraste que você descreve. O consultório oferece uma forma de atenção que raramente se encontra nas relações cotidianas: tempo reservado, escuta e espaço para pensar sobre o que se sente. Essa experiência é real, mas pode tornar ainda mais dolorosa a indiferença percebida fora dali. Também chama atenção a ideia de que o psicólogo estaria fazendo o mundo parecer bom ou exigindo que você tenha amigos. Talvez valha distinguir o que de fato aparece nas sessões da expectativa que se forma a partir da experiência de ser acolhido. Isso não diminui sua percepção sobre as pessoas ao seu redor; pode ajudar a compreender por que a passagem entre esses dois espaços se tornou tão difícil. A terapia não precisa apagar essa diferença. O sofrimento que surge ao sair do consultório é, ele próprio, parte importante do que pode ser trabalhado ali.


Mas a terapia não existe para convencer você de que o mundo é bom. O mundo pode ser indiferente, sim. As pessoas andam cansadas, apressadas, ocupadas com as próprias dores. Muitas vezes essa indiferença diz mais sobre elas do que sobre o seu valor. O que acontece na sessão é um ensaio. É ali que você aprende a se olhar com mais cuidado, para depois conseguir se sustentar lá fora, mesmo quando ninguém estiver olhando. Sobre amigos: não é obrigação e ninguém precisa caber em todo lugar. Mas ter uma ou duas pessoas com quem dá para ser quem você é faz diferença na vida. E essas relações quase nunca chegam prontas. Elas vão sendo construídas devagar. Esse incômodo que você sente ao sair da sessão é importante. Leve para a terapia. Ele pode mostrar muito sobre o que você procura e onde ainda dá para encontrar.

Sandra  Marques

Sandra Marques

Psicólogo

Florianópolis

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Na Psicoterapia o profissional trabalha com objetivo de descobrirem juntos quais suas dificuldades, percepção de mundo e como você se relaciona com o Outro. É importante você levar às sessões essa sensação que quando não está na terapia, você se sente desamparada, a fim de trabalharem juntos essa questão e outras que envolvem todo lo processo.


Boa tarde! Gostaria de iniciar esta resposta afirmando que cada profissional psicólogo possui um jeito de trabalhar com uma lógica por trás de tudo que faz. Acredito inicialmente que seria interessante perguntar para o seu próprio psicoterapeuta a sua indagação, e quem sabe assim o modelo da sua sessão possa mudar de maneira mais adequada ao que você acredite que faça sentido. Não cabe à mim opinar para além disso, pois entendo que não conheço o trabalho do seu psicoterapeuta, mas reforço que a terapia é um espaço em que você pode e deve levar indagações, mesmo que sejam críticas à postura do seu psicologo


Olá! Compreendo o que você está questionando. De fato, a terapia traz esse acolhimento, uma vez que há uma relação de cuidado, escuta e atenção com foco em você. O enquadre da terapia inclui sigilo, horário definido e uma postura profissional voltada a compreender o que estiver sendo tratado. O psicólogo está preparado para escutar ativamente e acolher. No mundo real, as relações não têm essa mesma estrutura: ambas as pessoas podem querer falar de si, ambas estão nos diálogos, passando por conflitos internos, com seus limites e suas ideias. Alinhar isso pode ser mais difícil quando se quer ser compreendido. A terapia é apenas mais um tipo de relação que existe no mundo. Sobre “precisar ter amigos”, orientaria levar esse pensamento ao seu profissional. Não é uma regra ter amigos para o mundo parecer um lugar bom. Há um ponto, entre estar só e estar com amigos, que pode ser trabalhado na terapia.


Essa é uma observação muito legítima e um bom sinal de que você está pensando criticamente sobre o processo terapêutico. A terapia não é um espelho do mundo. Ela é um espaço deliberadamente construído para oferecer o que muitas relações cotidianas não oferecem: atenção plena, escuta sem julgamento, tempo dedicado exclusivamente a você. Isso é intencional e não é uma ilusão sobre como o mundo funciona. Um bom processo terapêutico não promete que o mundo lá fora será acolhedor. O objetivo é que você desenvolva recursos internos para navegar um mundo que de fato é, muitas vezes, indiferente, sem que isso te paralise ou te machuque da mesma forma. Se a sensação é de que a terapia está criando uma expectativa irreal sobre as pessoas, vale levar exatamente essa percepção para a sessão. É um material clínico valioso e um bom terapeuta vai trabalhar com você a diferença entre o espaço terapêutico e as relações do dia a dia, sem romantizar nenhum dos dois.


O que você trouxe toca em uma das maiores angústias de quem faz psicoterapia. O consultório psicológico é um ambiente artificial de aceitação radical, criado especificamente para ser diferente do mundo exterior. É perfeitamente compreensível que o contraste entre o acolhimento da sessão e a frieza do cotidiano cause um choque e a sensação de estar vivendo uma ilusão. No entanto, o objetivo da terapia não é fazer você acreditar que o mundo é um comercial de televisão ou que as pessoas na rua vão validar seus sentimentos. O propósito é exatamente o oposto. A função do consultório: Um laboratório, não uma bolha. Nós psicólogos oferecemos atenção, compreensão e escuta sem julgamentos não porque o mundo lá fora seja assim, mas porque o paciente precisa experimentar essa segurança em um ambiente controlado para aprender a se dar essa mesma segurança. O consultório é um laboratório. Assim como um astronauta treina em um simulador de gravidade antes de enfrentar o espaço sideral, o consultório serve para você testar defesas, expressar vulnerabilidades e reconstruir a autoestima dos nossos pacientes, sem o risco de ser descreditado novamente. O mundo exterior é indiferente, não necessariamente hostil. A maioria das pessoas lá fora está travando as próprias batalhas e, infelizmente, imersa em suas próprias inseguranças e rotinas. A indiferença delas geralmente não é um ataque pessoal contra nós, mas um reflexo da própria pressa e limitações humanas. Por que a terapia incentiva as relações se o mundo é indiferente?Quando a psicologia fala sobre a importância de ter amigos ou redes de apoio, não significa que você deve esperar que o mundo inteiro te acolha. Significa filtrar o mundo. A ideia não é se encaixar em qualquer lugar ou forçar conexões com pessoas que não querem saber dos seus sentimentos. O objetivo é desenvolver critérios para encontrar as raras pessoas que valem a pena aquelas que, assim como o terapeuta mas dentro dos limites de uma amizade, serão capazes de reciprocidade, escuta e afeto. O verdadeiro objetivo da terapia o foco final do processo terapêutico não é mudar o mundo exterior, mas mudar a sua relação com ele.

Rosani Isobe

Rosani Isobe

Psicólogo

São Paulo

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Sinto muito por essa carga tão pesado do teu ambiente. Deve ser muito difícil ser acolhido em um ambiente da terapia e "voltar" para a realidade onde tudo parece tão cruel e invalidante. Talvez um aspecto importante que tu esteja trazendo é que atualmente o meio em que tu convive não te proporciona esse lugar compreensível, isso não necessariamente significa que não existe esse lugar. Esse lugar pode ser possível sim! Quando falamos na terapia a importância de nos abrirmos parar as pessoas e nos permitirmos sermos vulneráveis isso não se aplica em todos os ambientes. Vão ter situações e pessoas que precisamos ser mais frias e muitas vezes deixarmos de lado algumas características pessoais porque demonstrar o que estamos pensando e sentindo em alguns ambientes pode ser extremamente prejudicial. O ponto é encontrar quais pessoas e lugares são confiáveis. É uma tarefa super desafiadora, mas possível. Saber identificar sinais de risco e ambientes hostis é essencial para poder filtrar lugares opostos a esse primeiro cenário. Existem pessoas boas sim, não desista de procurar porque vale a pena se cercar de pessoas que te acolhem e te amam pelo o teu jeito!


Olá! Nada melhor do que você fazer esta pergunta a ele. A relação terapêutica é aberta e franca. Leve esta pergunta a ele e certamente vocês encontraram caminhos.


A terapia não precisa fazer parecer que o mundo é um lugar compreensivo, fácil ou sempre disponível. Na verdade, parte importante do trabalho pode ser justamente reconhecer que o mundo, muitas vezes, não corresponde ao que precisamos ou desejamos encontrar nas relações. O espaço terapêutico é diferente porque existe ali uma relação construída para que você possa falar, pensar e ser escutado com atenção. Isso não significa que todas as relações fora dali devam funcionar da mesma maneira — nem que a vida precise ser transformada em algo idealizado. Talvez uma questão importante seja justamente poder falar sobre essa diferença: sobre a solidão, a indiferença que você encontra, a frustração de perceber que algumas pessoas não têm disponibilidade para aquilo que você sente e até sobre a sua dúvida em relação à própria terapia. E ter amigos ou construir vínculos não deveria ser uma obrigação para que alguém seja considerado saudável ou feliz. As relações são importantes, mas elas também são complexas, têm limites, desencontros e nem sempre oferecem o acolhimento que gostaríamos. A psicoterapia não existe para convencer você de que o mundo é bom. Ela pode ser um lugar para compreender melhor o mundo que você encontra, compreender o que ele desperta em você e, a partir disso, pensar em quais relações, limites e formas de estar nele fazem sentido para você. E talvez uma das coisas mais importantes seja justamente não precisar sair da terapia acreditando que tudo ficará fácil, mas podendo se sentir um pouco mais acompanhado para lidar com aquilo que, fora dela, nem sempre é fácil.


A terapia é um espaço acolhedor e reflexivo, porém, o processo terapêutico o paciente precisa aprender a colocar em prática o que aprendeu nas sessões. Sair do controle do outro, e assumir as rédeas da própria vida, buscar ter autonomia e independência. Não tente querer mudar os outros, mude a si mesmo, a relação que você precisa ter consigo mesma: amor próprio e autonomia.


O psicólogo não deveria fazer você acreditar que o mundo é um lugar sempre acolhedor, compreensivo ou fácil de habitar. A relação terapêutica possui características que realmente não estarão presentes em todas as relações fora do consultório. Durante uma sessão, existe um profissional cuja função naquele momento é escutar você com atenção, tentar compreender sua experiência, ajudá-lo a refletir e oferecer um espaço em que determinadas questões possam ser examinadas com segurança. Uma amizade, uma relação familiar ou uma interação cotidiana não possui essa mesma estrutura e seria pouco realista esperar que tivesse. Mas isso não significa que o acolhimento da terapia seja uma ilusão. Uma das possibilidades é utilizar essa relação para compreender melhor o que acontece com você nas relações fora dali. Quando surge a conclusão “as pessoas não querem saber de mim e dos meus sentimentos”, por exemplo, eu não começaria dizendo que você está errado. Eu perguntaria: “Que experiências fizeram você chegar a essa conclusão?” “Isso acontece com todas as pessoas e em todos os contextos ou existem diferenças?” “O que você espera de uma relação para sentir que alguém se importa?” “Como você reage quando percebe indiferença?” “Você continua tentando se aproximar, se protege se afastando ou deixa de mostrar aquilo que sente?” A terapia pode ajudar justamente a diferenciar duas coisas: a indiferença e a rejeição que realmente existem em algumas relações e conclusões mais amplas que podemos construir a partir dessas experiências, como “ninguém se importa comigo” ou “não existe lugar para mim entre as pessoas”. E você também não precisa ter amigos simplesmente porque um psicólogo considera que “todo mundo precisa ter amigos”. O importante seria compreender se você deseja vínculos e não consegue construí-los por medo, experiências anteriores ou dificuldades atuais, ou se prefere uma vida com menos relações e isso realmente está de acordo com seus valores e necessidades. Talvez a própria diferença que você percebe entre o consultório e o mundo seja um tema muito importante para levar à terapia: “Aqui eu me sinto compreendido, mas quando saio daqui sinto que essa experiência não existe em nenhum outro lugar. O que fazemos com essa diferença?” Uma boa terapia não deveria prepará-lo para um mundo em que todos serão compreensivos. Deveria ajudá-lo a viver no mundo real: reconhecer quem oferece reciprocidade e quem não oferece, construir vínculos quando eles forem importantes para você, estabelecer limites diante da indiferença e lidar com o fato de que nem todas as pessoas conseguirão oferecer aquilo de que você precisa.

Maiara Correa

Maiara Correa

Psicólogo

Florianópolis

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Olá! Essa é uma observação muito honesta e que merece ser levada a sério, inclusive dentro da própria terapia. O que tu descreve aponta para algo real: o consultório é, de fato, um espaço com condições que não existem na maioria das relações cotidianas, atenção plena, ausência de julgamento, tempo dedicado exclusivamente a ti. Isso não é uma ilusão, mas também não é um modelo de como todas as relações deveriam ser. O objetivo da terapia não é criar a expectativa de que o mundo será assim, mas ajudar a pessoa a se fortalecer internamente para navegar um mundo que nem sempre é acolhedor, e a encontrar, nesse mundo imperfeito, vínculos que sejam suficientemente bons. Vale levar essa dúvida diretamente para o teu psicólogo, pois ela é parte importante do processo.


Olá ! São dúvidas muito legítimas. O acolhimento da sessão não é uma promessa de que as pessoas fora dela agirão da mesma forma. A psicoterapia é uma relação profissional organizada para dedicar atenção ao paciente; amizades, relações familiares e convivência cotidiana têm outras condições e limites. Leve para seu terapeuta esses questionamentos, conversar sobre esse desencontros ajuda a ajustar o trabalho conjunto.


O consultório, esse espaço terapêutico, é de fato um espaço construído justamente para que exista tempo, atenção, escuta e possibilidade de reflexão. A vida cotidiana não funciona assim o tempo todo. As pessoas estão preocupadas consigo mesmas, têm limites, distrações, dificuldades e nem sempre conseguem oferecer o tipo de presença que um psicólogo oferece numa sessão. Isso pode ser frustrante, mas não significa que aquilo que acontece na terapia seja falso. Se dentro da sessão você experimenta acolhimento e fora dela sente indiferença, talvez valha investigar o que acontece nesse intervalo: que tipo de relação você procura, o que espera das pessoas, como percebe sinais de interesse ou desinteresse e quais experiências anteriores podem ter tornado a indiferença especialmente dolorosa. Isso não significa concluir que o problema esteja apenas na sua percepção. Algumas relações realmente são frias, superficiais ou pouco disponíveis. A terapia também não deveria ensinar que o mundo é bom, fácil de habitar ou que todo mundo precisa obrigatoriamente ter muitos amigos. Um psicólogo não deveria transformar amizade em receita de saúde mental. O que pode ser trabalhado é outra coisa: se você deseja vínculos, que tipo de vínculo faz sentido para você? Como reconhecer relações minimamente recíprocas? Como lidar com o fato de que nenhuma relação oferece atenção constante? Como estabelecer limites com quem não demonstra interesse? E como não transformar a existência de pessoas indiferentes numa prova de que ninguém poderá se importar? Talvez a função mais importante daquele espaço não seja preparar você para encontrar lá fora pessoas tão disponíveis quanto seu psicólogo, porque provavelmente isso não vai acontecer da mesma maneira. Pode ser oferecer uma relação em que você consiga compreender melhor o que busca nos outros, o que aceita, o que precisa recusar e que tipo de presença deseja construir nas suas relações. E, se você sente que seu psicólogo realmente transmite a ideia de que o mundo é bom, que é fácil se encaixar ou que você precisa ter amigos, vale levar exatamente essa crítica para a sessão e poder trabalhar essa visão de si, da terapia e do mundo. Espero ter ajudado e sigo à disposição.

Cirano Araújo

Cirano Araújo

Psicólogo

Belo Horizonte

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Esse contraste é doloroso e merece ser levado a sério. O espaço terapêutico não pretende mostrar que o mundo é fácil, e sim oferecer uma experiência de validação que ajude a reconhecer o que você sente e precisa. A partir disso, o trabalho pode envolver identificar relações e contextos onde conexões mais cuidadosas sejam possíveis, ainda que imperfeitas. Esse questionamento é valioso para levar ao seu psicólogo, pois fala diretamente dos objetivos da terapia. Cuide-se.

Daniele Rodrigues

Daniele Rodrigues

Psicólogo

Rio de Janeiro

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você já falou isso para o seu psicólogo? É um conteúdo próprio para ser visto em sessão, a maneira como você sente e percebe o mundo dentro e fora da psicoterapia.

Israel Machado

Israel Machado

Psicólogo

Passo Fundo

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Ter amigos com qualidade é diferente de apenas "ter amigos". É importante sim manter relações de amizade com qualidade. Não é a maioria das pessoas com quem a gente vai ter esse tipo de relação. Nossas principais amizades são difíceis de encontrar, de forma geral. Mas isso não quer dizer que no mundo só tem pessoas "que não querem saber". Outros pontos importantes são um fenômeno chamado "viés de confirmação" e a "atenção seletiva". O viés de confirmação é quando eu busco na realidade apenas fatos e sinais que confirmam o que eu JÁ ACREDITO. Então, se vc acredita que no mundo somente há pessoas que "não querem saber", vc já faz a busca por pessoas a partir desse viés. Junto com isso, a atenção seletiva faz vc se concentrar justamente nas pessoas que passam por vc e que realmente não ligam. As pessoas que teriam potencial para desenvolver uma relação de maior qualidade vc apenas ignora, nem toma conhecimento da existência... Tudo isso é mais complexo do que essa resposta vai permitir eu explicar. Sugiro levar esses termos pro teu psicólogo e discutir sobre esse assunto dessa forma com ele.


A terapia precisa ajudar a pessoa a olhar para a própria realidade com mais clareza, e não criar uma visão artificialmente positiva do mundo. O vínculo terapêutico tem um papel importante porque oferece um espaço seguro de escuta, confiança e reflexão. Mas esse vínculo não existe para fazer parecer que todas as relações serão assim. Ele serve como uma base para que a pessoa consiga observar melhor o que vive fora da terapia. Se você sente que as pessoas são indiferentes ou não se importam com seus sentimentos, isso precisa ser analisado a partir de fatos: onde isso acontece, com quem, com que frequência e se essa experiência se repete de fato ou se houve uma generalização a partir de situações dolorosas. A partir daí, a terapia ajuda a entender o que pode ser mudado, o que depende de você, o que não depende e quais estratégias podem ser desenvolvidas para lidar melhor com essa realidade. O objetivo não é convencer você de que o mundo é acolhedor, mas ajudá-lo a enxergá-lo com mais precisão e a se posicionar melhor diante do que realmente está acontecendo.


O que você descreve é uma das experiências mais importantes e menos faladas de quem está em terapia. E o primeiro ponto é: esse contraste não significa que a terapia esteja mentindo para você ou criando expectativas falsas. Mas ele merece ser olhado de perto, porque diz algo verdadeiro sobre os dois mundos. A acolhida que você recebe na sessão é genuína, não é encenação. Mas ela existe dentro de uma estrutura criada exatamente para tornar essa atenção possível: horário protegido, confidencialidade, foco total em você, nenhuma cobrança em troca. O mundo lá fora não tem esse enquadre. As pessoas que você encontra carregam seus próprios cansaços, medos e pressas. A intimidade lá fora não é um serviço prestado, é uma construção lenta, que exige reciprocidade e risco dos dois lados. Comparar a sessão com o mundo é como comparar uma estufa com o campo aberto: a estufa não é falsa, ela é um ambiente preparado. A pergunta certa não é "por que a estufa não é o mundo inteiro?", mas "o que essa experiência me ensina sobre o que eu preciso e mereço?". E aqui está algo que talvez doa de um jeito bom: sentir o contraste com tanta força costuma ser sinal de que a terapia está funcionando. O que mudou não é o mundo é o seu limite do que você aceita tolerar. Quem foi habituado à indiferença às vezes só percebe o quanto estava com fome de atenção quando finalmente a experimenta. O desconforto de voltar ao mundo depois da sessão é, em parte, a dor de ter recuperado uma expectativa legítima. Dito isso, há duas honestidades necessárias: * Primeira: o estado emocional colore a percepção: ansiedade e desânimo fazem o mundo parecer mais indiferente do que é, sem que isso seja mentira sua; é o filtro operando. * Segunda: se você tem a impressão de que o psicólogo "vende" um mundo bom e fácil de encaixar, isso precisa ser dito na sessão, com essas palavras mesmas. Uma terapia boa não promete um mundo acolhedor, ela trabalha para que você consiga construir, fora dali, algumas poucas relações onde possa ser você mesmo. A ciência é clara que conexão social é um dos maiores preditores de saúde mental e física, mas isso não é uma exigência de se encaixar, e sim a constatação de que seres humanos se sustentam em vínculos, ainda que poucos e pequenos.


O mundo não é o que idealizamos. A terapia deve ser uma ferramenta para se lidar com o que há de bom e ruim no mundo, mesmo depois de sair da sessão. O que importa não é o que fazem com você, mas o que você faz com o que fazem com você. Abraço.


A terapia não tem como objetivo fazer parecer que o mundo é um lugar acolhedor ou fácil de se encaixar. O espaço da terapia é diferente porque existe ali um tempo dedicado àquilo que você está vivendo, com uma escuta e uma atenção que nem sempre estão presentes nas relações do cotidiano. Talvez justamente perceber essa diferença possa ser uma questão importante para o processo. A terapia não precisa negar a indiferença que existe no mundo, nem criar a expectativa de que as relações serão sempre compreensivas. Mas pode ser um espaço para pensar sobre as relações que você estabelece, sobre o que espera delas e sobre as experiências que fazem com que o mundo seja percebido dessa forma. Ter amigos também não precisa aparecer como uma obrigação ou como uma solução para essa sensação. A questão pode ser poder construir relações possíveis, que façam sentido para você, sem precisar transformar o mundo em um lugar mais acolhedor do que ele de fato é.


O espaço terapêutico deve ser acolhedor, contudo, é um lugar que prepara o paciente para lidar com o mundo real, fora do seu controle. De fato não são todas as pessoas que terão diálogo, vão compreender ou se comunicar conosco, dentro da terapia, o ideal é construir estratégias e formas de lidar com essas situações que fogem ao nosso controle. Nem tudo funciona para todos, o ideal é buscar o que funciona para você.

Lucas Santiago de Carvalho

Lucas Santiago de Carvalho

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Você pondera muito acertadamente sobre o processo terapêutico, mas de verdade e no acolher o autoconhecimento. que você vai ressignificar seus relacionamento, de forma coerente, respeitosa com você mesmo


O que você descreve é comum e muito importante de ser dito dentro da própria terapia. O contraste existe: a sessão é um espaço construído para a escuta, e o mundo lá fora não funciona assim. Mas a terapia não pretende mostrar como o mundo vai tratar você. Ela se parece mais com um lugar de ensaio: ali você experimenta ser ouvido e se ouvir, para depois reconhecer e escolher, fora dela, as relações em que isso também pode acontecer. A indiferença que você encontra é real, e não é culpa sua. Ao mesmo tempo, vale perguntar: onde, fora do consultório, já existiu algum momento pequeno de compreensão? Com quem você se permite mostrar um pouco mais? Muitas vezes a terapia não cria uma expectativa falsa. Ela torna visível uma falta que já existia e que agora dói mais, porque você sabe o que ela é. Leve exatamente essa frase para a sua próxima sessão: "tenho medo de que isto aqui não exista lá fora". Um bom processo terapêutico se ocupa disso e ajuda a construir pontes entre as duas coisas, sem que você precise escolher uma delas. Thiago Pires, psicólogo, CRP 05/83313


Essa percepção pode fazer bastante sentido e não significa necessariamente que a terapia esteja ensinando que “o mundo é um lugar bom e fácil”. A relação terapêutica é um contexto específico, construído para que exista escuta, atenção, segurança e reflexão. É natural que uma conversa com um psicólogo seja diferente de uma conversa cotidiana. O objetivo da terapia também não é convencer a pessoa de que todos serão compreensivos ou de que ela precisa ter muitos amigos. O objetivo é ajudá-la a desenvolver recursos para lidar com a realidade como ela é: inclusive com pessoas indiferentes, relações frustrantes, rejeições e situações em que suas necessidades não serão atendidas. A terapia pode justamente ajudar a diferenciar duas coisas: “algumas pessoas não me acolhem” e “ninguém se importa comigo”. A segunda afirmação é uma generalização que pode ser investigada terapeuticamente sem invalidar as experiências dolorosas que deram origem a ela.


Olá! O mundo não é fácil e nem difícil. É apenas diferente para cada pessoa. O consultório é um espaço construído justamente para que exista escuta, atenção e reflexão... coisas que nem sempre encontramos nas relações do cotidiano, infelizmente. Talvez o objetivo da terapia não seja fazer você acreditar que o mundo é um lugar fácil de se encaixar, mas ajudar você a encontrar uma forma de estar nele sem precisar deixar de ser quem você é. E talvez seja exatamente isso que você possa conversar com seu psicólogo. Você não precisa encontrar um mundo perfeito. Precisa encontrar maneiras possíveis de viver no mundo real **sem se abandonar nele.**


A terapia não deveria criar a expectativa de que o mundo vai se tornar mais acolhedor. O mundo não muda necessariamente, o que pode mudar é a sua relação com ele. O consultório oferece um espaço de escuta e compreensão que nem sempre existe fora dele. O trabalho psicoterapêutico é ampliar a consciência sobre como você se relaciona com esse mundo, reconhecer o que ele oferece e também os seus limites, sem precisar deixar de ser quem você é. A questão não é aprender a se encaixar, mas se apropriar de quem você é para poder ocupar os espaços que fazem sentido para você, estabelecer seus limites e escolher com quem deseja construir relações.


A terapia não deveria fazer parecer que o mundo é um lugar sempre acolhedor. O consultório é, de fato, um espaço diferente: existe ali uma escuta atenta e um tempo dedicado àquilo que você sente, algo que nem sempre encontramos nas relações do dia a dia. O objetivo não é criar a expectativa de que todos serão compreensivos, mas ajudar você a entender melhor o que sente, perceber como se relaciona com os outros e compreender também aquilo que espera dessas relações. Talvez a questão não seja encontrar um mundo tão acolhedor quanto o consultório, mas poder estar no mundo sem precisar deixar de ser quem você é.


O que você descreve pode acontecer e, na verdade, essa diferença entre o consultório e o mundo fora dele pode ser um tema muito importante para a própria terapia. O espaço terapêutico é construído intencionalmente para que você possa falar, ser escutado e refletir sobre sua experiência sem precisar reproduzir imediatamente as mesmas condições das relações cotidianas. Isso não significa que o psicólogo esteja dizendo que o mundo é compreensivo ou que as pessoas serão assim fora dali. A vida real também envolve indiferença, rejeição, conflitos, relações superficiais e pessoas que não terão disponibilidade ou interesse para compreender aquilo que sentimos. A psicoterapia não deveria criar a expectativa de que encontraremos esse mesmo nível de escuta em todas as nossas relações. Ao contrário, pode ajudar a reconhecer a realidade como ela é e a desenvolver recursos para se posicionar diante dela. Outro aspecto da sua pergunta é sobre a necessidade de ter amigos. Ter amigos não precisa ser entendido como uma obrigação ou como uma solução para a solidão. Algumas pessoas desejam muitos vínculos, outras preferem relações mais pontuais ou uma vida mais reservada. A questão pode ser compreender que tipo de relação faz sentido para você e quais necessidades humanas de vínculo, troca e pertencimento você deseja ou não atender. Se você sente que, ao sair da sessão, a realidade parece ainda mais indiferente, vale levar exatamente essa percepção ao seu psicólogo. Não é necessário transformar isso em uma conclusão de que “a terapia está criando uma ilusão”. Essa diferença entre o que você encontra no consultório e o que encontra fora dele pode ser, por si só, um material muito rico para compreender sua experiência de mundo, suas expectativas e a maneira como você se relaciona com as outras pessoas. Espero ter ajudado um pouco a elucidar suas questões e em seu processo de psicoterapia. Um abraço!


Avalie junto ao seu terapeuta como desenvolver recursos para lidar com esse mundo que você encontra fora da terapia. É dentro dessa atmosfera criada na terapia que vc se sente seguro o suficiente para criar seus próprios recursos, enxergar a sua realidade e saber como lidar com ela, encontrar as pessoas com quem vc quer se relacionar, estar fortalecido o suficiente para saber lidar com as dificuldades que virão para você assim com vêem para muitas pessoas. Nesse lugar seguro que é o setting terapêutico você pode encontrar como estabelecer conexões positivas no mundo fora da terapia e como isso pode partir de você.


Essa é uma queixa super justa e muito comum. O consultório é mesmo um mundo à parte, um lugar de acolhimento total que contrasta muito com a frieza do dia a dia lá fora. O psicólogo não faz isso para fingir que o mundo é perfeito ou fácil. Ele te acolhe desse jeito porque o consultório precisa ser um espaço seguro, uma espécie de laboratório. Se o terapeuta fosse indiferente como o resto do mundo, você não teria forças nem segurança para se abrir, olhar para as suas dores e se fortalecer. A ideia não é criar uma ilusão, mas sim construir a sua resiliência. Experimentar esse respeito na sessão serve para você entender como merece ser tratado e ganhar forças para lidar com a realidade lá fora, sem se deixar quebrar pela indiferença dos outros. E sobre a insistência em ter amigos, nós somos seres sociais e a solidão adoece. O objetivo não é fazer você se encaixar em qualquer lugar ou agradar todo mundo, mas te incentivar a procurar pessoas que você se identifique, que tenha afinidades... aqueles poucos que realmente vão valer a pena no meio de um mundo tão desatento. O papel da terapia é justamente te deixar forte o suficiente para enfrentar o mundo como ele é, e não como a gente gostaria que fosse. Espero ter ajudado, um abraço.

Dra. Lívia Atkinson

Dra. Lívia Atkinson

Psicólogo

Santa Maria, RS

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Entendo sua percepção. A terapia pode, de fato, oferecer um espaço diferente daquele que encontramos em muitas relações do cotidiano: um lugar de escuta, acolhimento e reflexão, no qual seus sentimentos podem ser compreendidos sem que você precise se defender ou se justificar o tempo todo. Mas o objetivo da psicoterapia não é criar uma realidade paralela ou fazer parecer que o mundo é mais fácil do que realmente é. Na Terapia Cognitivo Comportamental, por exemplo, buscamos compreender a relação entre situações, pensamentos, emoções e comportamentos, justamente para que você possa lidar de maneira mais consciente com aquilo que acontece fora do consultório. O psicólogo também não deveria simplesmente confirmar tudo o que o paciente pensa ou sente. A terapia pode ser acolhedora e, ao mesmo tempo, favorecer questionamentos, novas perspectivas e o desenvolvimento de estratégias para enfrentar situações difíceis. E talvez exista uma questão importante na sua pergunta: se no consultório você se sente compreendido e, fora dele, frequentemente se sente incompreendido, o que essa diferença desperta em você? Que expectativas você passa a ter das outras pessoas? Que situações fazem você sentir que precisa se encaixar? A terapia pode ser justamente um espaço para investigar essas experiências e, gradualmente, desenvolver recursos para construir relações mais satisfatórias, sem precisar acreditar que o mundo é sempre um lugar fácil ou que você precisa se encaixar nele a qualquer custo.


Olá! Tudo bem? Excelente questionamento! Na terapia o objetivo do psicólogo não é fazer parecer algo, mas proporcionar uma experiência (que para alguns pode ser praticamente a primeira vez) em que podem encontrar uma espécie de modelo de relação saudável. Se você consegue viver, nem que seja pela primeira vez e apenas com o psicólogo (inicialmente), essa relação é algo muito positivo! Essa experiência serve para inaugurar um modelo de relação que você terá como base para relações atuais e futuras. Agora, se na vida pessoal as suas relações estão muito longe do que é vivido na relação terapêutica (guardada as devidas proporções) talvez seja necessário avaliar essas relações, pois elas podem precisar passar por uma melhor organização do espaço e importância que elas tomam na sua vida, por exemplo. E se abrir para relações mais próximas do novo modelo estabelecido.


O acolhimento do psicólogo está prometendo que todos agirão assim? ou mostrando como uma relação respeitosa pode funcionar? Seria possível compreender o consultório como um espaço de treino, e não como uma representação de toda a realidade? O que você pode aprender na relação terapêutica para reconhecer, buscar ou construir relações mais seguras fora dela?

Jorge Lima

Jorge Lima

Psicólogo

São Paulo

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Olá! É muito compreensível que você sinta esse choque. A realidade lá fora pode, de fato, ser dura e muitas vezes indiferente às nossas dores. A intenção da terapia não é criar a ilusão de que o mundo é um conto de fadas ou que todos serão gentis com você. Na verdade, o consultório funciona como um "laboratório" ou um palco seguro. O acolhimento e a compreensão que você recebe do psicólogo servem para te mostrar como é uma relação saudável, baseada no respeito e na escuta verdadeira. A ideia é que, ao vivenciar esse cuidado na sessão, você aprenda a não aceitar menos do que isso na sua vida pessoal. Quando o terapeuta fala sobre a importância de construir vínculos, não é para você tentar se encaixar à força em relações frias, mas porque você merece encontrar pessoas (mesmo que poucas) que ofereçam trocas reais. A terapia te ajuda a resgatar sua força e espontaneidade para escolher melhor quem merece entrar na sua vida. Um abraço!


Talvez seja importante levar exatamente essa sensação para a terapia. O espaço terapêutico pode ser diferente do mundo lá fora, e isso não significa necessariamente que esteja criando uma expectativa irreal. Converse abertamente sobre isso com seu psicólogo: sobre a diferença que você percebe entre o acolhimento do consultório e aquilo que encontra fora dele. Essa própria experiência pode ser muito importante para ser compreendida em terapia.


O sentimento de ser acolhido e ter o seu sofrimento validado é importante dentro do processo terapêutico mas ele sozinho não constrói estratégias de enfrentamento para as situações que você entende como cruel. O que seria um mundo bom pra você? Quem é “todo mundo parece não se importar?” Quais pessoas você está observando e tem a expectativa de se sentir amada ou acolhida? A terapia é para te fortalecer e identificar os recursos emocionais que vc tem para se proteger dessas decepções que você se queixa


entendo essa sensação. A terapia não tem como objetivo fazer você acreditar que o mundo é sempre acolhedor e fácil. O espaço terapêutico protegido e para você ser ouvido, compreendido e refletir sobre suas experiências. A realidade pode ser indiferente e algumas relações poder de fato serem bem difíceis. O trabalho da terapia é ajudá-lo a reconhecer isso sem concluir que todas as pessoas ou relações serão obrigatoriamente assim. E você também não precisa ter muitos amigos para estar bem, o importante é construir relações que façam sentido para você e aprender a lidar com aquilo que está fora do seu controle.


Compreendo perfeitamente esse medo — é uma observação muito verdadeira e sensível. A terapia não mente nem cria ilusões: ela te oferece um espaço de referência para você sentir como é ser acolhido e compreendido — para que você aprenda a se tratar assim também. O mundo nem sempre será assim, isso é real. Mas o que construímos aqui não é para ficar só aqui: é para você levar essa clareza e esse cuidado para dentro de você, saber reconhecer onde é bem-vindo e onde não é, escolher melhor suas relações e não depender da aprovação alheia para se valorizar. Não estamos dizendo que é fácil — estamos te dando ferramentas para lidar com o que existe, bom ou não. E sim, existem pessoas que se importam: às vezes menos do que gostaríamos, mas o primeiro passo é você passar a se importar verdadeiramente consigo mesmo. Vamos juntos?


Sua reflexão é muito importante. A terapia oferece um espaço de escuta, acolhimento e compreensão que, muitas vezes, não encontramos nas relações cotidianas. Mas isso não significa que o mundo seja sempre acolhedor ou que você precise se adaptar a qualquer ambiente para ser aceito. O objetivo da terapia não é criar uma visão idealizada da realidade, mas ajudá-lo a desenvolver recursos emocionais para lidar com ela, reconhecer relações saudáveis, estabelecer limites e construir vínculos possíveis. Também é importante compreender que não precisamos ter muitos amigos para viver bem, mas todos merecemos relações nas quais possamos ser respeitados e acolhidos.Talvez essa diferença entre o consultório e o mundo externo seja justamente algo muito significativo para trabalhar na terapia: como você se sente diante da indiferença e quais experiências contribuíram para essa percepção. A terapia não deve ensinar você a acreditar que o mundo é perfeito, mas ajudá-lo a encontrar seu lugar nele sem precisar abandonar quem você é.

Dra. Adriana Castro de Souza

Dra. Adriana Castro de Souza

Psicólogo

Balneário Camboriú

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O papel do psicólogo é acolher, ensinar ao paciente a regular as emoções e perceber a própria necessidades, o paciente vai lidar com as frustrações e as emoções diante das vivências, fale com seu psicólogo sobre suas vivências.


A terapia te motiva a mudar hábitos para que assim haja mudança, mas se ficar somente na teoria de mudar, seu contexto permanecerá o mesmo


Olá, seu psicólogo está fazendo um excelente trabalho sendo acolhimento para você. Contudo, esse acolhimento também precisa ser seu. Acolher a si mesmo é a forma como, de fato, você se sentirá realmente acolhido. Leve isso para sua terapia, tenho certeza que ele te ajudará. Espero ter ajudado!


Olá, querido anônimo. Na terapia desenvolvemos ferramentas para lidar do consultório para a vida. Você já localizou sua dificuldade, o que significa que, uma terapia na minha abordagem, pode ser muito eficaz. Conte comigo, Marcella


É muito importante que você compartilhe essa sensação com seu psicólogo, pois isso faz parte do processo terapêutico. O objetivo não é criar dependência da terapia, mas ajudá-lo a desenvolver autonomia, senso crítico e recursos para lidar com a vida fora do consultório. A terapia oferece um espaço de acolhimento, mas contribui para lidar com essa realidade com mais segurança. Fale abertamente sobre isso com ele.


Isso acontece pq você está buscando a aprovação das pessoas. A primeira pessoa que deve te aceitar é você mesmo.


Olá, tudo bem? Eu entendo a sua preocupação, e acho importante diferenciar uma coisa: a terapia não tem como objetivo o fazer acreditar que o mundo lá fora é sempre acolhedor, compreensivo ou fácil de viver. O espaço terapêutico é um lugar construído para que você possa experimentar uma relação diferente daquela que talvez tenha encontrado em outros contextos. Na terapia, existe uma atenção direcionada à sua experiência, ao que você sente, pensa e vive. Fora dela, as relações são atravessadas por outras demandas, limites, histórias e possibilidades. Algumas pessoas poderão não conseguir oferecer o tipo de escuta que você encontra no consultório, e reconhecer isso também faz parte de compreender a realidade. Talvez a questão não seja sair da terapia esperando encontrar o mesmo ambiente em todas as relações, mas perceber o que essa experiência de acolhimento pode te ensinar sobre aquilo que você precisa, deseja e considera importante em uma relação. A terapia não precisa criar a expectativa de que todos irão te compreender; ela pode ajudar você a desenvolver recursos para lidar com quando não for compreendido, reconhecer relações que fazem sentido para você e também construir, aos poucos, experiências de contato mais significativas. E ter amigos ou vínculos não precisa significar acreditar que as pessoas estarão disponíveis o tempo inteiro ou que todas as relações serão profundas. Significa reconhecer que nós somos seres relacionais e que podemos buscar vínculos possíveis, reais e imperfeitos, sem exigir deles aquilo que somente um espaço terapêutico pode oferecer. Se você sentir que precisa de ajuda profissional para compreender melhor essa sensação de distância entre o mundo da terapia e o mundo lá fora, estou à disposição para te acompanhar nesse caminho!


A terapia oferece um espaço protegido para você receber o acolhimento que muitas vezes falta no dia a dia. Esse processo ajuda a desenvolver a sua independência, preparando você para encarar a vida real sem depender de validações superficiais ou passageiras.


Olá. Entendo a sua preocupação, e acho importante você questionar isso. A terapia não deveria criar a expectativa de que o mundo lá fora funciona exatamente como o consultório. Na verdade, uma parte importante do processo é justamente ajudar você a lidar com a realidade como ela é, inclusive com o fato de que nem todas as pessoas serão acolhedoras, disponíveis ou interessadas em compreender aquilo que você sente. O ambiente terapêutico é diferente de uma relação cotidiana porque existe ali um espaço intencionalmente construído para você ser ouvido, refletir sobre o que está vivendo e falar sobre aspectos que talvez não encontre espaço para compartilhar em outros lugares. Isso não significa que todas as relações fora dali serão assim, nem que você precisa encontrar pessoas que ofereçam exatamente o mesmo tipo de escuta que um psicólogo oferece. Ao mesmo tempo, uma experiência de indiferença não significa necessariamente que ninguém se importa com você. Na TCC, podemos investigar como determinadas experiências, expectativas e crenças influenciam a forma como interpretamos as atitudes das pessoas. Por exemplo: “as pessoas não querem saber de mim” pode ser uma conclusão compreensível diante de algumas experiências, mas vale observar se ela representa todas as relações ou se existem situações que não confirmam completamente essa percepção. E sobre “precisar ter amigos”: não existe uma regra de que todo mundo precisa ter uma grande quantidade de amigos ou manter determinado tipo de vida social. O mais importante é entender quais relações fazem sentido para você e que tipo de conexão você gostaria de construir, respeitando também suas necessidades e seus limites. Talvez a terapia não precise ensinar que “o mundo é um lugar bom e fácil”. Ela pode ajudar você a desenvolver recursos para viver em um mundo que tem acolhimento e indiferença, pessoas disponíveis e pessoas que não estarão disponíveis, relações que dão certo e outras que não dão, sem que cada experiência negativa precise se transformar em uma conclusão sobre o seu próprio valor. Se essa sensação de contraste entre o consultório e a vida fora dele tem te incomodado, isso também pode ser um tema muito importante para ser levado à terapia. É possível explorar essas experiências, suas expectativas em relação às pessoas e o que você realmente deseja encontrar nas suas relações, sem precisar romantizar nem tornar a realidade mais difícil do que ela é.


É muito compreensível sentir esse contraste. O consultório é um espaço reservado, com tempo e atenção dedicados a você; as relações do dia a dia não costumam oferecer esse mesmo tipo de escuta. Isso não significa que a terapia esteja fingindo que o mundo é acolhedor ou que você deva encontrar compreensão em todas as pessoas. Também não é necessário concluir que o mundo seja fácil de encaixar, nem que toda pessoa precise ter muitos amigos. A terapia não deveria impor uma visão otimista ou convencer você a buscar vínculos a qualquer custo. Ela pode ajudar a reconhecer que há indiferença e relações frustrantes, mas também a entender o que você deseja, quais vínculos seriam significativos para você e como se proteger sem precisar se fechar completamente, se essa for uma possibilidade que faça sentido. Vale muito levar essa preocupação diretamente ao seu psicólogo: “Tenho medo de que o acolhimento daqui crie uma expectativa que não encontro fora. Às vezes sinto que você me apresenta um mundo que não reconheço.” Vocês podem conversar sobre o que a terapia está propondo e ajustar o trabalho para que ele considere sua experiência real, sem invalidá-la nem exigir que você veja o mundo de outra forma.

Júlia Milagres

Júlia Milagres

Psicólogo

Belo Horizonte

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O que você percebe é muito importante: a relação terapêutica realmente não funciona como a maioria das relações da vida cotidiana. Em uma sessão, existe um espaço organizado para que alguém escute você com atenção, interesse e tempo. Fora dali, as pessoas estão atravessadas pelas próprias preocupações, limites, desejos e dificuldades e nem sempre terão disponibilidade para nos compreender. Mas a função da terapia não deveria ser fazer você acreditar que “o mundo é um lugar bom”, que todos serão acolhedores ou que será fácil se encaixar. Tampouco deveria ensinar que é obrigatório ter amigos para viver de uma determinada maneira. Pela psicanálise, eu pensaria que algo interessante acontece justamente nessa diferença entre o consultório e o mundo lá fora. Quando você encontra uma experiência de escuta e depois sente tão intensamente a ausência dela nas outras relações, isso pode nos dizer algo sobre o que você espera dos vínculos, aquilo de que sente falta e como tem vivido a experiência de não ser visto ou compreendido pelos outros. A terapia não precisa reproduzir a realidade externa. Ela cria uma relação particular justamente para que possamos observar, com mais cuidado, o que acontece conosco nas relações. Isso inclui perceber o que sentimos quando somos acolhidos, quando somos ignorados, quando esperamos algo do outro e quando aquilo que encontramos não corresponde ao que desejávamos. Talvez a questão não seja fazer você sair da terapia esperando que todas as pessoas ofereçam a mesma escuta do psicólogo. Pode ser, ao contrário, ajudá-lo a construir recursos para viver em um mundo no qual algumas pessoas poderão se aproximar, outras serão indiferentes, algumas relações serão profundas e outras não, sem que a indiferença de alguém determine completamente o seu valor ou o seu lugar no mundo. E há algo que eu levaria diretamente para a terapia: “tenho medo de que este espaço esteja me fazendo desejar uma compreensão que não existe fora daqui.” Essa não é uma crítica que precisa ficar do lado de fora da sessão. É justamente um tema muito rico para ser pensado junto com o psicólogo. Nilzelly Martins | Psicóloga clínica

Nilzelly Martins

Nilzelly Martins

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Entendo muito o que você está colocando, porque existe uma diferença enorme entre entrar em um espaço onde alguém realmente para para te ouvir e voltar para uma realidade em que as pessoas estão ocupadas com os próprios problemas, nem sempre têm disponibilidade emocional e, às vezes, simplesmente não demonstram interesse pelo que você está sentindo. E acho importante dizer que a terapia não deveria ter como objetivo convencer você de que o mundo é um lugar bom, acolhedor ou fácil. Nem deveria fingir que todas as pessoas são compreensivas e que basta fazer amigos para deixar de se sentir sozinho. Isso realmente poderia criar uma expectativa dolorosa sobre a vida. O consultório é um ambiente muito particular. Durante uma sessão, existe alguém que está ali justamente para prestar atenção em você, tentar compreender o que você está sentindo, não interromper sua experiência com a própria história e ajudá-lo a pensar sobre aquilo. É uma relação construída deliberadamente para oferecer esse espaço. É natural que ela seja diferente de uma conversa casual no trabalho, na rua ou até mesmo com pessoas próximas. Isso não significa necessariamente que o que acontece na terapia seja uma mentira ou que o mundo lá fora deveria funcionar daquela maneira. Talvez uma parte importante da terapia seja justamente conseguir olhar para essa diferença sem precisar escolher entre “o consultório é uma ilusão” e “o mundo é um lugar horrível”. Você pode reconhecer: “Aqui eu sou muito compreendido, e fora daqui nem sempre sou.” E isso pode ser doloroso. Mas também pode ser uma informação importante sobre aquilo que você precisa e sobre os tipos de relação que gostaria de construir. E eu também não acho que você precise ter amigos simplesmente porque alguém disse que “todo mundo precisa de amigos”. Pessoas têm necessidades diferentes de contato, intimidade e convivência. Para algumas pessoas, ter uma grande rede social é importante. Para outras, poucas relações profundas são suficientes. E existem períodos em que alguém pode preferir estar mais sozinho. Talvez a questão não seja aprender a acreditar que “as pessoas se importam comigo” quando a sua experiência frequentemente diz o contrário. Talvez seja poder construir uma expectativa mais realista: algumas pessoas não vão se importar, algumas não terão disponibilidade, algumas relações serão superficiais, mas algumas pessoas podem escolher estar presentes e construir uma relação de verdade com você. A terapia também pode ajudar justamente nisso. Não a preparar para um mundo imaginário em que todos serão acolhedores, mas ajudá-lo a encontrar maneiras de viver em um mundo que muitas vezes é indiferente sem concluir que, por isso, você não merece ser ouvido, conhecido ou amado. E talvez exista uma questão ainda mais interessante por trás do que você escreveu: quando você diz que “o mundo lá fora não quer saber de mim e dos meus sentimentos”, talvez valha a pena levar exatamente essa frase para o seu psicólogo. Não para ele tentar convencê-lo do contrário, mas para vocês investigarem juntos o quanto isso corresponde ao que você realmente encontra nas relações e o quanto essa percepção também pode estar sendo influenciada pelas experiências anteriores que fizeram você esperar pouca disponibilidade das pessoas. Você não precisa sair da terapia acreditando que o mundo é um lugar fácil. Talvez seja muito mais útil sair dela sabendo que o mundo pode ser difícil, indiferente e frustrante, mas que isso não significa que você precise enfrentá-lo completamente sozinho.


O atendimento psicológico proporciona um refúgio focado na escuta empática e no acolhimento, diferenciando-se da frieza cotidiana para atuar como um ambiente controlado de autodescoberta. Esse processo não foca em criar falsas expectativas de que o mundo ao redor vai mudar ou se tornar mais compreensivo, mas sim em capacitar você a decifrar as próprias demandas internas de maneira realista e protegida.


A diferença pode até doer, porque você experimenta ali uma forma de relação que gostaria de encontrar fora. Mas o objetivo não é criar uma expectativa de que todos serão assim. É ajudá-lo a reconhecer relações minimamente recíprocas, tolerar que algumas pessoas não sejam disponíveis emocionalmente e construir vínculos possíveis sem precisar que o mundo inteiro seja acolhedor.


Olá. Seu relato é muito importante ! Veja, você encontra acolhimento, mas ainda não está com suas bases sólidas. É necessário aprofundar nessa relação com o mundo. Vivemos sim num lugar mais hostil do que gostaríamos e muitas vezes nos sentimos como um peixe fora da água e até em situações extremas de luta ou fuga. Mas o trabaolho psicológico envolve o fortalecimento da sua alma. Minha abordagem é a psicologia analítica e eu compartilho da prática que nos apresentamos ao mundo como esperamos ser aceitos. Mas e quando tudo o que aprendemos não nos prepara para a nossa realidade? O trabalho psicológico vem justamente pra trazer a tona quem você realmente é e onde você é parte. Trazer de volta limites e consciência daquilo você pode ou quer viver. Conte comigo para ultrapassar o acolhimento e trazer aspectos da sua psique que te façam sentir qual é o seu lugar legitimo no mundo.


O espaço da terapia é diferente justamente porque foi construído para que você possa falar e ser escutado com atenção. Isso não significa que todas as relações fora dali funcionarão da mesma forma. Talvez a questão não seja acreditar que o mundo é um lugar bom e fácil, mas compreender como você vive nesse mundo e quais formas de vínculo fazem sentido para você.


Olá. Bom dia Talvez não seja necessário o mundo te compreender e acolher , a questão pode estar em você não necessitar desse acolhimento e compreensão de todos. O processo terapêutico vai te fortalecer para isso. Para identificar e seguir suas convicções sem necessidade constante de aprovação. Vamos lá ? Estou a disposição. Um abraço.

Dra. Roberta Barros

Dra. Roberta Barros

Psicólogo

Rio de Janeiro

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O consultório oferece um espaço de escuta e acolhimento que nem sempre encontramos na vida cotidiana. Isso não significa que o psicólogo esteja dizendo que o mundo é bom ou fácil. Na perspectiva psicanalítica, talvez seja mais importante compreender o que essa experiência de ser escutado revela sobre suas necessidades e sobre aquilo que você busca nas relações fora da terapia.

Michelle Novello

Michelle Novello

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá, como vai? Me chamo Talita Noronha, sou psicóloga, psicanalista, mestre em psicologia da saúde e professora e vou responder tua duvida: mas é o psicólogo que te diz que o mundo é compreensivo e bom ou é você que deseja que o mundo lá fora seja como o seu psicólogo é? Se o psicólogo promete que o mundo lá fora é bom, ele está tão descolado da realidade quanto você, pois, nem o mundo todo é ruim, e nem o mundo todo é bom. Existe uma parcela de cada coisa no mundo lá fora, e é isso que você encontra ao sair do consultório. Primeiro é preciso separar suas expectativas do que efetivamente o profissional está dizendo, pois é perigosíssimo tanto que ele esteja te prometendo felicidade quanto você projetando o setting terapêutico no mundo lá fora. Dentro do consultório precisamos sim oferecer uma atmosfera de segurança para os pacientes, mas é preciso entender que é VOCÊ quem está em terapia, e não o mundo lá fora. Portanto, não é devido esperar que o mundo mude, quando quem está em terapia é você. São seus olhos sobre o mundo que precisam mudar, e, a partir delas, inventar uma nova realidade.


Olá! Sua reflexão é muito importante, porque toca em uma questão fundamental da psicoterapia: a diferença entre ser acolhido em um espaço terapêutico e encontrar esse mesmo acolhimento nas relações cotidianas. O consultório psicológico não é uma representação fiel do mundo. É um espaço construído intencionalmente para que você possa falar, ser escutado e refletir sem precisar disputar atenção, justificar constantemente seus sentimentos ou corresponder às expectativas de outras pessoas. Essa disponibilidade faz parte do compromisso ético e profissional do psicólogo. Nas relações sociais, infelizmente, nem sempre encontramos a mesma disposição. Mas existe uma diferença importante: o psicólogo não deveria fazer você acreditar que o mundo é necessariamente bom, acolhedor ou fácil de habitar. A psicoterapia não tem como finalidade adaptar você a qualquer realidade, muito menos convencê-lo de que precisa aceitar relações indiferentes ou estabelecer amizades simplesmente porque isso seria considerado socialmente desejável. Pela perspectiva da psicanálise e da psicologia sócio-histórica, nosso sofrimento não pode ser compreendido separadamente das relações que estabelecemos e das condições sociais em que vivemos. A indiferença, a individualização excessiva e a dificuldade de construir vínculos também fazem parte dessa realidade. Talvez uma questão importante seja compreender por que o acolhimento encontrado na terapia parece tão distante das suas experiências fora dela. Isso pode revelar tanto necessidades afetivas legítimas quanto experiências de rejeição, expectativas relacionais e dificuldades concretas de encontrar pessoas disponíveis para uma relação de reciprocidade. Também vale refletir sobre algo: será que a experiência terapêutica está criando uma expectativa irreal ou está permitindo que você reconheça uma forma de relação e escuta que gostaria de encontrar, ao menos parcialmente, em outros espaços? Você não precisa ter muitos amigos, nem se relacionar por obrigação. O importante é compreender quais vínculos fazem sentido para você, respeitando sua singularidade e seus desejos. Sugiro que leve exatamente essa reflexão ao psicólogo que o acompanha, inclusive sua percepção de que o acolhimento das sessões contrasta com a indiferença do mundo externo. Essa diferença, e os sentimentos que ela desperta, podem ser elementos valiosos do próprio processo terapêutico. A psicoterapia não precisa ensinar que o mundo é um lugar bom. Ela pode ajudar você a compreender o mundo como ele se apresenta, reconhecer suas contradições e descobrir como deseja se posicionar diante delas, sem precisar abandonar a si mesmo para pertencer. Recomendo que essa reflexão seja aprofundada com um psicólogo com registro ativo no Conselho Regional de Psicologia (CRP). Esta orientação não substitui o acompanhamento psicológico individualizado.

Rafael dos Santos Bueno

Rafael dos Santos Bueno

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Que pergunta sincera e importante, e pelo que você escreveu faz todo sentido sentir esse contraste. A terapia não existe para mostrar que o mundo é fácil ou que todos vão te compreender, porque de fato nem todos vão, mas a relação com o psicólogo pode funcionar como um lugar de treino, um espaço seguro onde você se mostra, percebe o que sente e experimenta formas novas de se relacionar, para depois levar isso aos poucos para fora. Lá fora vai existir indiferença, sim, mas também podem existir algumas pessoas capazes de encontros mais verdadeiros, e a ideia é ajudar você a reconhecê-las e se aproximar delas, mesmo sabendo que nem todo vínculo vai dar certo. EEu sugiro muito que você leve exatamente esse questionamento para a sua próxima sessão: o que você sente aí dentro e o que encontra fora, da pra explorar várias camadas a partir dai...

Bianca Barros Barbosa

Bianca Barros Barbosa

Psicólogo

Ribeirão Preto

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A experiência de encontrar acolhimento na terapia e sentir indiferença fora dela pode ser dolorosa. O espaço terapêutico oferece uma escuta diferenciada, que nem sempre encontramos nas relações cotidianas. Isso não significa que o psicólogo esteja criando uma visão irreal do mundo, mas que está oferecendo uma experiência de relação baseada na compreensão e no respeito. A terapia não precisa convencê-lo de que o mundo é bom ou de que você precisa ter amigos. O objetivo é ajudá-lo a compreender suas experiências, reconhecer suas necessidades e encontrar maneiras de se relacionar que façam sentido para você. Também é importante acolher sua percepção de que algumas relações podem ser pouco disponíveis emocionalmente, sem concluir que todas serão assim. Na psicoterapia, esse contraste pode ser explorado com cuidado, para compreender o que você sente ao sair das sessões e como construir relações mais satisfatórias, sem invalidar sua experiência nem criar expectativas irreais.


Você precisa trabalhar sua auto estima, para encarar o mundo fora, a terapia deve te levar a isso.


Uma das tarefas importantes da psicoterapia é sustentar na sessão o não saber, a incerteza, a dificuldade e não oferecer uma espécie de positividade que acaba sendo tóxica, em alguns casos. Antes de o mundo ser compreensivo com você, você precisa se enxergar com acolhimento, com compreensão. Isso está acontecendo? Se acreditar que a psicoterapia não está funcionando, permita-se conhecer outros profissionais ou outras abordagens.


O mundo não é um lugar bom, mas isso não significa que você não possa encontrar alguém que seja verdadeiro e se importe realmente contigo, pode ser desafiador, mas não impossivel. Imagino que você seja uma boa pessoa e se importe com as pessoas também. Não é seu psicólogo que está fazendo isso, mas no lugar da terapia você consegue sentir isso e isso é genuino e importante. O primeiro passo é levar isso para o profissional que te atende e ele saberá conduzir.

Vanessa  Ferreira

Vanessa Ferreira

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Nossa, que questionamentos tão importantes. Adianto que não há nenhuma explicação tão direta ou absolutamente certa para isso. Mas gostaria de deixar algumas possibilidades e talvez levantar outras questões. A princípio, o setting terapêutico precisa sim ser acolhedor e tranquilo para que você possa se expressar livremente e sem julgamentos morais ou de quaisquer natureza. Isso vai te proporcionar um conforto e sensação até de prazer em estar falando e não sendo julgada(o). Dito isso, pode ser que haja de sua parte, alguma ilusão ou fantasia de que haverá mudança no mundo através de sua forma de lidar com o processo terapêutico. A terapia não muda o mundo, por vezes não muda nem você mesma(o), mas sim a forma de encarar e lidar com as demandas e situações que o mundo (ambiente externo e dos outros) exige de você. Talvez a terapia tenha te proporcionado o vínculo que você já buscava para tratar os seus sintomas, entretanto pode ser que haja alguns passos, ou vários, a serem dados em direção na sua relação com os outros. O fortalecimento em terapia nos faz cair em si mesmos, para depois escolher quais lutas e batalhas escolher para travar na vida. E ainda, como encarar essas lutas e batalhas. Escolher o modo de reagir em relação a elas. Persista.


Acredito que essa seja uma questão muito importante, porque a terapia não deveria fazer você acreditar que o mundo é um lugar fácil, onde todos estarão dispostos a compreender seus sentimentos. Infelizmente, nem todas as pessoas possuem disponibilidade emocional para escutar, acolher ou compreender o outro, e reconhecer isso também faz parte de compreender a realidade. Mas existe uma diferença entre reconhecer que o mundo pode ser indiferente e concluir que não existe lugar para você nele. Pela perspectiva psicanalítica, o espaço terapêutico oferece algo que nem sempre encontramos nas relações cotidianas: a possibilidade de falar sem precisar corresponder às expectativas do outro, de entrar em contato com sentimentos difíceis e de ser escutado com atenção. Isso não significa que a terapia esteja criando uma realidade ilusória, mas que ela oferece uma experiência de relação diferente daquela que você pode ter vivenciado até aqui. O objetivo não é fazer você acreditar que precisa ter amigos ou que deve se encaixar em qualquer ambiente. É ajudá-lo a compreender o que deseja das relações, reconhecer seus limites e descobrir quais vínculos fazem sentido para você. Você não precisa romantizar o mundo, ignorar a indiferença ou se obrigar a gostar das pessoas. Mas também não precisa transformar as experiências de falta de acolhimento em uma sentença definitiva sobre todas as relações possíveis. Talvez a questão não seja aprender a se encaixar no mundo, mas encontrar maneiras de existir nele sem precisar abandonar quem você é. E o processo terapêutico também pode ser um espaço para questionar se a indiferença que você encontra hoje está apenas na realidade externa ou se algumas experiências anteriores também influenciam a forma como você percebe e espera as relações. A terapia não deveria prometer que o mundo será acolhedor, mas ajudar você a construir recursos para lidar com ele sem perder a possibilidade de encontrar relações nas quais possa ser verdadeiramente reconhecido.

Jayne Gomes

Jayne Gomes

Psicólogo

São Paulo

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Sua pergunta é muito interessante. Já falou com seu psicólogo sobre isso? Porque você acha que o mundo deveria te dar tanta atenção? Parece que essa pecerção de que as pessoas estão indiferentes suscita sentimentos de rejeição e de uma necessidade de querer ser visto, acolhido, aceito - e isso é normal, tá? A questão para trabalhar na terapia é: como lidar com essa indiferença de uma forma que isso não te desanime.


A terapia não deve criar uma visão idealizada do mundo, mas oferecer um espaço de compreensão para refletir sobre as experiências vividas e as relações que construímos. Nem todas as pessoas estarão disponíveis para acolher nossos sentimentos, e reconhecer essa realidade também é importante. O processo terapêutico pode ajudar a compreender como essas experiências afetam você e a construir formas de se relacionar que respeitem suas necessidades, seus limites e sua maneira de estar no mundo, sem desconsiderar a realidade que existe fora do consultório.


Buscar o acolhimento no espaço terapêutico e sentir o contraste com a dureza do mundo exterior é uma reflexão profunda e extremamente legítima. Como psicóloga, posso te dizer que essa percepção não significa que a terapia está te "enganando" ou criando uma ilusão, mas sim revelando o papel fundamental desse espaço na sua vida. Se a terapia passa a sensação de que o mundo é "fácil de se encaixar", vale a pena levar exatamente esse incômodo para a sua próxima sessão. O objetivo da psicologia não é romantizar a realidade ou impor a necessidade de "ter muitos amigos", mas sim te ajudar a desenvolver autonomia e discernimento. Leve essa dor e essa constatação para a sua sessão. Investigar a frustração com o "mundo lá fora" e entender o que você espera das suas relações é um dos passos mais maduros e transformadores do processo terapêutico.


A terapia é o momento de acolhimento por parte do profissional, mas também consigo mesmo. É necessário observar as suas relações, o quanto você tem se posicionado, estabelecido limites, se cuidado e sendo compreensivo(a) consigo. Existem pessoas boas e compreensivas no mundo real, fora das sessões, às vezes, o ciclo de convívio precisa mudar para que você encontre essas pessoas.

Alexia Mallab

Alexia Mallab

Psicólogo

Sete Lagoas

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O psicólogo não deveria fazer parecer que o mundo é um lugar bom, nem que ter amigos é uma obrigação para uma vida legítima. A experiência de ser escutado na terapia pode justamente revelar, por contraste, o quanto o mundo é atravessado pela indiferença, pelo desencontro e pela impossibilidade de sermos compreendidos o tempo todo. Mas há uma diferença fundamental: a terapia não existe para reproduzir essa indiferença. Ela oferece um lugar onde aquilo que, no mundo, frequentemente fica sem escuta pode ganhar palavra. O objetivo, portanto, não é sair da terapia esperando encontrar um mundo acolhedor. É poder voltar ao mundo sem precisar que ele seja acolhedor o tempo inteiro para sustentar quem você é. E talvez seja justamente aí que a questão dos amigos se desfaça: você não precisa “ter amigos” porque a psicologia decretou que isso é necessário. Precisa poder construir vínculos que façam sentido para você, e também poder reconhecer que alguns encontros não acontecerão, sem transformar essa falta numa sentença sobre o seu valor.


A terapia não deveria fazer parecer que o mundo é necessariamente acolhedor ou fácil. O consultório oferece justamente uma experiência diferente: um espaço em que aquilo que você sente pode ser escutado com atenção, sem que você precise disputar esse lugar o tempo todo. Talvez a questão importante seja entender por que o contraste entre esse espaço e as relações fora dele parece tão radical para você, e também de onde vem a ideia de que seria preciso “se encaixar” ou necessariamente ter amigos para estar bem. Esse incômodo que você percebe é muito rico para ser trabalhado em análise. Se quiser, me procure para conversarmos com mais calma sobre isso e entender como você tem vivido seus vínculos fora da terapia.


Olá! Sua pergunta é muito pertinente, e gostaria de começar por algo importante: o mundo realmente não é sempre acolhedor, e a psicoterapia não deveria tentar convencê-lo do contrário. Freud, em *O mal-estar na civilização* (1930), já discutia como as relações com outras pessoas constituem uma das grandes fontes de sofrimento humano. Conviver envolve frustrações, desencontros, indiferença e, muitas vezes, a impossibilidade de recebermos dos outros aquilo de que precisamos. Mas existe uma diferença importante entre a relação terapêutica e as demais relações da nossa vida. O psicólogo não o escuta daquela maneira porque acredita que todas as pessoas deveriam agir assim, mas porque essa escuta é parte fundamental do trabalho clínico. É justamente nesse ambiente que podemos investigar nossas experiências, inclusive a dor de não nos sentirmos compreendidos em outros espaços. Winnicott, um importante psicanalista, estudou como um ambiente suficientemente confiável pode favorecer o desenvolvimento emocional. Na psicoterapia, essa experiência não tem a finalidade de nos fazer acreditar que o mundo será sempre seguro, mas de oferecer condições para que possamos reconhecer nossos sentimentos, compreender nossas necessidades e lidar com as frustrações inevitáveis das relações humanas. E há algo especialmente importante no que você escreveu: você percebe uma diferença tão grande entre o acolhimento que recebe na terapia e aquilo que encontra fora dela que começou a questionar o próprio sentido desse acolhimento. Eu levaria exatamente essa questão para o seu psicólogo. Não apenas para discutir como são as pessoas fora do consultório, mas também para compreender o que essa diferença representa para você e o que espera encontrar nas suas relações. A psicoterapia não deveria ter como objetivo lhe ensinar que o mundo é bom, nem convencê-lo de que ter amigos é uma obrigação. Seu propósito pode ser justamente ajudá-lo a viver em um mundo que nem sempre corresponde às suas necessidades, sem que isso signifique abandonar a possibilidade de construir relações significativas. Reconhecer que nem todas as pessoas estarão disponíveis para nos acolher não significa que nenhuma relação possa oferecer compreensão, cuidado e reciprocidade. Pessoas oferecem essas coisas de maneiras e frequências diferentes.

Gabriela Valentin da Silva

Gabriela Valentin da Silva

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Sua pergunta traz uma reflexão muito importante: existe uma diferença entre experimentar um espaço de acolhimento dentro da terapia e encontrar essa mesma disponibilidade nas relações cotidianas. O consultório é um espaço estruturado para a escuta, o diálogo e a compreensão do que você sente. O psicólogo está ali para oferecer uma atenção que, de fato, nem sempre encontramos nas relações do dia a dia. Fora desse espaço, as pessoas têm suas próprias limitações, preocupações e dificuldades para acolher o sofrimento alheio. E, infelizmente, também existem relações marcadas pela indiferença. Por isso, a terapia não deveria servir para convencer você de que o mundo é um lugar bom, que as pessoas sempre estarão disponíveis ou que fazer amigos é uma obrigação. A realidade não é tão simples assim, e reconhecer isso também faz parte do processo terapêutico. O objetivo não é criar uma expectativa irreal sobre as relações humanas, mas ajudar você a compreender o que sente diante delas, reconhecer quais vínculos lhe fazem bem e encontrar maneiras de se relacionar sem precisar ignorar suas próprias necessidades. Isso não significa que você deixará de encontrar indiferença, mas que poderá desenvolver recursos para lidar com essas experiências sem que elas determinem, necessariamente, a forma como você enxerga a si mesmo e suas possibilidades de conexão. E há algo importante: você não precisa ter muitos amigos para ter uma vida significativa. A necessidade de conexão varia de pessoa para pessoa. O que merece atenção é se a solidão é uma escolha com a qual você está bem ou se é uma experiência que lhe causa sofrimento e da qual você não consegue sair, mesmo desejando estabelecer vínculos. A terapia não precisa fazer você acreditar que o mundo é fácil. Ela pode ajudar você a enxergar a realidade com mais clareza, sem desconsiderar suas dificuldades e sem perder de vista a possibilidade de construir relações que façam sentido para você.

Willian Chaves

Willian Chaves

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Olá! Imagino como pode ser frustrante perceber essa diferença entre o acolhimento da terapia e as experiências fora dela. Talvez seja importante considerar que o ambiente terapêutico oferece um espaço de escuta e compreensão que nem sempre encontramos nas relações cotidianas. No entanto, o objetivo da psicoterapia não seria transmitir a ideia de que o mundo é sempre acolhedor, mas ajudá-lo a desenvolver recursos para lidar com diferentes realidades e relações. Na perspectiva da TCC, seria interessante explorar como essas experiências influenciam suas expectativas e a maneira como você percebe os outros. Talvez compartilhar essa sensação com seu psicólogo possa ser um passo importante para tornar o processo terapêutico ainda mais significativo para você.

Andressa Wolf

Andressa Wolf

Psicólogo

Florianópolis

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Olá! O que você está trazendo é uma questão muito importante para a psicologia clínica: como ajudar alguém a desenvolver uma relação mais saudável com o mundo sem criar uma imagem idealizada das relações humanas? O problema não é você se sentir bem no consultório. A questão principal é observar se a terapia tem te levado a acreditar que todas as relações deveriam funcionar da maneira como você se sente naquele espaço ou, compreender que, caso elas não funcionem exatamente dessa maneira, não significa que haveria algo errado com você. É importante observar o que está sendo frustrado nesse momento: a expectativa de reciprocidade, a necessidade de ser notado, o desejo de pertencimento ou a sua confiança na proposta terapêutica trabalhada?


Olá. Sua pergunta toca num ponto importante. O espaço da terapia é, de fato, diferente do mundo lá fora: é um lugar construído para escutar, e por isso pode contrastar tanto com a indiferença que você encontra. Mas a terapia não existe para convencer ninguém de que o mundo é bom ou fácil. Ela serve para que você possa pensar sobre o que vive, inclusive sobre essa decepção, a solidão e a sensação de não ser visto. Vale muito levar exatamente esse incômodo para a sua próxima sessão: o que você escreveu aqui é material precioso para o trabalho, e o seu psicólogo vai poder conversar com você sobre isso com cuidado.


A terapia não tem o objetivo de fazer você acreditar que o mundo é acolhedor ou que todas as pessoas estarão disponíveis emocionalmente. O ambiente terapêutico oferece escuta, validação e segurança para compreender seus sentimentos, algo que nem sempre encontramos nas relações cotidianas. Na TCC, trabalhamos para diferenciar a realidade das relações, as experiências negativas vividas e as conclusões generalizadas que podemos desenvolver a partir delas. O objetivo não é criar expectativas irreais, mas ajudá-lo a lidar com a realidade sem invalidar suas necessidades emocionais. Você não precisa acreditar que o mundo é bom ou que precisa ter muitos amigos. O importante é construir uma forma de viver que faça sentido para você, com autonomia, limites saudáveis e vínculos que sejam genuínos. Convido você a fazer terapia online comigo para explorarmos essas questões e desenvolvermos estratégias para lidar com a sensação de desconexão, sem desconsiderar suas experiências e sentimentos.


A sua dúvida é extremamente pertinente, e o contraste que você descreve é real: o mundo fora da terapia não funciona como um consultório. No cotidiano, muitas pessoas estão absorvidas pelas próprias demandas e pressas, e nem sempre oferecem atenção, disponibilidade ou compreensão. Se a psicologia fizer parecer que a sociedade é um ambiente naturalmente acolhedor e fácil de se encaixar, ela comete um equívoco e desrespeita a sua vivência. Isso, porém, é diferente de concluir que ninguém se importa ou que vínculos recíprocos não existam. A atenção das consultas não deve ser entendida como promessa de que o mundo externo funcionará da mesma forma. A psicoterapia estabelece deliberadamente uma relação de trabalho pautada por vínculo, colaboração e objetivos compartilhados, e a qualidade dessa aliança está consistentemente associada a desfechos clínicos favoráveis (Bordin, 1979; Flückiger et al., 2018). Essa atmosfera protegida existe para oferecer um solo de segurança técnica onde você possa examinar dores e reorganizar padrões com menos necessidade de defesa imediata. O objetivo do vínculo clínico nunca é substituir a vida real, mas construir condições internas para caminhar nela. Quando a solidão ou a rejeição são vividas repetidamente, o contraste entre a sessão e o cotidiano pode se tornar muito intenso. Estudos sobre isolamento social percebido associam esse estado a maior sensibilidade a ameaças interpessoais e a vieses de interpretação que reforçam expectativas negativas sobre as relações (Cacioppo & Hawkley, 2009). Diante disso, sinais ambíguos ou a indisponibilidade comum dos outros podem ser sentidos com peso redobrado, alimentando um fechamento defensivo que afasta inclusive conexões genuínas possíveis. Pense em uma piscina de treinamento para mergulho. A água é controlada, a profundidade é previsível e não há as correntes instáveis do mar aberto. Ninguém treina ali porque acredita que o oceano será calmo. O treino existe para que a pessoa aprenda a respirar, orientar-se, reconhecer limites e desenvolver recursos de segurança antes de navegar em condições mais imprevisíveis. A terapia cumpre função semelhante: não reproduz o mundo externo como ele é, mas oferece um contexto suficientemente seguro para desenvolver recursos que serão utilizados justamente fora dali. Na Hipnose Clínica de orientação ericksoniana, Erickson (1959) descreveu o Princípio da Utilização: trabalhar com as respostas, percepções e repertórios que a pessoa já traz, em vez de tentar impor modelos externos artificiais. Clinicamente, essa lógica é muito valiosa aqui: a sua percepção de pouca reciprocidade social não precisa ser negada para que a terapia funcione. Ela pode ser acolhida e utilizada para desenvolver discernimento prático, distinguindo onde realmente há desinteresse e onde experiências anteriores podem estar ampliando a antecipação de rejeição. Em outro trabalho clássico, Erickson (1964) enfatizou que a psicoterapia eficaz direciona a responsabilidade ativa da mudança para o próprio paciente, favorecendo a aplicação do aprendizado terapêutico também na vida fora do consultório. Você não tem obrigação de forçar encaixe, nem de acreditar que precisa ter muitos amigos para ter valor. A psicoterapia não pretende convencê-lo de que o mundo é simples, mas ajudá-lo a sustentar o próprio valor sem depender da aprovação indiscriminada dos outros, desenvolvendo autonomia para escolher onde investir sua energia e construindo laços apenas onde houver respeito e reciprocidade reais. Referências selecionadas: Bordin, E. S. (1979). The generalizability of the psychoanalytic concept of the working alliance. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 16(3), 252–260. Cacioppo, J. T., & Hawkley, L. C. (2009). Perceived social isolation and cognition. Trends in Cognitive Sciences, 13(10), 447–454. Erickson, M. H. (1959). Further clinical techniques of hypnosis: Utilization techniques. American Journal of Clinical Hypnosis, 2(1), 3–21. Erickson, M. H. (1964). The burden of responsibility in effective psychotherapy. American Journal of Clinical Hypnosis, 6(3), 269–271. Flückiger, C., Del Re, A. C., Wampold, B. E., & Horvath, A. O. (2018). The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis. Psychotherapy, 55(4), 316–340. Victor Lawrence Bernardes Santana · Psicólogo · CRP 09/012681


Olá, tudo bem? Pelo que você conta, dentro do consultório você sente acolhimento e fora dele encontra indiferença, e isso te faz desconfiar da terapia. É uma percepção que vale ser trazida para a sessão. A terapia não afirma que o mundo é sempre acolhedor: ela oferece um espaço protegido, onde você pode se expressar sem ser julgado, justamente para ganhar recursos para lidar com o mundo como ele é, que inclui pessoas atentas e pessoas indiferentes. O psicólogo não diz que é fácil se encaixar nem que todos vão entender você. O objetivo é ajudar a perceber como você interpreta o que acontece, escolher com quem vale investir e desenvolver habilidades para se aproximar de pessoas mais receptivas. Quando a conclusão é "ninguém quer saber de mim", vale também checar se existe um pouco de generalização, o que a TCC trabalha. O que você sente quando percebe essa diferença entre a sessão e o resto do mundo? E já levou essa dúvida diretamente para o seu psicólogo? Caso precise, estou à disposição.

Bianca Pacheco

Bianca Pacheco

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Olá, tudo bem? É uma reflexão muito válida. A terapia é um espaço desenhado para ter escuta, atenção e acolhimento, e por isso a diferença em relação ao mundo lá fora é real e esperada. Isso não significa que ela crie uma ilusão, mas que mostra o que você pode receber e também o que pode buscar. O objetivo não é que o mundo se pareça com o consultório, e sim que você use o que vive ali para se comunicar melhor, escolher relações mais recíprocas e tolerar a indiferença sem tomá-la como medida do seu valor. Vale levar exatamente essa dúvida para a sessão. O que você gostaria de levar do consultório para a vida lá fora? Caso precise, estou à disposição.

Thais  Mazzini

Thais Mazzini

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Seu psicólogo já é o "mundo lá fora". Por mais que estejam dentro de uma sala (talvez), ele não está dentro da sua cabeça. O profissional, entretanto, representa um vínculo privilegiado por ser de confiança, oferecer um espaço seguro... Acho que você pode ganhar mais endereçando sua abertura a esses fatores, ao invés de encerrá-los no profissional que te atende. Assim, você pode achar vínculos de confiança em outros lugares, e não só dentro de uma sala específica.


a sua pergunta traz uma questão interessante sobre a diferença entre o espaço terapêutico e as relações que encontramos no dia-a-dia. a psicoterapia oferece uma relação construída com condições específicas de escuta, atenção, respeito e disponibilidade. existe um profissional comprometido em compreender sua experiência, sem exigir que você corresponda às expectativas pessoais dele. isso não significa que todas as relações fora do consultório funcionarão da mesma maneira. e talvez seja justamente essa diferença que esteja provocando tanto estranhamento. o mundo realmente pode ser indiferente, e nem todas as pessoas estarão interessadas em compreender nossos sentimentos. reconhecer isso não significa que você tenha uma visão equivocada da realidade, nem que precise insistir em relações nas quais não encontra reciprocidade. mas também existe uma diferença entre reconhecer que algumas relações não oferecem acolhimento e concluir que nenhuma relação poderá oferecer. o trabalho terapêutico não deveria fazer você acreditar que o mundo é necessariamente bom, que todas as pessoas são compreensivas ou que precisa ter amigos para viver corretamente. ele pode ajudar a reconhecer o que você espera dos vínculos, quais necessidades são importantes e como lidar com os limites das relações humanas. eu consideraria especialmente importante levar essa percepção para seu psicólogo. inclusive a sensação de que a terapia apresenta uma realidade que não corresponde à sua experiência. uma relação terapêutica pode oferecer a oportunidade de experimentar formas diferentes de escuta e cuidado, mas isso não significa negar a existência da indiferença. talvez o ponto seja justamente aprender a sustentar essas duas realidades, sem precisar desconsiderar nenhuma delas.


Em geral, o psicólogo não faz isso. Acolhemos sim, e isso é real. No entanto, trabalhamos mais como espelho do que tem dentro do outro e, ajudamos a resgatar recursos internos que, por não serem usados, parecem atrofiar. O essencial é, qual postura você corrige para estar `lá fora´? Corrige sua postura?


Olá, tudo bem? O que você percebe faz sentido: o consultório é um espaço feito para escuta, atenção e acolhimento, algo que a vida cotidiana nem sempre oferece. Isso não significa que a terapia crie uma ilusão, e sim que ela mostra o que você merece receber e que talvez não esteja recebendo fora dali. Ao mesmo tempo, a terapia pode ajudar a levar parte dessa experiência para fora: escolher melhor com quem se relacionar, pedir o que precisa e lidar com a frustração diante de pessoas menos disponíveis. O que você sente quando sai da sessão e encontra a indiferença do mundo? Que tipo de relação fora da terapia você gostaria de construir? Caso precise, estou à disposição.

Gilvanda de Oliveira Rodrigues

Gilvanda de Oliveira Rodrigues

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Olá, tudo bem? O consultório foi pensado para oferecer escuta e atenção, algo que o dia a dia nem sempre proporciona. Perceber essa diferença não significa que a terapia criou uma ilusão, e sim que ela mostra o tipo de relação que faz bem a você. Esse contraste pode ser um ponto de trabalho: aprender a buscar relações mais disponíveis, pedir o que precisa e lidar com a frustração diante da indiferença. A TCC ajuda a olhar para as expectativas e a ajustá-las sem perder a esperança. O que te incomoda mais ao sair da sessão? Que tipo de relação fora dali traria algo parecido com o que sente lá dentro? Caso precise, estou à disposição.

Anderson de Araújo Soares

Anderson de Araújo Soares

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Olá, tudo bem? A sessão oferece algo raro: alguém dedicado a escutar sem pressa. Quando você sai, o mundo funciona em outro ritmo, e o contraste pode doer. Isso não quer dizer que a terapia seja uma ilusão. Parte do trabalho é transformar essa experiência em critério: perceber que tipo de escuta lhe faz bem, procurar relações assim e lidar com a frustração diante de quem não pode oferecer isso. A TCC também ajuda a ajustar expectativas sem abrir mão de relações melhores. Quem na sua vida se aproxima desse acolhimento? O que você gostaria de levar da sessão para o dia a dia? Caso precise, estou à disposição.

Wagner Barros Marques

Wagner Barros Marques

Psicólogo

São Bernardo do Campo

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Sua pergunta traz uma reflexão muito importante sobre a diferença entre o espaço terapêutico e as relações que construímos fora dele. Na psicoterapia, existe um ambiente profissional estruturado para oferecer escuta, acolhimento, reflexão e compreensão, sem que você precise corresponder às expectativas pessoais do psicólogo. Entretanto, as relações sociais funcionam de maneira diferente. Amizades, vínculos familiares e relacionamentos afetivos envolvem reciprocidade, disponibilidade emocional, limites e necessidades de ambas as pessoas. Isso não significa que o acolhimento encontrado na terapia seja artificial. Ele é verdadeiro dentro de uma relação profissional que possui características e objetivos específicos. Na abordagem Sistêmica, procuramos compreender como as experiências anteriores influenciam nossas expectativas sobre os relacionamentos e a maneira como interpretamos as atitudes dos outros. Talvez seja importante investigar o que você identifica como indiferença, quais experiências reforçam essa percepção e como tem sido sua possibilidade de construir vínculos fora do consultório. Também considero fundamental que você compartilhe essa sensação com seu psicólogo. A psicoterapia não deve criar a expectativa de que todas as pessoas oferecerão o mesmo tipo de escuta, mas pode ajudar você a reconhecer relações saudáveis, estabelecer limites e desenvolver conexões significativas. Quanto à necessidade de ter amigos, não existe uma quantidade ideal de vínculos. O mais importante é compreender quais relações fazem sentido para você e contribuem para seu bem-estar. O consultório pode ser um espaço de acolhimento, mas também de construção de recursos para viver relações mais satisfatórias fora dele. Natalie Thedim Psicóloga Clínica | CRP 05/45482


Olá! Sua pergunta traz uma reflexão muito importante sobre a diferença entre o acolhimento que você encontra na terapia e as experiências que vive fora dela. O espaço terapêutico tem características próprias, como a escuta atenta, a ausência de julgamentos e a possibilidade de falar sobre si sem precisar corresponder às expectativas de alguém. Isso não significa que o mundo funcione da mesma maneira, nem que você precise encontrar nas outras relações aquilo que encontra no consultório. Fiquei pensando: você já conseguiu conversar com seu psicólogo sobre essa diferença que percebe? Como é para você sair de um espaço onde se sente compreendido e retornar a relações nas quais não encontra essa mesma disponibilidade? Essas questões merecem ser escutadas também dentro do seu processo terapêutico, inclusive o que você sente em relação ao próprio acolhimento que recebe.


terapia é um lugar seguro e acolhedor para que possamos trabalhar assuntos que não conseguimos trabalhar em um ambiente que não nos proporciona isso. Nós humanos somos seres bio, psico e social, o que isso significa? Necessitamos de conciliar a saúde física, mental para que possamos ter relações saudáveis, as relações com o outro é importante pois isso faz muito sentido para nós, no entanto se não estivermos bem conosco, as nossas interações também não vão funcionar, pois estaremos inseguros e tudo o que o outro lhe critica se torna uma verdade absoluta.

Ronaldo  Sabatine Ribeiro

Ronaldo Sabatine Ribeiro

Psicólogo

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Será possível muitos meses de terapia poder descobrir a causa.

Dra. Waleria Lima

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